Nos bastidores, uma melodia embala a famosa “dança das cadeiras” Parte 2

12 de Março de 2008 @ 23:21 por Afonso Fonseca

Ainda em fase embrionária, o carnaval de 2009 é tecido nos bastidores, grandes mudanças já foram anunciadas em muitas Escolas; vamos às mais relevantes trocas de postos:

Intérpretes: Comecemos a nos preparar para ouvir a voz do intérprete Wantuir na Acadêmicos do Grande Rio, visto que, foi na Unidos da Tijuca, pelos cinco últimos carnavais que a ouvimos, em contrapartida, Wander Pires foi demitido da tricolor de Caxias, tudo indica que o incidente no dia do desfile oficial da Escola, influenciou na decisão da Diretoria de efetuar a dispensa. Dominguinhos do Estácio, assinou contrato com a Inocentes de Belford Roxo, escola que em 2008 venceu o carnaval no Grupo de Acesso B e vai figurar entre as 10 escolas do Acesso A em 2009.

Compositores: No início do mês, soube-se que Gustavo Clarão, tradicional compositor da Unidos do Viradouro, decidiu mudar de “casa”, apartir das próximas eliminatórias, Clarão, inscreverá suas composições na Estação Primeira de Mangueira, escola em que o referido compositor sagrou-se campeão em 1993, quando a Mangueira trouxe o enredo: “Dessa fruta eu como até o caroço”.

Carnavalescos: Roberto Szanieck e Paulo Barros, vão ter algo em comum, em 2009 darão duplo expedientes, Szanieck além da Mangueira, vai assinar o carnaval da Inocentes de Belford Roxo, e, a Renascer de Jacarepaguá terá o mesmo carnavalesco da Unidos do Viradouro. Mais mudanças: Lane Santana e Jorge Caribé são os novos carnavalescos da Portela, com a saida de Cahê Rodrigues.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira: A ciranda dos pavilhões aconteceu; Diego Falcão e Alessandra Bessa, ex-Portela, deverão bailar com o Pavilhão da Porto da Pedra, O casal Robson e Ana Paula que em 2008 defenderam o pavilhão da vermelha-e-branca de São Gonçalo, em 2009, irão continuar defendendo pavilhão de igual cor, mas, da agremiação de Niterói, Unidos do Viradouro; substituindo o casal Raphael e Simone.

Mestres de Bateria: Sinésio Farias é o novo Mestre de Bateria da Arranco do Engenho de Dentro, substituindo Ricardinho. Pato Rocco, deixa de ser para o carnaval de 2009, o Mestre de Bateria da Acadêmicos da Rocinha, em seu lugar, comandará os ritmistas da Escola de São Conrado, Mestre Maurão. E por problemas de saúde, fora afastado do cargo, Mestre Louro, que inclusive, passou mal na Avenida, no último desfile da vermelho-e-branco de São Gonçalo, em dado momento do comando da bateria gonçalense, assume o seu primeiro assistente; Thiago de Souza

Essas são mais algumas mudanças consolidadas no carnaval carioca; além de que, alguns enredos já foram definidos para o próximo carnaval, tais como: “Encantos e Bruxarias na Corte do Rei-Sol”, uma apologia à vida e obra do escritor francês Charles Perrault, que introduziu o gênero literário dos Contos de Fadas. O enredo é de autoria dos carnavalescos Artur Reiy e Gio Salles, da Escola do Acesso D, Gato de Bonsucesso, e não podia ser outro personagem a ser protagonista, senão o Gato de Botas. Outra Escola que já definiu o enredo para o carnaval de 2009, é a Delírio da Zona Oeste; “E agora garçom, pode trazer a saideira…”, o enredo versará sobre a boemia carioca e será desenvolvido por uma Comissão de Carnaval.

Muitas e boas contratações, vamos aguardar, possivelmente haverão mais mudanças!

E todo carnaval tem sua quarta-feira… Parte 4

7 de Março de 2008 @ 20:50 por Rafael Rezende

quarta-feira

desfile 20do 20carnava 20do 20rio 202008l - desfile 20do 20carnava 20do 20rio 202008l

O carnaval inteiro passa, mas o samba do crioulo doido mesmo só aparece com a abertura dos envelopes. O difícil é entender como sai algum resultado justo ali no final, já que na quarta-feira quase todas as nossas certezas sobre o carnaval caem por terra.

Samba-enredo - O quesito deveria ser o mais importante de todos, mas hoje está extremamente desvalorizado. Os jurados se comportam como verdadeiros poços de bondade: a menor nota foi 9,7. O samba do Salgueiro, considerado pela maioria apenas como mediano, levou nota máxima. O samba da Viradouro, considerado um dos piores do ano, senão o pior, perdeu dois décimos. O samba da Grande Rio, outro mediano, perdeu apenas quatro décimos. E o presidente da escola ainda teve a coragem de reclamar da nota. A mais castigada foi a Vila Isabel: nove décimos perdidos. O que também é pouco pela obra apresentada. Em um ano sem sambas brilhantes, quatro agremiações ganharam a nota máxima: Beija-Flor, Imperatriz, Salgueiro e Portela.

Harmonia – Como em todos os anos, alguém tem que fazer o papel de louco. Desta vez, tal função ficou a cargo de Evaldo Santos, que saiu distribuindo notas baixas. Na verdade, as notas dele não são absurdamente baixas. Elas apenas destoam da bondade dos demais julgadores. De qualquer forma, ficou esquisito, pois as notas prejudicaram várias escolas. Beija-Flor foi a única que cravou 40 pontos, seguida por Mocidade e Grande Rio com 39,7. Porto da Pedra levou a menor nota no somatório do quesito, apenas 38 pontos.

Enredo - Voltando para um momento mais tranqüilo na apuração. Embora poucos enredos fossem interessantes, a menor nota foi 9,6. Enredos simples ganharam as maiores notas- Salgueiro e Portela levaram 40 pontos, e Tijuca 39,7. Já os enredos históricos não se deram tão bem. Nem mesmo o elogiado enredo da Imperatriz, que perdeu seis décimos. Os julgadores foram benevolentes com Beija-Flor e Grande Rio, pois os enredos dessas escolas eram de difícil compreensão, forçados pelo patrocínio e pouco interessantes na prática, entretanto perderam apenas 0,4 e 0,5 décimos, respectivamente, e mesmo assim foram mais bem avaliados do que Imperatriz e Mocidade…
Os jurados também devem ter achado graça no enredo subjetivo, pouco carnavalesco, de importância cultural altamente questionável e desenvolvido em torno de nomes “hollyoodianos” que atuavam em prol da realização de um grande mosaico de informações desconexas. Um enredo onde ao mesmo tempo tudo e nada eram possíveis, como, por exemplo, um setor sobre o cabelo deslocado na proposta do arrepio. O fato é que a dona deste enredo, Viradouro, perdeu escassos sete décimos.
A menor nota ficou para a família real da São Clemente, com 38,5.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira – Os jurados costumam pegar leve com os casais, talvez porque seja muita responsabilidade duas pessoas carregarem um quesito inteiro. Não à toa a menor nota foi 9,7. As surpresas do quesito ficaram por conta dos dois incomuns 9,8 que a consagrada Lucinha Nobre e seu parceiro Bira levaram, provocando, inclusive, a separação do casal. Mangueira e Beija-Flor ganharam nota máxima, enquanto Grande Rio, Imperatriz e Mocidade perderam apenas um décimo. O casal da São Clemente foi o pior do quesito, com 38,9.

Fantasia - Único quesito em que nenhuma escola ganhou os almejados 40 pontos. Nilópolis conquistou as maiores notas e acabou com 39,9 pontos. Já a Porto da Pedra, segundo os jurados, foi a pior, com 38,2. Diferente de mim, os jurados gostaram das fantasias da Viradouro, que ganhou 39,7. Está certo que elas estavam criativas, mas faltou bom acabamento e beleza. Algumas eram simples demais.

