Dia da Consciência Negra terá mega show em Padre Miguel

16 de Novembro de 2009 @ 09:35 por Ricardo Almeida

Projeto Acorda Zumbi

Estamos entrando na semana de comemoração ao dia Nacional da Consciência Negra, e  os organizadores do Projeto “Acorda Zumbi” Prometem um grande evento inesquecível. No dia 20 de Novembro acontece uma grande festa no Ponto Chic, em Padre Miguel com uma missa afro, apresentações de grupos folclóricos das comunidades, roda de capoeira, feijoada que é gratuita para cinco mil pessoas,roda de samba e muito mais atrações que tem no encerramento um mega show com Os grupos Swing e Simpatia,Pique Novo e Leandro Sapucahy.
 
A festa, que este ano completa a 9ª Edição e já virou tradição na zona oeste, terá uma grande homenagem ao cantor Wilson Simonal com músicas e imagens que marcaram a carreira do cantor na década de 60, começo dos 70. A festa tem média de público em torno de 100.000 (Cem Mil) pessoas numa grande confraternização  e reflexão sobre Zumbi dos Palmares, líder negro que lutou contra a escravidão. E o que é melhor tudo de graça. Um programão para curtir o feriado.
 
 
 20 de novembro Dia da Consciência Negra
Programação:
 
Procissão contra a intolerância religiosa, Culto das Religiões de Matrizes africanas, Missa Afro, feijoada, Atividades Culturais com Artistas da Região , Tributo a Wilson Simonal e Grande  Show Os grupos Swing e Simpatia, Pique Novo e Leandro Sapucahy
Local: Ponto Chic em Padre Miguel
A partir das 09h

Bola Preta inaugura nova sede!

16 de Novembro de 2009 @ 09:31 por Ricardo Almeida

Bola Preta

O Cordão da Bola Preta, quartel general do carnaval carioca, inaugura sua nova sede na Rua da Relação, 3, na Lapa, no próximo dia 18 de novembro, às 20h. O Centro Cultural terá espaço para shows com uma platéia de 500 lugares e o Bar da Bola, temático, com fotos de antigos desfiles que contam a história do bloco mais tradicional no Rio de Janeiro.

No cardápio, quitutes personalizados assinados por Kadu Tomé (Bracarense) e Lázaro. A festa contará com a presença da madrinha, a cantora Maria Rita, e também haverá apresentações da Mocidade Independente de Padre Miguel e Orquestra Tupy, encerrando com a Banda-show do Cordão que relembrará marchinhas carnavalescas que marcaram época.

Aos 90 anos o bloco, após perder sua tradicional sede na Cinelândia, recebeu do Governo de Estado um terreno para construir sua nova sede. As obras foram custeadas com recursos conseguidos através da venda de shows da banda e doações de amigos da instituição. No último desfile reuniu cerca de um milhão de pessoas pela Avenida Rio Branco, uma marca histórica.

Entre as novidades para o carnaval de 2010, está o resgate de uma antiga tradição: Os bailes infantis, que serão realizados no domingo e terça-feira de carnaval com direito a concurso da fantasia infantil mais criativa. Outra novidade é o desfile com tema. O próximo será samba e futebol em homenagem a Copa do Mundo.

Pérolas em forma de Samba II

28 de Setembro de 2009 @ 15:54 por Afonso Fonseca

“É muita habilidade meu povo!” …. já diz o intérprete Pixulé.

Continuando nossa abordagem sobre os sambas que mereceram um bis ao se ouvir pela primeira vez, vamos apontar mais alguns bons sambas, para congratularmos com a moçada que compõe, gente como agente, simples, mas, que mostra seu talento em sambas reprisáveis.

Escola: Paraíso do Tuiuti
Enredo: Eneida, o pierrôt está de volta!
Autores: Rodrigo Raposa, James Bernardes, Leandro Kfé, Júnior Santana e Thiago Meiners
Intérprete(s): Evandro Malandro e Pingo

“Sentado na lua pra te ver passar
Um Pierrot a dedilhar nossa canção
Hoje eu mato a saudade
E aponto pro futuro
Com Eneida, me entrego à ilusão”

Um samba com melodia agradável, letra poética, sofisticada, belos refrões, bem construídos e animados. os compositores interpretaram corretamente o enredo, e, segundo informaram-me, o samba vem “mexendo” com segmentos da escola de São Cristovão. Interpretação ímpar de Evandro Malandro. Parabéns pela composição!

Apreciem o samba: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?ÔÕÓÓ&5301902

Escola: Imperatriz Leopoldinense
Enredo: Brasil de todos os deuses
Autores: Eduardo Medrado, João Estevam, Thiago Gomes, Lair e Nelson Juliano
Intérprete(s): Tinga

“A terra prometida podia ser aqui
Do nirvana, das verdades
Dos filhos de Maomé
Quem crê na alma do mundo
No amor… No amor mais profundo
Faz a festa da união
E segue a procissão profana e divinal
do nosso alegre carnaval”

Eduardo Medrado e cia, mais uma vez deram um banho de bom gosto musical, melodia como sempre sempre diferenciada, leve e com uma levada sensacional no canto em várias partes do samba. Fica nosso agradecimento pela bela composição. Sinto que é a voz, ou melhor, o samba da resistência!

Ouçam: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?@*!!36301771

Escola Renascer de Jacarepaguá
Enredo: Aquaticópolis
Autores: Moises Santigo, Jayme Cesar, Branco, Isaias Anatur e Di Bamba
Intérprete(s): Alexandre DMendes

“O brilho da noite desperta a gandaia
Luzes e cores encantam o olhar
Tem festa e o povo veste a fantasia
O rei anuncia… Tem banho de mar

Samba com “S” maíusculo, animado, com dois bons refrões de arrepiar, além de descrever com objetividade o enredo da Escola. Os versos citados aí em cima são “luminosos”, mistura o lado fictício à realidade com maestria. Parabéns à parceria!

Mergulhe no samba: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?strrz2301794

Escola: Império da Tijuca
Enredo: Suprema Jinga - Senhora do trono Brazngola
Autores: Simas, Beto Mussa e Edgar Filho
Intérprete(s): Leandro Santos

“Mas nunca ninguém vai tomar a minha terra
Uma embaixada a Luanda eu vou levar
Fiz da minha escrava um trono vivo
Que vou doar”

A famosa parceria que extasiou o Mundo do Samba nas eliminatórias do Salgueiro do ano passado, veio novamente nos propor, com esta composição desafiadora, rever-se os conceitos atuais sobre samba enredo. Samba bonito, com letra simples, clara, que ajudaria bastante o canto e as evoluções dos desfilantes do Morro da Formiga. Fica a torcida para a “revanche”, que seja o escolhido para o carnaval da Império da Tijuca em 2010.

para ouvir: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?decck9901747;

Escola: Acadêmicos do Sossego
Enredo: Made in Nictheroy
Autores: Ventura, Buquinha, Caleco, Dudu e Marcelo

“Parte o meu navio
Do porto repleto de heróis
Se o dono do universo é brasileiro
Os deuses do olimpo são de Niterói”

Samba que veio pra Escola do antigo Grupo de Acesso B, atual “Rio de Janeiro I”, e porque não?. Muita criativa a letra do samba, exaltando Niterói. Made in Nictheroy, é uma feliz idéia de revenrenciar a Cidade Sorriso, que fica “do outro lado da poça”, muito embora, o enredo venha sendo contestado por alguns, no mínimo, é uma baita atitude de homenagear as raízes da comunidade pendotibense. Eis aí um samba descontraído, com versos sutis e melodia senão primorosa, mas bastante envolvente. Fica nossa torcida aos parceiros que compuseram um samba diferente, sem deixar que a essência do enredo não ficasse em evidência do começo ao fim do samba.

Ouçam: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?bcaai9701909

Bom, mais cinco sambas selecionados para banquetear a todos e estimular o “paladar” dos sambistas e de nossos leitores.

Vamos acompanhar a receptividade e quem sabe prosseguimos;

Saudações e até a próxima!