Evolução – nem em um quesito tão problemático surgiram notas muito baixas.
Beija-Flor e Salgueiro ganharam 40 pontos; Viradouro 39,9. Menor nota para o “saco de pancadas” São Clemente: 38,5. Vila Isabel abriu um clarão de quase dois setores, no entanto ganhou notas 9,9 e 9,8 nas primeiras cabines de jurados, aonde aconteceu o problema.

Bateria – foi o quesito com maior número de agremiações ganhando a nota máxima: Salgueiro, Viradouro, Imperatriz, Grande Rio e Beija-Flor faturaram 40 pontos. Resta saber se são as baterias que estão essa maravilha toda ou, como de costume, são os jurados que estão pouco exigentes. O positivo do quesito foi ver Imperatriz e Salgueiro voltando a ganhar nota máxima, depois de passarem bons anos perdendo pontos no referido quesito. A menor nota foi para a bateria de Mestre Louro da Porto da Pedra, com 39,2.

Alegoria – Eu não tive muita paciência de ler as justificativas dos jurados, mas os deste quesito eu fiz questão de ler para ver se compreendia as notas. Como já havia escrito no início, é um verdadeiro samba do crioulo doido. Alguns jurados observaram muitos erros, criticaram todo o conjunto alegórico e, no final, tiraram apenas 0,2. Outros se preocuparam mais com o detalhe de haver uma tesoura largada em um carro da Mangueira do que observar se o restante da alegoria apresentava-se de forma criativa e bem acabada. Lendo as justificativas se percebe o como os jurados são mal preparados, não tendo nenhuma noção da escala de notas que deve ser usada. De quebra, o espaço que há para eles justificarem, isso se eles realmente justificassem corretamente, é o suficiente para apontar as falhas de apenas uma alegoria. Apenas a Beija-Flor ganhou 40 pontos, enquanto São Clemente somou 38,4 pontos.

Conjunto – Interessante perceber que dois jurados de Conjunto acharam que oito escolas desfilaram perfeitas, merecendo a nota 10. Em um ano de desfiles predominantemente medianos, chega a ser patético. Sem maiores comentários. Maior nota para Beija-Flor e Salgueiro, cravando 40 pontos; menor nota para a São Clemente, com 38,8 pontos.

Comissão de Frente – O fato da comissão de frente da Mocidade, ganhadora de todos os prêmios e capas de jornal do ano, não ter levado nenhuma nota máxima faz cair por terra qualquer possibilidade de se levar a sério os julgadores deste quesito. Pelas justificativas apresentadas, apenas o último julgador apresentou motivos pertinentes para retirar dois décimos de Padre Miguel. O restante alegou que faltou impacto na apresentação. Um impacto que houve apenas na Grande Rio e na Viradouro, ambas com nota máxima. Faltou avisar aos jurados que eles ainda julgam um desfile de escola de samba, e não um espetáculo da Broadway. Os jurados também não gostaram da apresentação de Rogéria, pela São Clemente e dos japoneses na Porto da Pedra, que ganharam 39 e 38,9 pontos neste quesito.

No resultado final, foi quase tudo aceitável. A maior beneficiada do ano foi, mas uma vez, a Grande Rio. E a prejudicada foi a Mocidade, que merecia, ao menos, uma volta ao sábado das campeãs. No restante do resultado, certamente há algumas outras colocações que podem ser questionadas, mas nada que seja absurdo.

E todo carnaval tem sua quarta-feira… PARTE 3

28 de Fevereiro de 2008 @ 00:07 por Rafael Rezende

segunda23 1 - segunda23 1

Segunda-feira

O segundo dia de carnaval foi bem melhor. A começar pela chuva, que não apareceu para prejudicar os desfiles. Além disso, era uma noite de escolas teoricamente mais bem preparadas. Se a primeira noite era pra ser a noite da emoção, a segunda foi chamada por alguns como a noite para a disputa do título. Não à toa.

Eu, como bom torcedor da Mocidade, estava extremamente ansioso com este desfile. Muito mais do que nos anos anteriores, pois dessa vez sabia que a escola estava preparada para voltar a desfilar como a boa e velha Mocidade. E depois de ficar quatro carnavais sem ver a verdadeira Mocidade desfilar, vê-la novamente ali foi muito emocionante. A escola foi a grande injustiçada do ano, pois merecia ao menos uma vaga no sábado das campeãs. O refrão “Minha Mocidade Guerreira” mexeu com os brios do componente, e calou a boca de quem acreditou que o samba poderia morrer na avenida. Padre Miguel apresentou a melhor comissão de frente e ala das baianas, um dos melhores sambas, um enredo interessante, um bom conjunto de fantasias. O nível das alegorias oscilava, mas ainda assim estava na média do ano. A escola também acelerou um pouco após a entrada da bateria no recuo. De qualquer forma, desde 2003 não se vi a Mocidade tão bem.

A campeã do Estandarte de Ouro entrou logo em seguida na avenida. O desfile da Tijuca, como sempre, foi marcado pelo bom chão da escola, pelo enredo e estética simples e de fácil entendimento, que abusou das coreografias para compor as alegorias. Acredito que a estética continua sendo o ponto fraco da agremiação. A comissão de frente também não foi um bom momento, pois somente os jurados poderiam ver o efeito criado pela multiplicação dos componentes diante do espelho, se isso de fato aconteceu. Fazendo um balanço geral, a escola já fez desfiles melhores nos últimos anos, mas continua de parabéns por conseguir se manter entre as grandes agremiações sem ter tanto dinheiro para investir.

A Imperatriz, junto à Mocidade, foi escola que prometeu se recuperar dos maus resultados dos últimos anos. E conseguiu. A grande mudança na escola de 2007 para 2008 foi a liberdade de criação que a carnavalesca Rosa Magalhães teve. Longe dos patrocínios que geraram carnavais fracos, Rosa desenvolveu o melhor enredo do ano (e que tinha a cara da Imperatriz), e por conseqüência a escola desfilou com o melhor samba deste carnaval. Em termos estéticos, percebe-se que a carnavalesca conseguiu criar um bom visual, mesmo sem ter a verba que boa parte das escolas tiveram. O desfile da Imperatriz foi leve, mostrando que a carnavalesca ainda pode render muito bem. Falta à escola apenas mais dinheiro para reparar as arestas e voltar a competir o título. A comissão de frente também precisará ser mais bem trabalhada para retornar às costumeiras notas máximas.

A Vila começou seu desfile muito bem. Bela comissão de frente, linda fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira e um abre-alas que já apontava as alegorias de Alex de Souza como as melhores do ano. Porém, o samba fraco, o enredo que poderia ter sido melhor desenvolvido e a última alegoria, que causou um imenso buraco na avenida até conseguir completar a manobra na cabeça da pista, deixaram a agremiação bem longe das possibilidades de título. O jovem carnavalesco ainda precisa desenvolver melhor suas fantasias, mas de qualquer forma a Vila apresentou um dos mais belos visuais do ano. Se a agremiação der oportunidade ao carnavalesco de desenvolver um enredo de sua autoria, ela terá boas chances de voltar a disputar campeonato no próximo ano. Boa estrutura e equipe para isso ela já tem.

O desfile da Grande Rio começou impactante, dando a impressão de que enfim a agremiação faria jus aos bons (e duvidosos) resultados. Mas logo surgiram as falhas e a inconstância de sempre. O enredo é fraco, citar Amazônia novamente é cansativo, o samba apenas mediano, o trabalho visual cheio de altos e baixos, a evolução com algumas falhas consideráveis, sobretudo por causa da alegoria que ficou presa nas frisas por quase cinco minutos. Porém, a bateria de mestre Odilon é sempre a salvação da lavoura. Destaque também para a fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira, talvez a mais bela do ano. Fica sempre a esperança de que a escola retornará ao estilo dos anos noventa, com bons enredos, bons sambas, desfiles animados, e, claro, resultados mais justos.