Pérolas em forma de Samba

11 de Setembro de 2009 @ 23:08 por Afonso Fonseca

Tesouro Oculto - Tesouro Oculto

Olá leitores do Blog do Samba, saudações; após uma longa hibernação, voltamos a aquecer e aguçar os sambistas deste grande canal de opiniões.

Pegando carona com o mineiro Rafael Rezende, que dedicou seu último texto às disputas de sambas enredo nas Escolas de Samba cariocas, e, com muita propriedade “denuncia” as fórmulas atuais de se compor sambas enredo, o compositor de hoje é forçado a fazer sambas que atendam as necessidades das escolas que exigem sambas funcionais.

Na verdade, quero brindar com todos a oportunidade de poder ouvir e observar que dentre as centenas de sambas disponibilizados na internet, ouvindo uma safra aqui, outra acolá, de 2010, ter deparado-me com composições que são “verdadeiras pérolas”, e por um ou outro motivo, talvez não serão escolhidos, mas, que ficam gravados para sempre na “sambateca” mental não só por mim, mas de todos os amantes deste gênero musical, que acabam por somar no acervo cultural e musical, do nosso querido Brasil.

Senti a necessidade de escrever rapidamente sobre esta temática, afim de valorizar, incentivar aos compositores de samba de todo o país, pois, não podemos deixar esse “dom” se esvair, quem é de samba sabe o que é se ouvir um bom samba, sambas nascidos em um tempo difícil, onde muitos já se entregaram à praticidade, ouvem o que já está pronto, desistem de por a caneta no papel e versar, criar melodias, ou seja, contribuir com a perpetuidade do samba enredo.

Vamos a alguns sambas que merecem destaque nesta safra de 2010:

Escola: ARRANCO
Enredo: Bendita baderna numa rua chamada felicidade
Autores: Juliano Gaúcho, Válter Zacharias, Vel do Caju e Luiz do Peixe
Intérprete(s): Válter Zacharias

“Nas ruas quero ser feliz
Qual o colibri beijando a flor
No carnaval,
Bom malandro eu sou
E um ser brincante
Foi assim que o rei mandou”

Linda melodia, dolente e contangiante, mas, meus aplausos vão para o intérprete, que canta com a alma!

Para ouvir: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?8977F8601717

Escola: BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS
Enredo: Brilhante ao sol do novo mundo, Brasília: do sonho à realidade, a capital da esperança
Autores: Picolé da Beija Flor, Serginho Sumaré, Samir Trindade, Serginho Aguiar, Dison Marimba e André do Cavaco”
Intérprete(s): Nêgo

“Diz a lenda que o myto Goyás nasceu
o brilho de Jaci vem do olhar
pra sempre refletido em suas águas
a força que fluiu desse amor é Paranoá… Paranoá”

Como citei no fórum Setor 0 - www.tradicaodosamba.com.br/forum, repito: me emocionei ao ouvir esse samba, principalmente, porque o tema, não tem tradição em render bom samba, e o enredo é patrocinado pelo DF, mas este, contrariou inclusive alguns críticos que diziam quando do lançamento do enredo, que não seria a Escola felicitada com boas obras, a Beija-Flor tá bem servida de samba! Este aí é a “prova dos noves”, daquele que lava a alma de qualquer sambista e que todos desejariam ter em suas escolas de coração!

Veja o vídeo de apresentação do samba no dia 20.08.2009

http://www.youtube.com/watch?v=L36wdAh8DhM

Escola: IMPÉRIO DA TIJUCA
Enredo: Suprema Jinga - Senhora do trono Brazngola
Autores: Márcio André, Djalma Falcão, Ito Melodia, Grassano e Jota Karlos
Intérprete(s): Ito Melodia

” Venho na força do vento
queimo como fôgo
dona do Maracatu
minha espada é de ouro
sou a luz da meia-noite
meu cortejo vai passar
sou rainha do congá”

Feliz composição do pessoal da “Ilha”, um samba animado, de melodia valente, muito bom de ouvir e convida para imagina-lo na Avenida, só o fato de ser afro, já conta muito.

Link: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp??=..%6901750

Tem mais, muito mais sambas agradáveis, vamos saboreá-los aos poucos!

Até a próxima!!!!

As disputas e os sambas polêmicos

3 de Setembro de 2009 @ 17:36 por Rafael Rezende

2.martinhomarcos600 - 2.martinhomarcos600

Todos os anos surgem nas disputas de samba algumas obras diferentes que chamam a atenção dos sambistas de plantão e provocam discussões nas quadras e foruns da internet. Se a temporada 2008/2009 foi protagonizada pela parceria de Edgar Filho, Bené do Salgueiro, Simas, Beto Mussa e Gari Sorriso, para o Salgueiro, este ano parece que os debates giram em torno do samba composto por Martinho da Vila para a Vila Isabel.

Ambos as canções possuem uma característica tradicional que desafia o momento atual, em que as escolas quase sempre optam por uma obra que não lhes trará risco de fracasso. Daí criou-se uma fórmula de samba moderno e “funcional”, que é utilizado à exaustão pelos compositores, tornando as safras muitas vezes previsíveis e pasteurizadas. A consequência disso é que poucos sambas morrem na avenida, e um número menor ainda funciona de fato. Talvez até sirvam para um desfile técnicamente perfeito, mas emoção é outra coisa.

Voltando aos sambas de Martinho e Edgar Filho e cia, ao que parece o samba-enredo disputado na Vila divide mais as opiniões, mas, por outro lado, possui uma maior chance de ir para a avenida do que tinha a obra salgueirense. Isso porque o presidente Moisés sempre demonstrou a vontade de levar um samba do Martinho para a avenida no ano em que se homenageia Noel Rosa. O peso do nome Martinho da Vila, somado à intenção da Vila de emocionar o público e aumentar o elo de identidade entre escola e componente, além do fato de que a escola se saiu mal com os sambas modernos e “pra cima” criados por André Diniz e seus parceiros são fatores que tornam possivel a ida deste samba para a avenida.

Imagino eu que, por outro lado, o Diretor de carnaval Ricardo Fernandes deve estar meio temeroso da responsabilidade que será tal escolha. Quando se opta por um hino diferente, seu resultado na avenida torna-se imprevisível. Não é uma escolha baseada no tecnicamente funcional, é uma escolha do tudo ou nada, do 8 ou 80. Há o risco do samba morrer, bem com o risco de crescer, emocionar e provocar um dos melhores momentos do carnaval. Agrava-se à esta decisão o fato da Vila ser uma das favoritas ao título. Pensando assim, ela tanto pode jogar o título fora com uma escolha errada, bem como seu triunfo pode se dar exatamente com o samba do Martinho.

Por fim, é interessante observar as críticas na internet, que me soam incoerentes. É quase um consenso nos debates carnavalescos a crítica à qualidade dos sambas atuais. No entanto, quando surge um samba diferente, como é este do Martinho, muitos criticam e apontam para um fracasso da Vila caso este seja o eleito. Afinal de contas, queremos ou não sambas diferentes? As escolas estão tão viciadas aos moldes atuais que não conseguem desfilar bem com um samba com um estilo tradicional? Até quando as escolas vão optar pelos sambas pseudo-funcionais, que quando chega março ninguém se lembra mais de escutar?

Enquanto isso, no meu mp3 continua tocando:

Menina, quem foi teu mestre?
Um batuqueiro
Que arrastava
O povo do Salgueiro

Participe do forum do site Tradição do Samba!

14 de Junho de 2009 @ 22:24 por Rafael Rezende

C  pia de forum - C  pia de forum

Os preparativos para o carnaval 2010 já estão esquentando, então estão todos convidados a integrar o forum Setor 0, para podermos desenvolver boas discussões sobre o carnaval. O forum está iniciando ainda, mas certamente será um espaço para produção de um bom conteúdo e troca de ideias, haja vista que não há em outros sites de carnaval um forum neste modelo. Participem!

Para acessar o forum, clique aqui

Para tudo não se acabar na quarta-feira parte 4—análise da segunda-feira de carnaval

14 de Junho de 2009 @ 21:42 por Rafael Rezende

Para enfim encerrar os comentários sobre o carnaval 2009, segue abaixo as impressões sobre a segunda de carnaval:

PORTO DA PEDRA

rio 2 gb 010 - rio 2 gb 010

- Mal começou o desfile e os problemas da escola começaram também. A Porto da Pedra estava com dificuldades para acoplar os tripés e os dois chassis do carro abre-alas, já sinalizando o que seria o desfile inteiro.

-Em resumo da ópera, a Porto da Pedra tentou ser uma escola maior do que ela tem capacidade de ser. Faltou planejamento adequado, afinal não basta ter grandes alegorias, é necessário conseguir atravessá-las a Sapucaí sem problemas. Neste ponto, o aclamado Max Lopes também pecou, pois o carnavalesco tem que ter conhecimento da realidade da agremiação em que trabalha, e não vislumbrar um desfile que a escola não suporta realizar.

-Ainda assim, Max Lopes realizou um bom trabalho e saiu do carnaval 2009 bem cotado. Isso porque, em ano de crise, ele conseguiu colocar uma boa estética na avenida, logo em uma escola que geralmente peca neste departamento. De forma geral, o carnavalesco fez valer de sua experiência para realizar um trabalho correto e sem grandes ousadias.

-Por outro lado, esta solução de tentar convencer pelo gigantismo sem justificativa de um abre-alas cheio de pequenos tripés acoplados está pra lá de batida. Se quer fazer carro grande, que ao menos haja motivo para isso. Tentar ganhar boa nota com vários tripés iguais não passa de engana bobo.

-Pouquíssimas alegorias entraram rapidamente no desfile. Boa parte teve problemas ou para acoplar, ou na manobra (mesmo carros pequenos tinham alguma dificuldade), ou antes mesmo de entrar na avenida, talvez devido ao viaduto.

-No restante, a Porto da Pedra apresentou um samba que não era dos melhores, uma comissão de frente razoável para o (fraco) padrão do ano, um enredo um tanto vago/subjetivo, o que não favorece na hora da nota. Somando a evolução completamente comprometida pelos problemas apresentados, a escola fez um desfile para disputar o rebaixamento com a Mocidade, embora a segunda estivesse mais cotada ao acesso, caso não fossem jogar o Império na vala, claro.

SALGUEIRO

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- A bateria do Salgueiro entrou na avenida, como se diz, furiosa. Com direito à coreografia, presidente Regina Duran sambando ao lado da popular Viviane Araújo, reverência do intérprete Quinho, paradinha funk para que fosse cantado o hit carioca “Salgueiro é o Caldeirão”, muitas bandeirinhas, como de costume, enquanto o abre-alas já impunha presença na entrada da avenida. Todo este cenário nos preparativos do desfile de uma das escolas mais populares da cidade provocou os únicos gritos de “É Campeã” que o Setor 1 entoou em alto e bom som nos dois dias de grupo especial. Nem mesmo durante o desfile do Salgueiro a cena se repetiu, até porque o áudio no início da pista estava horrível até a bateria sair do primeiro recuo.

- Por alguns momentos achei que o desfile do Salgueiro iria par o ralo, como o da Porto da Pedra, uma vez que a segunda e terceira alegoria tiveram dificuldades para entrar na avenida. O espaço começava a ser criado, quando um diretor de harmonia corria e berrava “segura a escola!”. No fim das contas, o Salgueiro conseguiu colocar suas alegorias no desfile sem criar nenhum grande buraco que comprometesse as pretensões de campeonato.

- O samba, muito criticado, não impediu o desfile campeão da escola. Isso porque as outras duas favoritas, Beija-Flor e Vila, também não tinham bons sambas. Aliás, o nível de sambas este ano não passou de mediano, e no julgamento os jurados desvalorizaram ainda mais o quesito, dando 40 pontos para Salgueiro e Beija-Flor. O samba do Salgueiro cumpriu o papel de ser funcional e não colocar em risco o desfile da escola. Mas isso não apaga o detalhe da obra não estar à altura do enredo e da estética apresentada, bem como da importância de ter embalado a agremiação campeã. Observando a galeria dos sambas imortalizados por terem gerados títulos, o samba do Salgueiro é um dos piores dos últimos 15 carnavais.

- Se o samba da escola só cumpriu o papel de não comprometer, ficou a cargo de Renato Lage ser o principal responsável pelo sucesso do Salgueiro. A começar pelo enredo, adequado ao universo do carnaval e ao estilo do Salgueiro, um dos melhores do ano. Em seqüência, as fantasias: de fácil leitura, uso cromático de muito bom gosto, formas adequadas, quase todas luxuosas, mas leves e propícias para o componente desfilar sem dificuldades, creio eu ser o melhor conjunto de fantasias do ano. E, por fim, as alegorias, que sempre foi o ponto forte do trabalho do Renato. Os adjetivos dados às fantasias servem também às alegorias. Há de se destacar que não foi um trabalho completamente inovador, mas mesmo assim foi suficientemente criativo, onde percebemos resoluções diferentes para cada alegoria, seja nas cores, no uso dos materiais, nas esculturas, na iluminação, na variação de estilo (alegorias imponentes alternando com outras mais “leves” e menores; alegorias modernas alternando com outras mais tradicionais, etc). Fiquei com a impressão de que o Renato carregou o Salgueiro nas costas. Não que ele seja o único responsável pelo sucesso do desfile, mas ele foi o diferencial que justificou o campeonato.

- E falando nos demais responsáveis, claro que para atingir a primeira posição o Salgueiro precisou de uma administração competente, verba (se alguém souber de onde surgiu esse dinheiro me avisa), o bom casal de mestre-sala e porta-bandeira, a comissão de frente que foi uma das melhores do Especial, a acelerada bateria em sintonia com o estilo do samba e a empolgação de Quinho, a liderança de Tavinho que deixou a escola organizada na avenida, gerando a boa evolução.

- O Salgueiro mereceu o campeonato. O título da escola tem outras importâncias:

1-Impediu que a Beija-Flor ganhasse mais um título; nada contra a competência nilopolitana, mas a alternância de escolas campeãs faz bem à saúde do carnaval;

2-Foi um campeonato vencido com um grande enredo, digno de toda a história do carnaval e, importante lembrar, não patrocinado. A liberdade do carnavalesco é fundamental, e enredo de escola de samba não é outdoor, é importante priorizar a cultura nos desfiles;

3- Foi a quarta vitória de Renato Lage. Considerando a importância do carnavalesco para o carnaval e a grande quantidade de grandes desfiles que ele já promoveu, Renato tem um número pequeno de títulos no currículo. Mesmo sendo um dos carnavalescos que estão por mais tempo em atuação, consegue sempre se renovar, surpreender e realizar trabalhos dos mais competentes. Vejamos que mesmo Rosa Magalhães andou perdendo o fôlego.

4- Renato ao ganhar afirmou ser a vitória do “carnaval-arte”. Isto exclui modismos, excesso de luxo, alas e carros completamente coreografados (falta de espontaneidade), falta de criatividade e repetição de fórmulas, como no uso à exaustão de imensas esculturas de isopor. A estética-arte do Salgueiro pode servir como exemplo a ser seguido pelas co-irmãs, com mais criatividade, qualidade e menos excessos. A busca pela estética impactante tem seus limites e seus melhores caminhos.

5- De negativo, a vitória do Salgueiro reafirma a tendência do carnaval atual de desvalorização do samba-enredo. Um ótimo samba não é mais fundamental para se chegar ao título.

IMPERATRIZ

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- A Imperatriz decepcionou. Realizou ensaios empolgantes que geraram ótima expectativa em torno da escola. O samba irregular parecia que renderia muito bem. O enredo sobre Ramos, passando pelo cinquentenário da escola, era um bom motivo para tornar os componentes ainda mais aguerridos para realizarem um bom carnaval. O sexto lugar em 2008 dava sinais de que a agremiação estava se recuperando de uma pequena crise, e poderia até mesmo sonhar um pouco mais alto. Da carnavalesca Rosa Magalhães esperava um trabalho que deixasse explícito sua experiência e talento, superior aos anos fracos de enredos patrocinados, pois agora se tratava de um enredo autoral, onde ela teria liberdade suficiente para desenvolver sua arte. Mas as coisas não foram bem assim…

- Alegam os componentes da escola que a Imperatriz já não era a mesma escola perfeccionista na concentração, com pirâmide do carro batendo no viaduto, desorganização…

- Paulinho Mocidade tanto quis retornar ao carnaval que conseguiu. E decepcionou. Sua atuação foi muito criticada, e o comentário de muitos após o carnaval é de que o intérprete não se acertou no canto, fazendo com que o samba (que não passava de mediano) morresse na avenida. Treino é treino, jogo é jogo.