Quando a Beija-Flor entrou na avenida eu não tinha muita dúvida de que estaria ali novamente a campeã do carnaval. Nenhuma outra escola fez desfile digno de campeã. Até a Beija-Flor já foi melhor, mas seu feijão-com-arroz foi o suficiente para arrematar mais um caneco. A escola pisa na avenida sempre muito forte, deslumbrante e erra pouco. O ponto falho foi o enredo, complicado e forçado para gerar o patrocínio. Mas isso não atrapalhou a escola, que manteve sua soberania.

Nos bastidores, uma melodia embala a famosa “dança das cadeiras”

21 de Fevereiro de 2008 @ 22:08 por Afonso Fonseca

Ainda sob os ares do carnaval 2008, mas, literalmente, muita gente já está batendo a poeira e dando a volta por cima. Isso acontece em algumas agremiações, não tão bem sucedidas no resultado do carnaval carioca de 2008. Assim como em alguns casos que os casamentos são desfeitos, mais da metade das Escolas de Samba do grupo de elite já efetuaram substituição de profissionais como: Mangueira, Mocidade, Porto da Pedra, Grande Rio, Portela, Vila Isabel etc.

A primeira baixa do carnaval se deu em torno do carnavalesco Roberto Szanieck, que foi demitido da Grande Rio e logo foi contratado pela Mangueira, depois de oficialmente a verde-rosa anunciar a saída de Max Lopes, depois de oito anos à frente do pavilhão mangueirense como carnavalesco. Este deverá tomar posse como carnavalesco oficial da Porto da Pedra. Tais mudanças por si só geram muitas expectativas, comentários, críticas e autocríticas, pois já diz o velho ditado: time que está ganhando não se meche vide Beija-Flor de Nilópolis. No entanto, está em “xeque” a tradição das agremiações, os estilos de cada profissional envolvido nas mudanças e a curiosidade aumenta por antecipação ao tentarmos deduzir como Szanieck irá de fato adaptar-se ao jeito mangueira de ser e fazer carnaval, pois, o carnavalesco, tem em seu dossiê carnavais excêntricos, inclinado a alegorias gigantescas, gosto por cores fortes, do cítrico ao lilás, com resultados interessantes tanto no carnaval do Rio, como em São Paulo.

Max Lopes irá assinar o carnaval da Porto da Pedra, que segundo especulações, deve trazer para Sapucaí um enredo com parte da história da França. Supõe-se que haverá mais facilidade para adequar seu já conhecido estilo na agremiação de São Gonçalo. Cahê Rodrigues deixa a Portela em alta, e deverá substituir Roberto Szanieck na Grande Rio, outra boa proposta para o carnaval de 2009. Cid Carvalho deixa a Mocidade Independente, em seu lugar, entra Cláudio Cebola, que é “prata da casa”. Outra contratação relevante foi Rogerinho, que estava na Mocidade Independente , e, que volta a ser par com Lucinha Nobre, na Unidos da Tijuca.

Aos poucos, essa parte preliminar de formação do carnaval 2009 vai se complementando, mas, ainda espera-se por muito mais pessoas bailando ao som da “dança das cadeiras”.

Boa Sorte aos novos contratados!

E todo carnaval tem sua quarta-feira…

20 de Fevereiro de 2008 @ 19:10 por Rafael Rezende

Parte 2- Domingo

698242 9817 ga - 698242 9817 ga

Foi um dos domingos de carnaval mais esquisito que já se viu. Desfiles fracos, muito fracos. Desde o início, quando saiu o sorteio, já se esperava isso, e a chuva ainda piorou a situação. Era previsível que Porto da Pedra e São Clemente figurariam nas piores colocações. Depois disso, a noite seria chamada de “a noite da emoção”, pela impressionante seqüência de Salgueiro, Portela e Mangueira. E, para arrebatar o primeiro dia, Viradouro, e seu polêmico carnavalesco, que mal chegou e já é comparado com João Trinta.
Acontece que estrangeiro mal consegue citar o nomes das escolas, vai lá saber a importância delas para o carnaval. Fora os brasileiros, que preferiam se divertir nos camarotes ao som do “Crééééu”. Sendo assim, nem a emoção rolou como se esperava. Salgueiro com um samba apenas razoável, Viradouro com um samba horrível, e Mangueira em crise contribuíram para uma noite morna. Parece que somente a grande torcida da Portela conseguiu garantir um momento mais animado na primeira noite.

São Clemente abriu a noite de forma bem correta. Em outros anos, certamente mereceria continuar no Grupo Especial. Mas com o alto nível técnico das escolas, acabou faltando um pouco a mais para a agremiação de Botafogo se firmar no Especial. O chamado estilo “clean” do Mauro Quintaes acaba dando uma idéia de pobreza e de acabamento simples demais. Os delírios de D. Maria, a louca, foram bastante comportados, devido aos olhares vigilantes do prefeito César Maia. O que sobrou de São Clemente nessa história foi o refrão do samba, e o baile dos frangos em uma das alegorias. E só. Foi um desfile sem grandes problemas, mas que também não conseguiu nenhum grande destaque.

A Porto da Pedra melhorou sua apresentação, se comparado aos últimos dois anos. Para uma escola com dificuldade para competir de igual para igual com as grandes agremiações, tanto em termos de tradição, quanto financeiramente, ela se saiu bem. O carnavalesco Mario Borrielo fez um desfile acima da média que ele costuma fazer, reflexo direto da liberdade que ele teve na escolha e realização do enredo. Destaque para o carro representando o navio Kasato-Maru, todo em bambu. O samba foi um dos mais controversos do ano, alguns o consideraram um dos melhores do ano, outros um dos piores. Mas o fato é que ele foi o suficiente para a agremiação fazer um bom desfile, bem alegre. Destaque para o casal de mestre-sala e porta-bandeira importados do Império, Robson e a Estandarte de Ouro Ana Paula, além da bateria do guerreiro Louro, que mesmo passando mal conseguiu acompanhar a bateria até o fim do desfile, ganhando o Estandarte de Personalidade.

A competitividade começou a crescer quando o Salgueiro entrou na avenida. O enredo sobre o Rio de Janeiro gerou uma expectativa muito boa, pois ele poderia render um dos melhores momentos do ano. De fato, rendeu, mas ainda assim abaixo do esperado. Em outros tempos, este desfile poderia ser um verdadeiro sacode, hoje não mais. O samba morno chega a ser uma decepção, para um enredo tão maravilhoso. Cantar o Rio de Janeiro de uma forma tão leve e colorida é a cara do Salgueiro, e a cara do carnaval. Coisas do carnavalesco Renato Lage, sua companheira Márcia Lávia, e a perceptível sensibilidade deles ao construir os carnavais. Mesmo assim, desapontaram-me um pouco. Está certo que o Salgueiro não teve muita verba para este desfile, e o casal até operou alguns milagres. Mas o nível das alegorias oscilou bastante. A alegoria que representava o Maracanã - que poderia ser uma grande sensação – ficou sem graça, mal lembrava o Renato Lage do início dos anos 90 na Mocidade. A utilização de roupas comuns nos carros da favela e da praia também foi um descuido incomum no trabalho dos carnavalescos. O resto do visual foi agradável. Destaque também para a comissão de frente, muito boa. No final das contas, um bom desfile, que acabou levando um inesperado vice em um ano sem grandes apresentações.

A Portela honrou as expectativas de sua torcida e fez um bom carnaval. Deu uma melhorada na estética, sobretudo nas alegorias, e continuou mantendo a boa qualidade dos demais quesitos, como samba, bateria, harmonia, evolução. Foi um desfile com vários pequenos pontos falhos, que retiraram décimos aqui e ali, mas no final foi um saldo positivo, sobretudo para uma agremiação que estava há 10 anos fora do Sábado das Campeãs. Interessante é o nível crescente da escola, de 2006 pra cá, depois do tombo em 2005. Espera-se, portanto, que 2009 seja melhor ainda.

Quando a Mangueira entrou na avenida, as tradicionais bandeirinhas se agitaram, não dando a noção se seria um desfile apoteótico, ou se a escola iria em breve murchar na avenida. Minutos depois, deu pra perceber que estava mais para a segunda opção. A chuva só veio para “coroar” a má fase da Mangueira. A escola acabou sentindo mais do que se poderia prever a falta do enredo sobre Cartola. O enredo foi mal desenvolvido, o samba foi o pior da década apresentado pela agremiação, Max Lopes se mostrou repetitivo, Carlinhos de Jesus não conseguiu impressionar, além de que um dos componentes estava com um guarda-chuva normal. Faltou à escola mais dinheiro também, a mídia negativa certamente repercutiu na perda de uma parte do patrocínio. A saída de Ivo Meireles faltando poucos meses para o carnaval prejudicou o desempenho da bateria. A chuva prejudicou as fantasias, que ainda tiveram o erro de serem muito parecidas dentro de alguns setores, dando a sensação de haver apenas uma ala no setor inteiro. O que segurou a Mangueira foi a força da escola mesmo, a tradição e a raça de alguns componentes. Que a décima colocação seja o suficiente para a escola acordar. Será necessário renovar, e ao mesmo tempo voltar a valorizar a tradição.

Viradouro terminou a noite de carnaval embalada pelas polêmicas do carnavalesco. Paulo Barros: ame-o ou o odeie. Entre erros e acertos, e opiniões das mais divergentes, foi um desfile que, na hora, prevaleceu a impressão de que “aconteceu”, mas que na apuração se mostrou verdadeiramente deficiente. O samba, o pior do ano, na avenida ficou até aceitável, ainda que bem longe dos 39,8 que recebeu. Mérito da bateria da Viradouro, do intérprete Nêgo, e do bom chão da escola. A comissão de frente seguiu a tendência de espetáculo, e nesse sentido funcionou muito bem, ainda que muita gente não tenha gostado. O enredo foi, em minha opinião, um dos piores do ano. É um tema muito subjetivo, e que permitiu momentos nada carnavalescos na avenida. As fantasias e alegorias variavam bastante. Algumas eram muito simples, e feias. A criatividade compensava, mas não o suficiente para merecer a nota máxima. E encher uma alegoria de seis mil bebês de plástico não tem nada de interessante. A verdade é que ou o Paulo Barros se ajusta ao regulamento, ou ele vai continuar dando murro em ponta de faca. O desfile que ele está fazendo não cabe no regulamento. Como que se analisa a alegoria censurada?

Desfile acabando 05:30 horas é tão esquisito. Passa rápido demais. Sinto falta da sétima escola, desfilando ao amanhecer…

Carnaval Virtual, “O maior espetáculo da tela”

20 de Fevereiro de 2008 @ 13:43 por Afonso Fonseca

Caros leitores, re-inauguramos nossa participação, trazendo um tema interessante, instigante para muitos e ao mesmo tempo, inédito, para a maioria dos foliões de todo País. O Carnaval Virtual, que teve seu prelúdio no ano de 2002, com a criação da LIESV - Liga das Escolas de Samba Virtuais, e que teve seu primeiro carnaval oficial acontecendo no ano seguinte. Esta nova forma de se cultuar o carnaval partira da iniciativa de alguns jovens internautas, aficionados por samba e carnaval, em exercer funções semelhantes ao carnaval real, ou seja: carnavalescos, compositores, intérpretes, figurinistas, aderecistas, que juntos, em suas respectivas agremiações, fazem do CV, “o maior espetáculo da tela”. Atualmente há cerca de meia dúzia de Ligas Virtuais, em plena atividade. Elas promovem seus desfiles em datas distintas e passa automaticamente a ser um passatempo agradável àqueles que de fato simpatizam e gostam do carnaval arte.
Para uma maior compreensão sobre o assunto, entrevistamos João Marcos, que atualmente exerce o cargo de Vice-Presidente da entidade:

“João Marcos, gostaria que nos relatasse em breves palavras sobre o Carnaval Virtual. Como surgiu esta idéia? Quais foram os mentores desta modalidade de entretenimento? Como funcionam os desfiles?

JM - O Carnaval Virtual nasceu em 2002, idéia do Miguel Paul, que hoje é diretor na Estácio. Em 2003, tivemos o nosso primeiro desfile, sendo que três das seis escolas que desfilaram; a Imperiais, a Império do Vale e a Colibris; existem até hoje. A idéia é muito simples – são confeccionados protótipos de fantasias e alegorias, iguais aos que são feitos pelas escolas de samba reais. Esses protótipos são montados de forma a parecer um desfile e são exibidos na página da liga, ao som do samba-enredo da escola. E é muito interessante como a coisa ocorre – como temos chats com o público e narração, você sente um clima de desfile mesmo, a reação das “arquibancadas”, a empolgação dos componentes da escola. É uma experiência interessantíssima, que deixou de ser brincadeira para se tornar vitrine de talentos e futuros profissionais de carnaval.

Quando se deu o primeiro desfile virtual e quantas escolas o compuseram? Como foi essa experiência de ver na tela um desfile de carnaval?

JM - Foi em 2003. Desde lá, a LIESV já teve cinco carnavais. Eram seis escolas no primeiro desfile. Hoje temos vinte e duas, dividas em Grupo Especial e de Acesso - sem contar o desfile de avaliação, onde pessoas que pretendem ter escola na LIESV submetem seu trabalho e são avaliados por um júri rigoroso. Para 2008, mais de 40 escolas se inscreveram neste grupo de avaliação. A procura está sendo tão grande que, dependendo da qualidade dos trabalhos, poderemos até montar um Grupo de Acesso B.

Sabe-se que hoje a LIESV é um celeiro de bambas. Fale-nos de pessoas que viram revelado seus potenciais e que hoje atuam simultaneamente no Carnaval Real, salvo engano, não somente no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas também no sul do País:

JM - A LIESV formou inúmeros compositores. Vários deles que passaram por aqui, começaram a vencer em escolas nos Grupo de Acesso no Rio, estão em diretorias e etc. Mas a LIESV, pelo seu espírito democrático, acaba tendo gente do Brasil todo, do Maranhão ao Rio Grande do Sul. E o bacana é que há um intercâmbio. O William Tadeu, presidente da ala de compositores da tradicional Consulado do Samba, de Florianópolis, e o carnavalesco da escola, o Rapha Soares, participam da LIESV. Eles são modelos para os mais novos, passando experiência. Outro exemplo é o Imperial, compositor de sambas clássicos do carnaval paulista, em especial da Mocidade Alegre (inclusive, o samba do penúltimo título da escola), e que este ano é compositor do samba da Mancha Verde. Ele é um professor para a garotada. Além disso, a LIESV acaba sendo uma vitrine - muita gente importante acompanha o nosso trabalho. P.ex., uma das revelações da LIESV, o intérprete James Bernardes, que é do interior do Rio, do município de Vassouras, foi convidado para integrar o carro de som da Tradição este ano. E os frutos disso tudo começam a aparecer – tivemos compositor ganhando no carnaval de Uruguaiana, no ABC paulista, em Guaratinguetá, em Niterói, interior de Minas, Porto Alegre, Florianópolis, em blocos no Rio, em escolas mirins, etc. É tanto samba, em tanto lugar, que é difícil até enumerar. Inclusive, lançamos uma série de CDs, chamados “Do Virtual ao Real”, só com sambas enredos da garotada que foram concorrentes em escolas reais – vários deles, campeões. Já lançamos três volumes e estamos preparando o quarto. Quem quiser baixar os CD da LIESV, é só acessar aqui: http://www.liesv.com/portal/downloads.html. E não é só compositor que nós formamos- temos carnavalescos que começaram aqui e que brilham em Porto Alegre, interior do Rio Grande do Sul, Florianópolis e São Paulo. Além disso, formamos conhecedores de carnaval. Basta dizer que o comentarista dos desfiles do carnaval de Vitória por uma rádio de apelo nacional, este ano, foi o Lucas, presidente da Império do Vale. Enfim, quem ama carnaval, principalmente pelo seu lado mais artístico, encontra na LIESV o ambiente ideal para se desenvolver.