- A bateria, por sua vez, foi muito bem. É muito agradável ouvir a bateria da Imperatriz, foi uma das melhores do ano. Enfim a escola se acertou no quesito, com um jovem mestre de bateria, Mestre Marcone.

- Rosa Magalhães fez um trabalho razoável. Por razoável compreende-se que ela foi muito aquém da carnavalesca consagrada que é, mas que em ano de crise ainda consegue segurar as pontas. Errou feio na idealização da alegoria “liberdade, liberdade”, que mais parecia um tripé com mau acabamento. O abre-alas pecou pela previsibilidade: mais uma vez as bolinhas verde-limão contrastando com o branco e uma iluminação que era a mesma do abre-alas de 2008.
Imagino que o casamento entre Rosa e Imperatriz terminou porque mornou, caiu em lugar comum, se tornou um cotidiano previsível e monótono. Não houve nada trágico, nenhuma “traição”, mas era um casamento que já não levava nem uma nem outra a lugar algum. Novos ares podem revigorar o trabalho de Rosa e trazer de volta a Imperatriz para a disputa dos primeiros lugares. Ambas estavam acomodadas. Fôlego novo!

- Moral da história: Imperatriz poderia ter voltado no sábado das campeãs, mas o sétimo lugar não chega a ser injusto. Foi um desfile comedido, de ponta a ponta mediano, à exceção da bateria. Apesar disso, foi um ano importante pela homenagem a Ramos como desfecho da era Rosa Magalhães na Imperatriz. É um fato marcante, pois é muito raro um profissional, sobretudo carnavalesco, ficar tanto tempo na mesma agremiação. A união de Rosa e Imperatriz é um capítulo à parte na história do carnaval.

PORTELA

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- Portela tem provocado grandes dúvidas às vésperas dos últimos carnavais. É uma grande escola, tradicional e forte, mas há muito tempo sem conquistar um título. Depois de anos de colocações medianas, chegou ao fundo do poço em 2005 e de lá parece estar encontrando forças pra se reerguer. O quarto lugar de 2008 sinalizou que a escola pode voltar a disputar campeonatos. No entanto, a Portela está sempre atrasada, sendo a última a decidir o enredo e com o barracão desesperadoramente cheio de ferro e madeira até às vésperas do carnaval. De quebra, anda apostando em carnavalescos novos, deixando uma dúvida sobre o sucesso do desfile. Felizmente as interrogações se converteram em uma boa surpresa.

- A Portela passou bem. Jorge Texeira apresentou uma boa comissão de frente, com direito a um Rei Arthur interpretado por Thiago Soares, primeiro-bailarino do Royal Ballet de Londres . A agremiação evoluiu bem, mostrando-se organizada.

- O samba portelense também foi um dos pontos altos e auxiliou na eficiente harmonia, embora um enredo sobre o amor merecesse uma letra mais poetizada, subjetiva, menos descritiva. No entanto, considerando a safra morna do ano, a obra ainda se destaca. Inclusive achei um tanto esquisito a Portela perder dois décimos neste quesito, enquanto Salgueiro e Beija-Flor ganharam nota máxima.
O trecho “São vinte e uma estrelas que brilham no meu olhar/ Se eu for falar da Portela não vou terminar” é um dos melhores do ano, e serviu para embalar os foliões-torcedores. Mas, por outro lado, seria saudável que a escola escolha um samba de outra parceria em 2010, uma vez que Diogo Nogueira e cia engataram três vitórias consecutivas, o que faz com que os sambas recentes da escola tenham um estilo parecido. Isto, claro, se houver outro concorrente à altura. Em 2009 tinha.

- Os carnavalescos Jorge Caribé e Lane Santana mostraram imaturidade no desenvolvimento do enredo, que foi aos moldes de muitos outros enredos atuais. A escola ainda se repetiu ao novamente mostrar o nacionalismo, a tecnologia, o politicamente correto… Assuntos de outros carnavais. Falando em tecnologia, este setor gerou o pior trecho do samba, do enredo e a pior parte estética, bola fora. No fim das contas, faltaram sensibilidade, emoção e poesia para tratar um tema tão rico como “amor”. Os carnavalescos também pecaram por optarem por uma abordagem mais moderna para o tema. Provavelmente um desfile com uma visão mais romântica daria mais certo dentro da tradicional Portela.

-A estética da escola oscilou demais. No que se refere às alegorias, percebe-se que faltou tempo para dar um melhor acabamento nas quatro últimas alegorias, contrastando com a qualidade das três primeiras. Apesar da torre do castelo tombada, o abre-alas impactou; a águia estava digna de sua importância para o carnaval. Em sequência, o Taj Mahal e a alegoria sobre a África também estavam muito belas. Destaque também para o bom conjunto de fantasias que antecedeu o segundo carro, em oposição a alas como aquela que representava celulares.

- A Portela mostrou estar revigorada e com sede de título. Os portelenses já podem voltar a sonhar com esta possibilidade, há muito tempo ela não estava tão próxima. No entanto, a escola precisa preparar seu carnaval com um cronograma mais bem organizado. Outro detalhe, a aposta em novos carnavalescos tem se mostrado insuficiente para se alcançar o título. Veremos se o presidente Nilo dessa vez acertou na dupla escolhida para comandar os trabalhos para 2010. Se não acertou, seria bom que para 2011 ele investisse em um carnavalesco mais experiente.

MANGUEIRA

rio especial segunda 059 - rio especial segunda 059

- A crise na Mangueira foi tão grande que até as bandeirinhas estavam escassas no Setor 1.

- O que dizer das alegorias da Mangueira? A situação da escola estava exposta em cada pedaço de ferro e madeira que desfilaram pela avenida aos olhos nus. A escola passou num nível compatível com os piores conjuntos alegóricos do acesso A. Sendo assim, ficou até difícil julgar o trabalho do carnavalesco Roberto Szanieck, afinal ele projetou um desfile que não foi pra avenida, e por motivos que fugiram de seu planejamento. Mas é válido chamar a atenção para os antílopes na terceira alegoria, com os imensos animais-fantoches.

- Quanto às fantasias, o carnavalesco foi mais feliz nos setores em que valorizou o rosa. Num todo, um conjunto razoável.

- Se faltou em estética, sobrou Mangueira quanto aos quesitos extra-espetáculo visual. A escola desfilou com muita garra, cantando o samba eleito o melhor do ano. È exatamente em momentos de crise que percebemos o potencial e força de uma escola de samba. A Mangueira fez valer sua rica história na avenida.

-Giovanna e Marquinhos formaram o único casal a ganhar a nota máxima. A saída deles da Mangueira é lamentável porque se tratava de um dos casais que mais tempo estava em uma mesma agremiação. Os dois dançam juntos desde 1995, mas Marquinhos era o primeiro mestre-sala desde 1992. Ao menos, Marquinhos alegou estar indo para outra escola por divergências com alguns integrantes mangueirenses, e não por um maior salário, como é de costume.

- A comissão de frente, coreografada por Janice Botelho, teve uma apresentação um tanto diferente, com destaque para a acrobacia dos integrantes girando na bússola. Porém, a coreografia foi irregular quanto ao uso do tripé, que por ter componentes em cima dele quando estava em movimento foi caracterizado como 9ª alegoria, extrapolando o número máximo permitido. O fato foi penalizado pelos julgadores, passou imperceptível pela mídia e foi ignorado pela Liesa.