Exponha ao leitor como se dá o ciclo do carnaval virtual, se é similar ao Carnaval? (Da divulgação de sinopses, ao resultado final do concurso); Quantos grupos existem e quantas Escolas compõem?

JM - É bastante similar ao carnaval real, só que ocorre numa época diferente, inclusive para não atrapalhar o pessoal que participa de eliminatórias de samba em escolas reais. As datas são fixadas no calendário. Os desfiles ocorrem entre Junho e Julho. Por exemplo, enquanto no carnaval real, está chegando a hora dos desfiles, aqui na LIESV estão começando as eliminatórias. Várias escolas já lançaram sinopses, algumas, inclusive, já começaram a fazer os “terríveis” cortes. Se você quiser concorrer, as sinopses estão na página inicial do site da Liga (http://www.liesv.com/portal/index2.html). Basta gravar, mesmo sem instrumentos musicais, só com a voz mesmo, e mandar a gravação e a letra para o email da liga, liesv_carnavalvirtual@yahoo.com.br, que você participará dos concursos. E somos 22 escolas – 12 no Grupo Especial, 10 no Acesso. São escolas bem organizadas, algumas com quatro ou cinco desfiles na sua história. É um carnaval virtual realmente levado a sério.

O Carnaval Virtual de 2007 correspondeu às expectativas da Equipe organizadora da LIESV? O que você destacaria? E o Carnaval Virtual de 2008, como estão os preparativos? O que se pode esperar deste evento?

JM - Sim. Conseguimos grandes vitórias – para se ter idéia, o nosso CD foi gravado no mesmo estúdio que produz o CD de Acesso do Rio. Com relação ao desfile, o interesse do público superou, absurdamente, as expectativas da organização, a ponto de termos até problemas de estrutura para exibir o desfile. Para se ter uma idéia, contratamos uma webrádio para transmitir o áudio dos nossos desfiles, com capacidade para 1000 pessoas conectadas simultaneamente e com qualidade digital. Teve momentos em que essa capacidade não foi suficiente. Foi um aumento de quase 500% no público do desfile em relação ao ano anterior. Durante a noite do grupo de acesso, foi 22 mil conexões ao streaming da rádio durante toda a noite, um número que assustou a organização da liga. Nós deixamos uma faixa do CD da LIESV, o samba da Imperatriz Paulista, cantado pelo excelente Anderson Paz, intérprete da Acadêmicos da Rocinha, armazenado no Mp3tube. (http://www.mp3tube.net/br/musics/Carnaval-Virtual-Samba-Enredo-Imperatriz-Paulista-2007-LIESV/14612/). Lá, consta que a faixa teve mais de sete mil exibições – isso sem a gente fazer nenhuma propaganda e sequer ter avisado alguém de que colocaríamos o samba lá. Agora, para mim, o mais importante foi o salto de qualidade artístico. As escolas, em 2007, mostraram desejo de fazer algo de qualidade. A renovação do pessoal foi extremamente saudável, injetou um sangue novo que me deixou muito feliz. E o que esperamos, para 2008, é melhorar o que já temos de bom e, principalmente, revelar mais talentos e fazermos novos amigos.

Existe um portal denominado CAESV- Comissão de avaliação das Escolas de Sambas Virtuais; qual o objetivo do mesmo? E se houver interesse momentaneamente, como se faz para inscrever uma Escola para disputar uma vaga na LIESV para o carnaval de 2009?

JM - A CAESV é o órgão da LIESV responsável pelo desfile de avaliação. Quem quiser montar uma escola, é pegar o formulário que consta lá, mandar para a liga e preparar o carnaval. A inscrição, em si, é bem simples – basta acessar http://www.liesv.com/portal/caesv/inscricao.html, e seguir o passo a passo. O mais importante, no entanto, não é criar uma escola, mas tentar participar de uma e, conseqüentemente, fazer amigos. Este intercâmbio é o principal porque é assim que quem vem para cá consegue aprender e, também, ensinar. Tem escolas que precisam de carnavalescos e intérpretes. Se você tem boas idéias para enredo, gosta de cantar ou desenhar, procure a nossa comunidade no Orkut, ou fale comigo pelo MSN Messenger (meu id é joaomarcos8762004@hotmail.com) ou pelo Yahoo (joaomarcos876@yahoo.com.br)

João Marcos deixe uma mensagem aos leitores do Tradição do Samba:

JM - Que todos vivam o carnaval o ano todo, seja real, seja virtual. Que amem não só a dança, a cerveja, as mulheres, mas, principalmente, que se interessem pelo lado artístico. O carnaval é a arte do povo. É a nossa arte, a nossa cara. Sempre busquem a arte. Exijam que ela esteja presente sempre. Para o pessoal que quer participar das escolas reais, não deixem se levar pelas politicagens e não busquem a fama pela fama. Revolucionem como o pessoal das comissões do Pamplona, que, de alunos, passaram a mestres. Não aceitem as sacanagens. Não sigam fórmulas. Busquem serem os melhores, mesmo que não sejam os vencedores. Divirtam-se, mas levem tudo a sério. Tudo gera uma conseqüência, uma marca na sua alma. Lembrem-se: água mole em pedra dura tanto bate até que fura. E o furo é permanente. Que a vitória de vocês seja uma vitória de verdade. Só assim, ninguém tirará de você essa conquista.

Abraço a todos.

Em breve mais informes sobre o Carnaval Virtual!

Deixem seus comentários.

E todo carnaval tem sua quarta-feira…

16 de Fevereiro de 2008 @ 11:41 por Rafael Rezende

690322 5199 ga 1 - 690322 5199 ga 1
Mais um carnaval passou, e dá sempre certo desânimo quando passa esses dias tão intensos e esperados. Imaginar que virá mais um ano inteiro de expectativas dá uma preguiça… Mas acho que nós, apaixonados pelo carnaval, não sabemos fazer diferente. Enquanto fevereiro de 2009 não chega, a solução é repensar no carnaval que passou, e começar a imaginar o carnaval futuro. Sendo assim, nos próximos dias escreverei minha impressão sobre o carnaval 2008, e o pontapé inicial para os desfiles de 2009.

Sexta e sábado

Ainda que este site se preze mais a falar sobre o carnaval carioca, devem-se ressaltar alguns pontos do carnaval paulista.

O Sambódromo paulista é superior ao do Rio. Permite alegorias maiores, não tem o paredão de camarotes que há no Rio, as arquibancadas ficam mais próximas da avenida, o recuo da bateria é mais largo, facilitando a perigosa manobra de entrada no recuo, possui estacionamento para as alegorias, tanto na concentração quanto na dispersão, e as alegorias entram na avenida sem dificuldades, diferente do Rio, em que a curva para a entrada na avenida é sempre um perigo para as agremiações. O fator negativo é a iluminação do sambódromo paulista, que é muito clara.