- 2009 foi um ano de prova de fogo, que a Mangueira mostrou saber lidar muito bem. A forma aguerrida como os mangueirenses lidaram com a situação ajudará na recuperação da escola, que já está com fôlego renovado com a chegada de Ivo Meireles e uma nova equipe. A Mangueira terminou o carnaval de cabeça erguida e sensação de campeã. E eu acredito bastante no que virá por aí.

VIRADOURO

rio especial segunda 106 - rio especial segunda 106

- Concentração esquisita na Viradouro. Primeiro, um carnavalesco duelar atenção com uma rainha de bateria é quase impossível. Mas Milton Cunha sabe chamar atenção. De terno rosa choque, descalço, dançando para os orixás, é impossível não reparar. Mas Juliana Almeida, rainha de bateria, também soube atrair olhares, com samba no pé, o corpo que o posto exige e em sincronia com a bateria de Mestre Ciça, que alternava o som dos atabaques dos terreiros ao batuque do samba.
A segunda questão é que o samba 2009 começou a ser cantado e a escola estava parada na esquina da avenida, à espera do casal de mestre-sala e porta-bandeira, devido a problemas com a fantasia de Ana Paula. E mais uma vez a Liesa jogou o regulamento no lixo (pois é, não é só a Lesga que fez isso), e deu à Viradouro um tempo superior aos 5 minutos que ela teoricamente teria para se aquecer e iniciar o desfile. O cronômetro só começou a marcar o início do desfile após a chegada do casal, excedendo em cerca de 5 minutos o tempo natural de concentração das agremiações.

- A bateria da Viradouro é uma espécie de ame ou odeie. Os jurados amaram e deram nota máxima. Boa parte do público também se diverte com as coreografias e paradinhas ousadas que Mestre Ciça elabora. Por outro lado, o júri do estandarte de ouro parece não gostar, afinal o mestre nunca foi agraciado com esta premiação. Muitos também criticam a bateria de Niterói por ser o chamado “trem de ferro”, devido à “pegada” extremamente acelerada, não sendo um andamento ideal para um desfile de escola de samba. Polêmicas à parte, Ciça sai da Viradouro consagrado, como um dos nomes de maior importância na boa fase que a agremiação viveu a partir do campeonato de 97. Ciça estreou em 1999, completando em 2009 11 anos na Viradouro. A sua fama ainda foi potencializada pela presença sempre participativa, atrativa e algumas vezes polêmica de Luma de Oliveira e Juliana Paes a frente da bateria. Fica na memória a cena da bateria ajoelhada e o público em êxtase no desfile de 2001. Foi mais um importante casamento que o carnaval 2009 encerrou.

- O enredo da Viradouro foi um dos mais polêmicos e criticados do ano. Milton Cunha aproveitou o espaço que tinha em seu blog para defendê-lo como pode. O carnavalesco relembrou até os enredos criativos de Fernando Pinto para dar credibilidade ao seu. No fim das contas, os jurados foram razoáveis e tiraram apenas cinco décimos.
Há quem ache que a melhor alternativa era falar dos biocombustíveis de uma forma direta, sem invenções. Eu penso que Milton foi esperto, pois mesclar a parte cultural e religiosa da Bahia no enredo certamente ajudou na idealização estética e na construção do samba, afinal o estado e seus orixás sempre renderam bons carnavais. Entre tantas viagens carnavalescas para se fazer um desfile patrocinado, acho que já vi coisa pior por aí. A única dúvida é: o patrocínio veio?

- Quanto ao trabalho estético, o carnavalesco fez um trabalho mediano. Em relação às alegorias, foi interessante perceber que Milton conseguiu resoluções diferentes para cada carro, quase todos com uma concepção interessante, mesmo quando não eram tão belos. Destaque para a terceira alegoria.

- O samba da Viradouro teve um desempenho mediano. A obra tinha uma melodia ao estilo da escola, porém a letra não era das melhores. A evolução e harmonia também estavam neste padrão. A comissão de frente, por sua vez, foi muito bem e se destacou como uma das melhores de 2009.

- A impressão final a respeito do desfile da Viradouro é relativa. A vermelho e branco de Niterói não atravessa uma boa fase, perdeu o lugar cativo que tinha no sábado das campeãs. Porém, um 8º lugar não soa tão mal depois de muitas críticas ao enredo, ao samba, ao único ensaio realizado na Sapucaí, tendo a qualidade estética colocada em dúvida na fase pré-carnavalesca e considerando ainda a crise financeira que desesperou as agremiações e suas torcidas. Para uma escola que chegou a ser cotada como candidata ao rebaixamento, a Viradouro se saiu bem. Mas a agremiação ainda continua como uma dúvida para 2010, com futuro incerto.

TRANSMISSÃO DA GLOBO

Globo Carnaval 1 - Globo Carnaval 1

- Glenda Kozlowski tentou compensar a inexperiência com sua simpatia, mas ainda tem muito o que melhorar. A verdade é que este formato que a Globo criou, com dois profissionais de transmissões esportivas comandando o carnaval talvez seja adequado para o público em geral, mas para o público amante do carnaval seria mais adequado que pessoas com conhecimento real sobre o assunto realizassem a apresentação. Isso porque nós muitas vezes sabemos muito melhor o que Glenda e Kleber Machado estão dizendo. Isso sem falar que a relação de diálogo entre comentaristas e apresentadores é muito engessada e pouco divertida. Basta assistir aos programas especializados em carnaval nas rádios para perceber que as transmissões na TV poderiam ser bem mais interessantes. A cobertura do carnaval paulista continua melhor do que a dos desfiles cariocas.

- Fiquei com a impressão de que a Globo colocou mais câmeras em ação este ano. Bacana também que algumas estavam em locais diferentes, gerando imagens inéditas dos desfiles. Lamentável a queda de uma delas nas frisas durante o desfile da Mangueira.

-Outro tímido avanço foi que este ano deu pra ouvir pelo menos trechos do esquenta de algumas escolas. Não é o ideal ainda, mas é melhor do que nada.

- Por outro lado, a emissora ainda falha na edição, cortando as imagens das apresentações de comissões de frente, casais de mestre-sala e porta-bandeira e baterias. Outra falha é a falta de informação em alguns momentos, não esclarecendo qual o problema na dispersão que parou a evolução da Porto da Pedra, por exemplo.

- Chico Spinoza este ano não elogiou tudo o que viu, como fez em 2008. Ainda está muito bonzinho, mas ao menos em 2009 fez algumas críticas. Até porque não interessa à Globo colocar defeitos no produto que ela está vendendo.

- Lembrando que no domingo todos os amantes do cinema tiveram uma ligeira vontade de jogar uma bomba na Sapucaí pelo fato da Globo ter preferido os desfiles à transmissão do Oscar.

- Em números de Ibope, a Globo alcançou média de 21 pontos durante a transmissão da apuração das escolas cariocas (enquanto as outras emissoras marcaram em média 5 pontos); 31 pontos durante a apuração das escolas paulistas (o que chega a ser até o dobro do ibope no horário); 12 pontos para transmissão do primeiro dia de desfile das escolas de SP, enquanto no sábado a média foi de 14 pontos; 12 pontos na cobertura da primeira noite do grupo especial carioca e 13 pontos durante os desfiles da segunda-feira. Os números, de uma forma geral, anunciaram aumento da audiência em relação a 2008. Em relação a patrocínios, foram vendidas as cotas nacionais para o Bradesco e Nova Schin, por R$ 18,5 milhões cada uma. O carnaval continua sendo um negócio bastante lucrativo para a emissora.

E que venha agora o carnaval 2010!

Se não fossem as mães porta-bandeiras

10 de Maio de 2009 @ 14:40 por Rafael Rezende

Imagem1 - Imagem1

Se fosse apenas carregar aquele peso ao longo dos 80 minutos de avenida ou nos 9 meses de gravidez já seria muito;

Se não bastasse todo peso, ter que desfilar destinos com toda elegância, charme e simpatia, exalando toda a plenitude feminina; o chão certamente sumiria em contato com tamanha leveza;

Se toda essa elegância fosse o suficiente para esconder a raça, garra e força necessárias para tarefa tão árdua, faltaria gratidão;

Se toda garra pudesse se vestir de plumas, brincos e pedrarias, não haveria como descrever tal beleza;

Se toda a beleza natural desta arte bailasse sobre asfalto áspero, ressurgiria ali a fertilidade;

Se no bailado trouxer consigo a bandeira da vida, não faltará amor.