Outro detalhe negativo do carnaval de São Paulo é o excesso de puxadores que passam os desfiles gritando coisas do tipo “tira o pé do chão”, numa influência direta do axé baiano. Definitivamente, samba é para sambar, e não para pular. E quem no Rio tem aderido à moda é Tinga, na Vila Isabel.

Houve uma boa evolução da estética. O Luxo, antes restrito à Império de Casa Verde, se espalhou por algumas escolas. Aconteceu uma melhoria geral na qualidade das fantasias, além de carros cada vez maiores e mais bem feitos. Considerando que ainda há escolas construindo alegorias debaixo da ponte, não poderia estar melhor.

As comissões de frente também melhoraram. Estão investindo mais na criatividade, em coreografias interessantes, substituindo assim a antiga mania de coreografias simples, e fantasias gratuitamente luxuosas.

Já os casais de mestre-sala e porta-bandeira ainda apresentam um excesso de luxo, deixando as fantasias pesadas, e gerando por conseqüência apresentações menos graciosas.

Para quem gosta de espetáculo, as baterias paulistanas têm proporcionado bons momentos. Elas fazem de tudo para contagiar o público: elementos que soltam fogos, fumaças coloridas, entram e logo em seguida saem do recuo, dividem-se ao meio para a passagem do casal de mestre-sala e porta-bandeira, formam a bandeira do Japão (Vila Maria), e outras tantas ousadas coreografias.

Quanto aos enredos, variou do céu ao inferno. Duas escolas pegaram um patrocínio e a porta do “inferno” ao falar sobre o sorvete, em tema bem fraco. Com isso, a Tucuruvi acabou em 12º, não sendo rebaixada por pouco, mas a Águia de Ouro não teve a mesma sorte, tendo que visitar o acesso em 2009, após a 13ª colocação. Prova de que nem todo patrocínio compensa.
Da outra ponta, a Vai-Vai se destacou com um enredo de crítica social, “VAI-VAI ACORDA BRASIL”, apontando a educação e arte como formas de solucionar os problemas sociais. O desfile ainda alertou para o cinismo dos políticos brasileiros, e suas promessas de campanha não cumpridas. Foi um enredo inteligente, criativo e com a crítica típica dos bons carnavais, e que não aparece mais no grupo especial do carnaval carioca já há algum tempo.

Outro ponto alto do desfile da Vai-Vai foi a empolgação da arquibancada, que criou uma coreografia com as bandeirinhas, formando uma bonita imagem. Foi de todo o carnaval, incluindo o carioca, o desfile que teve maior interação com a arquibancada. Aliás, geralmente os desfiles paulistas contam com maior reação do público, pelo ingresso ser mais barato, permitindo que pessoas que realmente acompanham o carnaval durante todo o ano estejam na avenida, enquanto o povão carioca se aglomera no Setor 0, no Viaduto, nas árvores da área de concentração das agremiações, para dar lugar aos turistas na avenida. São as pessoas que fazem o carnaval, mas não podem acompanhá-lo em seus dias de glória.

Por fim, deve-se lembrar também de Mocidade Alegre, Vila Maria e Rosas de Ouro que, junto com a campeã Vai-Vai, fizeram os melhores desfiles do ano. Entre essas quatro agremiações houve muito equilíbrio, todas com desfiles dignos de campeonato, e o resultado oficial confirmou o que se viu na avenida, já que elas preencheram as primeiras colocações.

O carnaval paulista cresce a passos largos, e agora com a construção da Cidade do Samba o evento dará mais um grande salto de qualidade.

Da Folia sou um Rei

2 de Fevereiro de 2008 @ 17:59 por Philip Nascimento

paulo barros - paulo barros

Em uma das temporadas de pré-carnaval mais conturbadas da história, fomos saracoteados pela Operação Furacão, entramos no inferno astral da Mangueira, passando ainda por Cartola e desembocando no Führer e no holocausto atroz, mas, entre mortos e feridos, o carnaval finalmente dobra a esquina e será lá na avenida o momento de as escolas superarem suas adversidades e espantarem os ratos e urubus de suas fantasias. É bem verdade que muito se questiona, após os últimos acontecimentos, a respeito da liberdade de expressão, todavia quem de fato vem sendo amordaçado constantemente é o povo, que perde sua importância dentro dos desfiles cada vez mais direcionados para outros fins. E certamente nada daquilo que é exposto aos olhos do mundo seria possível se não fossem os reais reis da folia, pessoas que dedicam parte de suas vidas em prol da cristalização de um sonho de poucos minutos… A plebe não se torna capa de revista, tampouco é procurada pelas câmeras ou pelos fotógrafos, mas nada do que se vê, ouve ou sente naquele palco coruscaria ou reluziria sem os pés, as mãos e a dedicação dos ferreiros, carpinteiros, pintores, aderecistas, escultores, compositores, enfim; pessoas que merecem todo o nosso respeito, o nosso samba no pé e a nossa reverência, pois são a verdadeira essência do carnaval em suas múltiplas origens,cores e crenças…

Bom Carnaval!

A Ditadura no Carnaval: Justiça proíbe Viradouro de Levar Carro do Holocausto para Avenida

31 de Janeiro de 2008 @ 14:02 por Ricardo Almeida

A atitude de entrar na justiça para proibir qualquer forma de expressão é repugnante e lamentável. Cercear a liberdade de expressão nos remete aos sombrios anos de ditadura, e mostra novamente a hipocrisia da sociedade em que vivemos. A dúvida que fica é se fossemos inverter a situação, e alguma escola de samba entrasse na justiça para proibir quem quer que seja de denegrir a imagem do carnaval, se algum juiz teria o mesmo posicionamento. Vamos falar a verdade: O holocausto foi retratado de forma cristalina e cruel no filme “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg, e é considerado um clássico no cinema, aclamado pela crítica. Participaram inúmeros judeus deste filme. Como Paulo Barros, o intuito era causar impacto e mostrar todo o horror que aquelas pessoas viveram em razão de uma mente doentia para que, no futuro, não aconteça mais.

O que está em jogo é como abordar assuntos tão delicados. O fato de levar o holocausto para o carnaval de forma tão explícita com o pretexto de que causa arrepio é, sem dúvida, de um mau gosto e falta de sensibilidade sem precedentes, por se tratar de uma festa onde se misturam corpos seminus e batuques como forma de alegria.

Há na história do carnaval inúmeros enredos falando de colonização, astecas, índios, negros, escravidão e etc., que nenhum juiz proibiu. É bom lembrar e refrescar a memória de que aqui no Brasil, aldeias e povos indígenas inteiros foram dizimados do mapa. No México, os Incas e os Maias foram igualmente dizimados e roubados pelos espanhóis. Os negros africanos foram feitos escravos pelos portugueses em uma das mais cruéis atitudes na história da humanidade. Fatos históricos são o que não faltam para exemplificar que não somente o holocausto tem importância.

Mas torcíamos para que este carro fosse levado à avenida, mesmo sendo contrário a ele. A resposta que a Viradouro e seu carnavalesco teriam que ter seria a indignação e repúdio do público, a enxurrada de protestos e conseqüentemente notas compatíveis com o horror que é este carro. Teríamos então, democraticamente, a forma mais correta de se penalizar aqueles que acham que tudo podem em forma de arte.

Podemos então acreditar que a Viradouro, caso não obtenha uma boa colocação, use este fato como desculpa, o que, sem dúvida, é lamentável.

De cara, a escola irá perder pontos em alegorias e adereços, conjunto, harmonia e talvez enredo, porque obviamente estará faltando parte do contexto.