FELIZ DIA DAS MÃES!

Esta é a homenagem do blog às mães do mundo do samba.

Para tudo não se acabar na quarta-feira parte 4—análise do domingo de carnaval

2 de Maio de 2009 @ 17:44 por Rafael Rezende

Em poucos anos houve tanta chance da campeã sair no domingo de carnaval. Das quatro escolas consideradas favoritas na temporada pré-carnavalesca, três desfilaram no domingo (Beija-Flor, Grande Rio e Vila). Eis que a campeã saiu para a única candidata ao título que desfilaria na segunda, o Salgueiro. 2009 apenas confirmou a tendência: apostar que a campeã sairá do domingo de carnaval é fria. Assisti aos desfiles do Grupo Especial no Setor 1, e após o carnaval também pude ver uma gravação da transmissão da Globo. Segue abaixo minhas impressões sobre o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial.

IMPÉRIO SERRANO

imperio 1 - imperio 1

-Quem disse que o público ainda está frio na passagem da primeira escola não estava no Setor 1 quando o Império entrou na avenida. O público já estava animado no esquenta, com Arlindo Cruz cantando Meu Lugar, samba que homenageia Madureira. Depois, a reedição de A lenda das sereias e os mistérios do mar foi o suficiente para manter a animação nos 80 minutos seguintes.

- Não sou profundo entendedor de baterias, mas a o Império, sem dúvidas, deu um show. Uma pena a saída do Mestre Átila da escola.

- Márcia Lage estreiou muito bem o sobrenome de casada e a carreira independente do marido, Renato. É de se esperar que os dois tenham trocado algumas idéias em casa, mas é visível que se tratou de um trabalho de Márcia, e ela deu conta do recado. Em um ano de crise, seu trabalho serviu como exemplo de um projeto bem feito, compatível com a realidade e a disponibilidade financeira de sua escola. Tudo bem que os carros também não precisavam ser tão pequenos, mas antes um trabalho enxuto e bem feito do que idealizar um trabalho mirabolante e não conseguir levá-lo pra avenida com qualidade. Márcia ainda pode melhorar (sobretudo nas alegorias), mas sem dúvidas apresentou um trabalho agradável, digno de provocar o convite para ser carnavalesca da Mangueira. Aliás, já estou na expectativa para ver a estréia da carnavalesca na verde e rosa.

-Foi o desfile mais empolgante do ano. Isto gera uma preocupação sobre o futuro do carnaval. Uma escola tradicional leva um grande samba, com ótima bateria, bom chão, sem grandes erros, simples, mas bela, empolga a avenida e é rebaixada. O resultado soa absurdo.

- Quando o Império saiu da avenida, pensei que os jurados teriam que fazer uma força tremenda pra conseguir rebaixar a escola, e o pior é que conseguiram. Definitivamente, qualquer um sabe que não foi um desfile para rebaixamento, a escola merecia ficar em uma posição intermediária. Império pagou o pato pelos desfiles incompetentes da Mocidade e Porto da Pedra, essas sim deveriam disputar contra o rebaixamento. A escola caiu novamente, mas foi de cabeça erguida. Fez um grande desfile de escola de samba, agradável, correto e animado.

GRANDE RIO

grende rio 1 - grende rio 1

- Artistas, mídia, luxo, gigantismo, boas colocações… A Grande Rio conseguiu criar uma imagem de grande escola, candidata ao título. Mas nem tudo isso adianta, a escola ainda não aprendeu a fazer carnaval que justifique um campeonato. Aliás, nunca conseguiu justificar nem os vice-campeonatos e terceiras colocações.

- Apesar disso, este foi um ano positivamente interessante. A escola fez um desfile um pouco melhor do que em anos anteriores, e finalmente foi julgada como merecia. Gostei mais do samba, enredo e da estética de 2009, e a escola não cometeu nenhum pecado absurdo de evolução, como foi em 2006.

- No entanto, a escola ainda cometeu muitos erros técnicos. Problemas na iluminação de algumas alegorias, detalhes no acabamento dos carros, a queda do componente na comissão de frente, etc, várias pequenas falhas pelos quesitos atrapalharam a Grande Rio de alçar vôos mais altos. Falta também Jaider Soares gastar menos paparicando os famosos e investir no chão da escola, na comunidade.

- Moral da história, parece que os tempos de jurados cegos acabaram. E isso já fez a Grande Rio correr atrás de melhores desfiles. Ao menos se cansou de tentar, em vão, algum sucesso com o Roberto “Polonês”. Mas a escola continua despreparada para o título, e ainda pode cair de qualidade em 2010 com o já muito criticado enredo sobre o camarote Brahma, que Cahe Rodrigues maquiará misturando com os desfiles famosos da era Sambódromo. Cada vez mais rica, a Grande Rio ainda tem que comer muito feijão com arroz para ser valorizada no mundo do samba como a grande escola de samba que ela já demonstrou ter capacidade de ser.

VILA ISABEL

vila - vila

- Muita expectativa ao redor do desfile da Vila Isabel. Mistérios ao redor do trabalho de Paulo Barros e Alex Souza, fantasias não divulgadas, primeira escola a ter 100% dos componentes considerados da comunidade, ensaios técnicos elogiados, boa equipe (Misailidis, Ricardo Fernandes)… A Vila certamente era uma candidata ao título. E saiu da avenida nesta situação também.

- Apesar do aparente sucesso do desfile, o trabalho dos carnavalescos me decepcionou. Isto porque esperei que um anulasse os pontos fracos do outro, e o que aconteceu foi exatamente o contrário, as falhas particulares de ambos estava no desfile. Vejam:

Alex- Ainda não conseguiu apresentar uma fantasia de ala das baianas realmente bela em todos estes anos de Grupo Especial. Também vem dos tempos de Rocinha a característica de abusar do dourado no desfile, o que chega a ser cansativo.

Paulo Barros- Primeiro carro é coreografado, e deu um ótimo efeito. O segundo é coreografado também, menos belo, mas ao menos esclarece bem a proposta da alegoria. O terceiro também é coreografado, e a coreografia em questão deu um efeito interessante, também muito adequado à proposta do enredo. O quarto carro também é coreografado… CHEGA! A essa altura o Setor 1 já estava se sentando,o que descredencia o papo de Paulo Barros de querer interagir com o público com essas coreografias. Sai da avenida com a certeza de que o público interage mesmo é com espontaneidade. Se não me engano, apenas a última alegoria não possuía coreografia. Isso pra mim é falta de criatividade, pois um carnavalesco tem que saber variar as soluções estéticas ao longo do desfile, até porque os estilos de coreografias também estão se repetindo. Isso sem falar que carnaval exige espontaneidade, coreografia é bom de vez em quando, e olhe lá. Paulo Barros precisa parar de ignorar as críticas que recebe, ele tem talento sim, mas não sabe dosar seu trabalho. Sentou nos louros de suas coreografias. O que faz seria a mesma coisa do que Renato Lage usar néon e Intérprida Trupe em todos os carros todos os anos. Obviamente cansa e perde a graça.

- A Vila ainda pecou na escolha do samba e em na atuação da bateria. Optou por um desfile de animação fácil, com bateria mais acelerada e samba que tenta jogar o componente pra cima d e qualquer jeito. Faltou poesia e tradicionalismo na passagem da escola . A agremiação deve tomar cuidado com essa atual fase de modernização. O lirismo romântico da Vila de outrora fez falta.

- Vila, Salgueiro e Beija-Flor eram candidatas ao título, portanto na pior das hipóteses era para a escola terminar em 3º lugar. A quarta colocação pra mim foi consequência dos escândalos políticos que envolveram a escola às vésperas do desfile.

MOCIDADE INDEPENDENTE

mocidade - mocidade

- A Mocidade ameaçou entrar na avenida quando sua bateria passou em frente ao Setor 1, assim como no início do esquenta Salve a Mocidade. Ali o público estava animado, e parecia que vinha para desfilar uma grande escola de samba. No meio do esquenta, no entanto, o samba mudou de Salve a Mocidade para “salvem o carnavalesco atropelado”, salvem a filha do presidente, salvem o abre-alas pegando fogo. Enquanto o carro esquentava, o público esfriava. Boa parte se sentou, e os que restaram em pé cruzaram os braços pra assistir a tragédia anunciada.

- O início do desfile foi horrível. Nada se salvava da comissão de frente até o 3º carro. Depois disso, melhorou um pouco o nível das fantasias, alegorias e o desenvolvimento do enredo. Ponto alto para a ala e alegoria do jacaré, que fizeram com que uma parte do Setor 1 que estava sentado se levantasse e aplaudisse a apresentação. O trabalho do coreógrafo Fábio de Melo foi irreconhecível. Já o trabalho do carnavalesco Cebola, ninguém conhecia antes, e ficaríamos mais felizes se não tivéssemos conhecido mesmo. Suas intenções podem ter sido as melhores, o esforço o maior possível, mas, definitivamente, não deu certo.

- A Mocidade se mostrou no auge da crise em pleno carnaval, o que justifica o desespero generalizado das pessoas querendo a “cabeça” do presidente Paulo Vianna. O desfile representou o fim de qualquer esperança e confiança em seu trabalho. E ele poderia ao menos reconhecer suas falhas, e parar de colocar a culpa nos outros. A presidência é sim completamente culpada e responsável pelas contratações equivocadas, pela incapacidade de manter bons profissionais dos carnavais anteriores, pela escolha errada do samba-enredo, pela falta de planejamento adequado… Enfim, uma má administração, do início ao fim. A questão é que, em anos anteriores, nomes como Cid Carvalho e Alex de Souza amenizaram a crise com seus trabalhos competentes, fora a escolha acertada do samba em 2008. Em 2009, no entanto, faltou maquiagem.

-No fim da primeira noite de carnaval, eu encontro com um grupo com cerca de oito torcedoras da Mocidade, todas desoladas. A expressão delas foi um reflexo do desfile. A Mocidade foi segurada no especial em 2009, mas já entra na temporada 2010 como favorita ao rebaixamento, mais do que a Ilha, que naturalmente ocuparia esta vaga. Nem mesmo os torcedores da escola (no qual me incluo) possuem esperanças de sucesso em 2010. Paulo Vianna hoje é um rei sem súdito. Também, pelo visto, isto não o preocupa. Ao que parece, a Mocidade ainda não chegou ao fundo do poço. Futuro pessimista.

BEIJA-FLOR

beija flor - beija flor

-Roberto Carlos causou um alvoroço quando atravessou a pista antes da passagem da Mocidade. Não sei ao certo se havia mais jornalistas ou seguranças ao redor dele. O Lula não foi visto pelo Setor 1, mas a Globo não perdeu a chance de mostrá-lo algumas vezes. Tudo isso para a celebração do casamento de Neguinho da Beija-Flor. A simpatia do intérprete se juntou ao drama de sua doença, rendendo o feito do casamento com direito a celebridades em plena avenida, no chamado “Primeiro Recuo de Bateria Jamelão”. Tudo muito lindo, só que o público foi para a avenida pensando em assistir desfiles, e começou a vaiar com a demora. Rapidamente a bateria da Beija-Flor voltou a tocar e apressaram o encerramento da cerimônia.

-Novas vaias para Laíla, quando este foi lembrar a ausência do “Papai” Anísio, milagrosamente residente em alguma cadeia. Mas basta Neguinho gritar “Olha a Beija-Flor aí, gente!” que está tudo azul novamente.

- O componente da Beija-Flor é quase um burro de carga. Além do peso das fantasias que carregam, alguns ainda levam alguns empurrões do pessoal da harmonia, para se posicionarem adequadamente na avenida. Tem que ter muito amor. Considerando ainda o número elevado de ensaios, imagino que a técnica do Laíla seja algo próximo do que o técnico Bernardinho usa no vôlei: o componente (ou jogador) realiza certos sacrifícios pelo bem maior, e por isso na hora do “vamo ver” não falta garra. No esporte e no carnaval, dá certo.

- Enquanto escolas como Porto da Pedra tinham enorme dificuldade para manobrar carros pequenos na entrada da avenida, as alegorias da Beija-Flor viravam a tensa esquina sem a menor dificuldade. Competência impressionante.

- Definitivamente, o trabalho de Ghislaine Cavalcante não justifica o aparente sucesso de seu trabalho. Só tira boas notas porque está na Beija-Flor. Geralmente a comissão de frente costuma ter alguma classe, o que disfarça as notas oficiais, mas com o pedido do Laíla de mudança de estilo, a coreografia ficou de mau gosto. Para mim, pelo menos, não teve graça nenhuma.

- A Beija-Flor, como sempre, desfilou bem. Bom gosto, acabamento, luxo e gigantismo que formavam uma estética suntuosa e bela, como a escola gosta. O samba não era bom, mas a comunidade canta até “Atirei o pau no gato” se for necessário, e samba-enredo é um quesito lamentavelmente desprestigiado no julgamento.
Não gosto muito do enredo, e a escola foi devidamente punida neste quesito. Primeiro, não sou muito fã desses enredos que passeiam pela história da humanidade, porque eles acabam caindo em lugares comuns, sobretudo nas soluções estéticas. Segundo, porque seu desenvolvimento pecou em alguns momentos, como nas várias alas para representar a mesma coisa: a corte francesa que não tomava banho. Por outro lado, achei muito interessante o setor mais leve, irreverente e criativo do desfile, sobre os banhos de chuveiro, banheira, gato etc. Este setor deixou claro o quanto seria bom se a escola se reinventasse. Tanto luxo pode, sim, ser dispensável.

- A água jogada na avenida no final do desfile foi uma maldade com a Tijuca, que viria em seguida. Aliás, em frente ao Setor 1, uma mulher com uma fantasia semelhante a de uma baiana, já no último setor do desfile, caiu três vezes por causa da pista molhada e acabou sendo retirada da avenida por um bombeiro. A cena foi uma maldosa espécie de tragédia cômica.

- A escola mais uma vez se candidatou ao título. Mas tendo outras escolas em condições iguais ou até maiores de levar o caneco, era de se esperar que a Beija-Flor acabasse não ganhando, afinal na ciranda da vitória, é necessário que outras escolas tenham sua vez. E depois de muitos anos na geladeira das disputas, 2009 foi o ano do Salgueiro ser valorizado, com todos os méritos.

UNIDOS DA TIJUCA

tijuca - tijuca

- A expectativa inicial era de que a Tijuca repetisse os bons desfiles dos anos anteriores, mas a escola decepcionou. O pavão era feio, e toda a estética da escola irregular, muito frequentemente faltando bom gosto ou acabamento. Problemas no acoplamento de duas alegorias prejudicaram a evolução da escola. O samba e o enredo combinam com o estilo da Tijuca, mas creio que o modelo já saturou.

- Com a saída de Paulo Barros, o carnavalesco Luiz Carlos Bruno conseguiu dar sequência ao padrão de desfile da escola. Seu trabalho não se destacava e nem tampouco mostrava ser prejudicial, se mostrando suficiente para as pretensões iniciais da Tijuca. No entanto, em 2009 houve uma queda de qualidade do desfile como um todo, e isso justifica também a necessidade de alteração de carnavalesco. Resta saber se a solução para a escola é realmente Paulo Barros. O estilo do carnavalesco funciona bem na agremiação, mas a Tijuca deve tomar cuidado para não esperar que sua volta signifique por si só reviver os bons anos de 2004 e 2005. Como já disse, já houve certa saturação deste modelo de desfile, sendo importante pensar em mudanças.