Estamos na quinta-feira, 31 de janeiro de 2008. Até domingo, quando a Viradouro se apresenta, podem ainda acontecer fatos novos, como a escola cassar esta liminar e colocar o carro no desfile. Não há mais o que fazer senão aguardar.

A disputa vai ser acirrada!!

30 de Janeiro de 2008 @ 16:15 por Ricardo Almeida

Então, foram-se os ensaios técnicos, e o que as escolas tinham para acertar e melhorar também. Agora é segurar a ansiedade e aguardar o desfile.

Depois que todas as escolas fizeram seus ensaios, dá para ter uma noção de como elas vão se portar, e quais as chances que tem. O dito popular fala que treino é treino, jogo é jogo. Mas não acredito que haverá grandes surpresas no resultado final, se nada sair errado. Acidentes acontecem e mudam o rumo da história.

Este ano, sem dúvida, é um dos anos mais concorridos, e arriscar um campeão seria loucura. Algumas se sobressaíram mais que outras, mas por muito pouco. As escolas estão cada vez mais organizadas e o resultado final agora é quem errar menos, leva. Baseado no que vimos, segue abaixo as impressões de cada escola:

- SÃO CLEMENTE

A simpática escola da Zona Sul mostrou em seus dois ensaios que não estava preparada para subir para o Grupo Especial. Faltam diretores de harmonia capazes de conter as alas, que se misturaram nos ensaios, canto fraco e samba idem. Não funcionou na avenida durante os ensaios e dificilmente irá acontecer. Em um enredo histórico, colocar gíria na letra do samba é dispensável, visto que a língua portuguesa é riquíssima e alternativa não falta. Tem na bateria seu ponto forte, mas só ela não resolve.

Tem a dura e incômoda missão de abrir os desfiles no domingo, e terá que se superar, esquecer os erros dos ensaios e fazer uma apresentação digna de quem está no grupo de elite do carnaval carioca.

- UNIDOS DO VIRADOURO

A escola de Niterói é uma incógnita para este carnaval. Com um enredo polêmico e subjetivo, o carnavalesco Paulo Barros pode com este desfile ir aos céus tão rápido quanto ir ao inferno. Fez um dos melhores ensaios da temporada, tem um chão excelente e uma bateria segura.

Mas esta mesma bateria está à procura de uma coisa que perdeu nos últimos anos que foi a unanimidade. Não obtém quatro notas dez há algum tempo e está em cheque. Como diz o regular samba da escola, o show da bateria alucina, sim, mas não os jurados. Então seria melhor dar show e obter a nota máxima.

Quanto ao enredo, é interessante, mas como disse, é muito subjetivo. O que te causa arrepio pode nem fazer cócegas em mim. E falar de holocausto em carnaval não me parece uma boa idéia. Em vez de causar arrepio, pode causar indignação. Mexer com uma tragédia tão recente na história é reviver um episódio que todos querem esquecer. Havia e há muitas outras coisas que causam arrepio.

Depois de passar por alguns problemas internos, como a saída de Dominguinhos do Estácio e do compositor com mais vitórias na história da escola, Gusttavo Clarão, e, mais recentemente ter seu presidente baleado, a escola parece ter assimilado bem e vem para tentar ficar entre os seis primeiros colocados.

- PORTELA

Não será surpresa nenhuma se a escola de Oswaldo Cruz e Madureira finalmente voltar ao grupo de elite das escolas de samba do grupo especial. Depois de carnavais sofríveis nos últimos anos, a Portela parece que desta vez vai fazer jus ao nome que tem na história do carnaval carioca.

Os ensaios foram corretíssimos, alegres e com cara de Portela. Tem, de longe, o melhor samba desta safra, com uma letra e melodia perfeita, além do enredo pertinente e atual.

A bateria de mestre Nilo Sérgio está dando aula de ritmo. Cadenciada e segura, com bossas e paradinhas de tirar o chapéu. Nilo confessou que está à procura de prêmios e obviamente de notas máximas, e parece que está no caminho certo.

Se a escola vir com o contingente que informou, ou seja, 4500 componentes, ela fará um bom desfile. O barracão da escola está bonito e as fantasias bem coloridas. Enfim, virá para tentar ficar entre as seis.

- MANGUEIRA

A escola mais querida do Rio de Janeiro, e não do planeta, como diz o intérprete Luizito, vem atraindo as atenções mais pelos negativos acontecimentos do que propriamente o carnaval. As confusões começaram já no desfile de 2007, com a estapafúrdia e incorreta decisão de negar que Beth Carvalho desfilasse pela escola. Seria o mesmo que negar que Dona Zica desfilasse pela escola há 20 anos, por exemplo. Depois desse, vários outros problemas surgiram inclusive policiais, e a escola perdeu o rumo da situação por um momento. Isso ficou claro nos dois primeiros ensaios técnicos, onde a escola se mostrou nitidamente sem direção. Mas conseguiu se levantar no terceiro ensaio e mostrar que tinha assimilado o golpe e deu a volta por cima.

Essa é a Mangueira que todos nós queremos ver. Valente, guerreira e imponente. Tem em sua comunidade seu ponto forte, além de sua bateria com seus surdos sem resposta. O samba, é verdade, não é nenhuma maravilha, tem um refrão de gosto duvidoso, mas levanta a avenida e funcionou no último ensaio. É isso que importa. Se os componentes estão cantando é meio caminho andado. O barracão está belíssimo e as fantasias um pouco pesadas a meu ver. Na apresentação das mesmas, cheguei a comentar com um companheiro que estava ao meu lado que tinha resplendores com quase 1,30 metros de largura. Então, temo que as alas tenham dificuldade em evoluir. Mas a composição geral está belíssima, na há duvida.

A Mangueira quando entra na avenida é capaz de mudar seu próprio rumo e nunca podemos dizer que ela não vem para disputar. Nestes últimos dias o astral na escola melhorou muito e pode ser um sinal de que podemos ter surpresas.

- SALGUEIRO

O Rio de Janeiro continua sendo. E o Salgueiro também. Depois de um injusto sétimo lugar no ano passado, a escola é outra que tenta voltar às primeiras colocações.

Fez bons ensaios, mas o canto só melhorou no último. A bateria está num ritmo muito acelerado e volto a questionar por que mestre Marcão colocou a ala de tamborins na cozinha, no final da bateria. O som fica abafado.

Tem um bom samba, com a cara da escola e um intérprete que não é uma unanimidade, que ainda apresenta problemas de dicção, mas sem dúvida, anima e levanta qualquer samba e quem estiver na avenida com seus cacos e sua agitação costumeira.

A escola investiu em mais alas da comunidade para melhorar o desempenho, já que é conhecida pelas alas comerciais que nada cantam e nada sabem. Não é uma crítica, mas uma constatação de quem já desfilou na escola por dois anos.

Com um bonito barracão e fantasias luxuosas, com mais alas de comunidade, deve fazer bonito no domingo de carnaval.

- PORTO DA PEDRA

A escola de São Gonçalo vai tentar mostrar pra todo mundo que está mais madura. Vem amargando colocações baixas, e em 2006 só não caiu por milagre. Em 2007 fez outro desfile sofrível e ficou na décima colocação.

Mas os ensaios mostraram que a escola ainda tem problemas quase que crônicos. Conjunto e evolução são os que mais preocupam. Em alguns momentos a escola se arrasta na avenida. O samba é bom, mas o canto da escola não se mostrou a contento nos ensaios. Além do canto regular, os componentes insistiram em bater palmas no refrão, recurso dispensável e que os jurados não vêem com bons olhos. Esta manifestação deve vir do público. O barracão está bonito, e conta bem o enredo sobre os 100 anos da imigração japonesa.

Acredito que fará um bom desfile, mas não me pareceu com espírito de brigar pelo título.