Pra tudo não se acabar na quarta-feira, parte 3 - continuação da análise do sábado de carnaval

9 de Abril de 2009 @ 01:26 por Rafael Rezende

UNIÃO DA ILHA

rafa rio 2009 159g - rafa rio 2009 159g

- A União da Ilha é uma espécie de segunda escola de muitos sambistas, é difícil achar alguém que não nutra uma simpatia por ela. Isso porque a Ilha é uma escola de desfiles animados, sambas populares e também resultados que nunca incomodaram as “grandes” escolas. Este último fator também é importante, porque torcedor não gosta de ver o título de sua escola ameaçado por nenhuma outra. Então Ilha é isso, sempre fez a alegria de todos e nunca contrariou nenhum sambista. Sendo assim, a impressão que se tem quando a Ilha entrou na avenida é de que o Sambódromo inteiro estava na sua torcida. Boa parte dos apaixonados pela Portela, Mocidade, Beija-Flor, Mangueira, Salgueiro… No sábado de carnaval quase todos eram União da Ilha. Balões nas arquibancadas, gritos de “É Campeã” e nenhuma insatisfação dos sambistas pelo primeiro lugar da escola, ainda que o resultado possa ser discutido.

- Belo enredo, belo samba, estética razoável, boa comissão de frente, ótima bateria… Foi certamente um bom desfile, que credenciava a Ilha como uma das candidatas ao título.

- Uma delícia o trecho do samba que anuncia a chegada ao Rio de Janeiro:

De braços abertos, o meu Redentor
Vai abençoando, você que chegou
A mãe natureza, se sente orgulhosa
Cidade maravilhosa!

A Ilha certamente tem propriedade para falar da cidade maravilhosa. A alegria da escola reflete muito bem a alegria do carnaval carioca.

- A Igreja Católica provavelmente esqueceu de vasculhar os barracões do grupo de acesso. Vinte anos depois do Cristo mendigo censurado de João 30, a Ilha desfila com a escultura do Cristo Redentor na avenida.

ROCINHA

acesso A 135t - acesso A 135t

- A Rocinha teve um início de desfile pouco comum. A escola desfilou com um “tripé” pede passagem antes mesmo da comissão de frente. Eu particularmente não gostei muito da idéia, pois a mini-alegoria esconde a comissão.

- A escola foi mais uma que desfilou muito bem, e desta vez se certificou de não cometer erros banais que a tirasse da briga pelo campeonato, como ocorreu nos anos anteriores. Ainda assim, a escola cometeu algumas pequenas gafes, como deixar uma escada no abre-alas. O samba não era dos melhores do ano, mas rendeu o suficiente.

- Surpresa a recente confirmação do carnavalesco Fábio Ricardo por mais um ano no grupo de acesso, novamente na Rocinha. Está certo que lá ele terá uma estrutura melhor do que muitos carnavalescos terão no grupo especial, mas o profissional se mostrou competente o suficiente para trabalhar em uma grande escola do Grupo Especial. Fábio impressiona pelo trabalho feito: produz um visual limpo, ao mesmo tempo rico, bem acabado, de bom gosto, fácil leitura, leveza, uma certa dose de criatividade para conciliar tudo isso e muita, muita competência. Fazer bom carnaval com muita pluma não é tão difícil, complicado mesmo é construir uma estética com requinte sem apelar para as plumas. Fábio foi um dos melhores carnavalescos do ano. Só não diria que foi o melhor, porque no Grupo Especial há um tal de Renato Lage.

RENASCER DE JACARÉPAGUÁ

rafa rio 2009 207 - rafa rio 2009 207

- Uma expectativa muito grande cercava o desfile da Renascer, escola de poucos anos de fundação que poderia roubar a cena da noite. Isto porque a agremiação vinha para a avenida com um enredo bem desenvolvido, um dos melhores sambas (senão o melhor) do ano e ainda contando com a interessante parceria entre os Paulos (Barros e Menezes). E a escola não decepcionou.

- Tenho a impressão de que Paulo Barros funciona melhor no grupo de acesso. Talvez ali suas idéias façam mais sentido, uma vez que desfiles luxuosos no Grupo A são para poucas escolas, então ali é obrigatório arrumar outras formas de convencer os jurados a darem a nota máxima. Mas, além disso, o enredo e o samba da escola são superiores aos últimos carnavais do Barros no Grupo Especial, dando mais consistência ao seu desfile. Ainda assim, faltou dinheiro para a estética da escola ficar perfeita, mas o trabalho da dupla funcionou. Bom lembrar também da volta de Paulo Menezes ao grupo Especial em 2010 pela Porto da Pedra; ele já fez bons desfiles, sobretudo no Império e na Ilha, e tem condições de estar no grupo de elite.

-Alice Arja, a coreógrafa da comissão de frente, foi outra que tem sido mais feliz no Acesso do que no Especial, quando, em 2008, estava à frente da Imperatriz. A coreografia era surpreendente, umas das melhores do ano no carnaval carioca.

- A Renascer não conseguiu ingressar ao Grupo Especial, mas a vice colocação já é um grande feito para a agremiação, que poderá agora aparar as arestas para conseguir o título em 2010.

SANTA CRUZ

acesso A 010 - acesso A 010

- Amanheceu no Rio de Janeiro e lá vinha a Santa Cruz para a avenida. Presença frequente no Grupo de Acesso A, a escola mostrou saber desfilar neste grupo, deixando a impressão final de que ficaria em uma posição intermediária na quarta-feira de cinzas.

- Enredo sobre preservação ambiental é mais do que batido. Acho até ser um tema um tanto sério demais para o carnaval, talvez fosse melhor pensar em assuntos sérios durante o ano e deixar o carnaval para a brincadeira. Mas, apesar disso, o desfile funcionou. Talvez porque a estética da natureza seja fácil de carnavalizar, a escola passou bem na avenida. Até mesmo o samba, que não era dos melhores, não comprometeu. Aliás, analisando o passado do carnaval, enredo sobre a natureza costuma obter sucesso.

CAPRICHOSOS

caprichosos - caprichosos

- A arquibancada já estava bastante vazia, e os resistentes da madrugada estavam bastante cansados, quando a Caprichosos entrou na avenida, já com sol forte.
- O presidente da escola, Paulo de Almeida, ainda resolveu fazer um discurso protestando contra o atraso no desfile da São Clemente, que teria atrapalhado todas as escolas. Àquele horário da manhã, ninguém na Sapucaí estava com paciência para ouvir reclamação, gerando vaias contra o presidente.

- O desfile da escola, definitivamente, não bom. O samba era fraco, bem como o enredo sobre os transportes, contrastando com o desenvolvimento do tema dado pela Renascer. À exceção da fantasia das baianas, a escola não soube utilizar a luz do dia, provocando um desfile esteticamente fraco, isto sem citar a simplicidade e falta de acabamento das alegorias.

- A sensualidade do abre-alas com seus Adãos e Evas contrastavam com a interessante e, de certa forma, infantis formigas da comissão de frente. Outro ponto que chamou a atenção do público, arrancando aplausos, foi a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira mirim. O casal representou a mais graciosa e otimista visão do futuro da Caprichosos de Pilares, em meio a um fraco desfile que apontava para todos os lados o pessimismo do rebaixamento da escola.

O carnaval 2009 para a estréia não tão feliz da Lesga no carnaval. O campeonato da Ilha não sofreu muita contestação, até porque a escola estava de fato na disputa. Mas o 5º lugar da Estácio de Sá surpreendeu, pois a escola era uma das mais fortes candidatas ao Grupo Especial. O pior mesmo foi a decisão de não rebaixar nenhuma agremiação, rasgando o regulamento. Não se pode esperar seriedade de uma instituição que procede desta forma para salvar a pele de alguns presidentes que não souberam tornar seus carnavais competitivos. Com isso, o carnaval de 2010 tende a ser cansativo, com 12 escolas desfilando, o que pode prejudicar as últimas agremiações, que desfilarão com sol forte e arquibancada vazia.
Não houve nenhum desfile histórico, mas creio que se destacaram quatro escolas: Ilha, Estácio, Rocinha e Renascer. Em seguida, São Clemente e Santa Cruz desfilaram bem, mas não demonstraram estar tão preparadas para o primeiro lugar. Império da Tijuca e Tuiuti viriam logo em seguida, com destaque para o samba do Império. Para completar a tabela, Inocentes e Caprichosos foram as escolas que pior passaram no Acesso A em 2009, e precisam urgentemente de renovação para 2010.