- MOCIDADE INDEPENDENTE

A verde e branca da Zona Oeste vem para tentar dar uma virada na sua história recente. Com carnavais sofríveis, vem amargando as últimas colocações ou intermediárias, que não retratam nem de longe a Mocidade dos anos 80 e 90.

Para isso, investiu na comunidade, chamou-a de volta e está em evidência novamente. A quadra vive lotada como há muito tempo não acontecia, e os ensaios de rua chegaram a atrair uma multidão de quase quinze mil pessoas. Os ensaios técnicos foram bons, mas apresentaram problemas de evolução e harmonia, além do canto que só melhorou no último.

Outra coisa que pareceu não estar bem encaixada é a paradinha que a bateria está fazendo no segundo refrão. Depois da palavra Guerreira, ela volta com tudo e o som embola um pouco. Talvez fosse melhor entrar como de costume, atrasando os tamborins e os chocalhos. É só uma opinião.

O samba, que está sendo considerado um dos melhores da safra, a meu ver é inconsistente principalmente em sua primeira parte. Sem dúvida é bonito, mas é preciso que funcione. Para isso, a escola conta com o intérprete Bruno Ribas, que deu um tom mais alto a ele.

Tem um dos maiores barracões, com carros imensos e bem acabados, e fantasias bem resolvidas, formando um belo conjunto.

A escola está se reestruturando e fazendo um trabalho em médio prazo, e a intenção este ano é ficar entre as seis.

- BEIJA-FLOR

Última campeã do carnaval, a escola vem para tentar o bicampeonato.

Não começou muito bem, com um ensaio técnico muito aquém de suas tradições. Tanto que fizeram um trabalho na quadra para melhorar o canto e acertar os problemas de evolução que surgiram naquele primeiro ensaio. Já no segundo e último, se apresentou de forma consistente, mas sem a mesma garra que nos acostumamos a ver e algumas alas se misturaram.

Tem uma comunidade forte e um chão fantástico. É escola de chegada e tem o dom de fazer bons desfiles. Ocupa a pista de desfile como poucas e normalmente vem bem. Suas fantasias este ano estão belíssimas, mas dão a impressão de pesadas, assim como as da Mangueira, e está com um barracão bonito. A escola também tem a característica de trazer grandes alas coreografadas, deixando o desfile mais teatral. Há quem goste, mas não sou muito entusiasta desta visão. É bonito, mas acho que tira um pouco da graça do desfile.

O samba é bom, mas lembra demais o do ano passado, inclusive em sua melodia. Se conseguíssemos cantar os dois juntos veríamos mais claramente esta peculiaridade. Tem um refrão forte e deve contagiar a Sapucaí.

- IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

Mais uma agremiação que anda meio apagada e tenta se reerguer neste carnaval, depois do fiasco que foi o carnaval de 2007, aquele, do bacalhau.

A escola está passando por algumas reformulações, principalmente no que diz respeito às alas comerciais. Cortou se não me falhe a memória seis ou sete alas e enxugou o número de componentes. Neste caso, é uma decisão sensata e é melhor sair com menos componentes do que ter um monte de gringos que nem abrem a boca.

Com isso tudo, ainda apresentou problemas de canto nos ensaios e evolução. No último, a bateria também oscilou, não mantendo o andamento de forma linear. Vale ressaltar aqui que mestre Marcone é o mais jovem mestre de bateria do Grupo Especial, e tem o mérito de ter devolvido a cadência e a identidade dela.

Realmente o samba é bonito, alegre, que junto com o da Mocidade, é considerado um dos melhores. Mas perde sua força ao longo da avenida. Os componentes se mostraram cansados chegando ao setor sete. No último ensaio, acompanhei a escola até a apoteose e esse problema ficou mais evidente. O barracão está bonito e dentro do enredo, com carros pertinentes. O tamanho deles é pequeno e já demos esta explicação lá nas matérias sobre os barracões, e em nada diminui o trabalho.

Que vai fazer um desfile melhor que o ano passado, não tenha dúvida. Mas acho que ganhar o carnaval é pouco provável.

- UNIDOS DA TIJUCA

Com boas colocações nos últimos carnavais, a escola está sonhando alto. E tem razão em pensar assim.

Nos ensaios técnicos, fez apresentações dignas de quem quer o título. Alegre, compacta, evoluindo e cantando muito, apesar de o último ensaio não ter sido tão bom quanto os outros. Tem na comunidade seu ponto forte, e investiu este ano em três mil fantasias, deixando apenas dez alas comerciais.

Tem um samba excelente, que rendeu muito bem na avenida e certamente vai levantar o público com seu belo refrão, e seu barracão está muito bonito. A bateria está imprimindo um bom ritmo, e o intérprete Wantuir está em um de seus melhores momentos.

A expectativa é grande em relação a este desfile. Se fosse apostar em quem vai ganhar o carnaval, a Tijuca seria uma das minhas opções. Mas carnaval só se ganha na avenida. É preciso que a escola mostre tudo o que fez nos ensaios no dia oficial, para então termos a certeza de que definitivamente é uma escola de chegada.

- UNIDOS DE VILA ISABEL

Assim como a Tijuca, está sonhando alto e também tem razão.

Seus ensaios técnicos foram acima da média, e os da 28 de setembro têm atraído multidões. É uma das escolas que mais investe na sua comunidade e praticamente veste toda a escola. E cobra por isso. Cobra no sentido de que quem for desfilar tem a obrigação de ir aos ensaios de quadra e da 28, faz lista de chamada e não abre mão disso. Mostra com isso que cresceu e os componentes assimilam isso com naturalidade. Afinal, a maioria dos componentes é de Vila Isabel.

O samba, que foi duramente criticado por ser uma junção de dois sambas, conta bem o enredo e funcionou na avenida. O canto da Vila Isabel foi um dos melhores que vimos no ensaio, além de evolução e harmonia perfeitas. O barracão da Vila é outro que chama a atenção na Cidade do Samba. Carros imensos e bem acabados são um dos mais bonitos.

A bateria de mestre Mug, assim como a da Portela, é outra que dá aula de ritmo. A distribuição dos instrumentos permite que se ouçam perfeitamente cada um deles, sem exagero. Se você leitor, tiver oportunidade de ficar ao lado dela irá perceber a mesma coisa.

O intérprete Tinga é outro que está em um de seus melhores momentos. Firme e seguro, tem uma potente voz e levanta a escola.

- GRANDE RIO

A escola de Caxias e dos artistas está como diria na língua futebolística, batendo na trave. Este ano, mais uma vez, vem para brigar por título.

Tem um barracão com alegorias imponentes, apesar de parecer com informações demais. Mas, é a cara da escola.

Fez ensaios técnicos bons, e o último foi corretíssimo. Acertadamente, a escola deixou de trazer aquele camburão que chamam de carro de som e usou o oferecido pela Liga, e finalmente pode-se ouvir a potente voz do intérprete Wander Pires.

O samba não é divino, mas funciona, e os componentes cantam. Falando nisso, a Grande Rio também tem em sua comunidade um dos pontos altos. Eles são fiéis a escola e tem orgulho de dizer que são da Grande Rio, o que é louvável.

Mas, quem leva mesmo a escola nas costas é mestre Odilon e sua excepcional bateria. A gente percebe sua competência claramente porque há muito tempo a Grande Rio não tem um ótimo samba. Aparece cada “embrulho” difícil de abrir… Mas por vezes opera milagres. Está imprimindo um ritmo gostoso na casa das 72 bpm, e assim coloca a escola novamente entre as favoritas.

Estas foram a impressão que tive e nem de longe é uma previsão. Tirem suas próprias conclusões.

Posto isso, agora é aguardar. Como falei no início, o desfile desse ano é acirrado e tudo pode mudar de uma hora para outra.

Um bom carnaval a todos e que vença o melhor!!