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	<title>Blog do Samba</title>
	<link>http://blog.tradicaodosamba.com.br</link>
	<description>Fique por dentro de tudo que acontece no mundo do samba e do carnaval!</description>
	<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 02:16:49 +0000</pubDate>
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		<title>Prévias do carnaval carioca 2009 II</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2008 18:09:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Afonso Fonseca</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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Nossa segunda abordagem traz mais uma análise despretenciosa, porém, pertinente dos enredos, que por sinal, já estão efervescendo com as inscrições e apresentações dos sambas, que em  breve espaço de tempo, desencadearão nas eliminatórias pelas quadras das Escolas, e continuaremos também correlacionando com o  dia e posições de desfiles, conforme fizemos na Edição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="centralizado"><img src="http://blog.tradicaodosamba.com.br/up/t/tr/blog.tradicaodosamba.com.br/img/03_MHG_rio_imperio.jpg" alt="03 MHG rio imperio - 03 MHG rio imperio" title="03 MHG rio imperio - 03 MHG rio imperio" /></div></p>
<p>Nossa segunda abordagem traz mais uma análise despretenciosa, porém, pertinente dos enredos, que por sinal, já estão efervescendo com as inscrições e apresentações dos sambas, que em  breve espaço de tempo, desencadearão nas eliminatórias pelas quadras das Escolas, e continuaremos também correlacionando com o  dia e posições de desfiles, conforme fizemos na Edição anterior:”Prévias do Carnaval I”.  das agremiações cariocas. </p>
<p>A segunda noite vai ser aberta na Marquês de Sapucaí, com o desfile da Unidos do Porto da Pedra, escola de São Gonçalo, que conta este ano com ex-carnavalesco da Imperatriz e da Mangueira, O chamado “Mago das Cores”, pra quem não consegue fazer a ligação do codinome, trata-se do consagrado carnavalesco Max Lopes, que assina um enredo que foge aos padrões anteriores de seus trabalhos nas duas agremiações supra-citadas, o tema é curioso, que nos reportará às perspicazes sendas do desejo do homem de inventar, de criar, relatar em alegorias e fantasias todo o legado das grandes invenções do homem, desde a Criação do Mundo, segundo a concepção “que bíblico-divinal”, até os dias de hoje. Max dedica um setor inteiro ao Brasil, que segundo a usual  atribuição, é “O Pais do Futuro”. Um desafio à Escola e ao carnavalesco, pois, ambos devem vir apostando todas as fichas num desfile criativo, que na verdade nos remete a uma semelhança contextual aos enredos do biênio 2004/2005, de Paulo Barros na Unidos da Tijuca, que inegavelmente são referenciais desta década. E não esquecendo, que o tema é: “Não me proíbam de criar! Pois preciso curiar, sou o País do futuro e tenho muito a inventar”, apostemos nossas fichas nesta “invenção” do Tigre Gonçalense.</p>
<p>A outra representante do bairro da Tijuca, a Academia do Samba, como é carinhosamente chamada,  será a escola subseqüente, com um dos enredos mais bem conceituados de 2009, “Tambor”, magistralmente proposto por Renato Lage, outro veterano carnavalesco, que desperta em todos que acompanham e curtem os desfiles de escola de samba, ao ler-se a bela Sinopse, um misto de admiração e contentamento, enredo carnavalizável ao extremo, um mergulho dentro das origens e dissidências de ritmos e percussão, abundantes em nosso Brasil, que aprendeu com os Negros a batucar, a expressar a fé, a alegria, o lamento, e, principalmente, ao fato de serem imprescindíveis nas baterias das Escolas de Samba. Grande sacada do Salgueiro, que vem em excelente posição de desfile e segundo  se supõe, nos brindar com um grande Espetáculo.</p>
<p>A Imperatriz vem em seguida, com um enredo alusivo aos seus 50 anos de fundação, as Bodas de Ouro serão comemoradas na Avenida, e a Diretoria da Escola, anunciou que haverá para o este desfile o corte das chamadas “alas comerciais”, portanto, a Comunidade de Ramos e adjacências deverão estar presente no desfile,  para defenderem e abrilhantar a passagem da Escola. A Imperatriz traz como título: “Imperatriz&#8230; só quer mostrar que faz samba também”, Rosa Magalhães, mais uma vez terá oportunidade de demonstrar que seu “casamento” com a Imperatriz, passa por bons momentos, e com toda certeza, nos fará reviver a trajetória da Escola e os bons trabalhos que a carnavalesca já desenvolveu,  vale a pena lembrar que em 2009 completarão exatos 17 anos em que perdura esta “união”. </p>
<p>Já a Águia de Madureira, que fora a última escola a definir seu enredo para o carnaval carioca de 2009, o título definitivo é: “E por falar em amor, por onde anda você?”, ainda sem sermos conhecedores da sinopse, não nos capacita a emitir nenhum parecer mas plausível, mas segundo nota divulgada na mídia estas são as declarações da Diretoria sobre o aparentemente belo enredo portelense, que nos enche de curiosidades e nos deixa expectantes sobre o produto final, no caso, o desfile da Portela, pois o tema, é muito interessante.leia abaixo:</p>
<p>“<em>O tema vai abordar as diversas formar de amar, fazendo uma viagem no tempo, mostrando que o amor sempre foi fundamental para o homem e para a História da Humanidade. Terminando no quintal de casa, numa animada roda de samba, cultuando o amor de ontem, de hoje e de sempre: a Portela</em>!”</p>
<p>Jorge Caribe e Lane Santana farão par, para nos contar esse rico tema na Sapucaí.</p>
<p> A Velha Manga, vem fazer através de  suas tradicionalíssimas cores e quase sempre por seus empolgantes desfiles, um comparativo histórico social da formação do povo brasileiro com Roma, a latinidade é o elo que segundo o “pensamento” romancista do grande educador Darcy Ribeiro. Sob a batuta de Roberto Szaniecki, aguardemos o fruto desta triologia, a tradição, o estilo do carnavalesco e o tema escolhido. Os sambas concorrentes  já estão disponibilizados, é só o começo da festa da verde-e-rosa. </p>
<p>A Unidos do Viradouro, epicentro de grandes mudanças em seu cenário interno,  nesta fase pré-carnavalesca, culminando na saída seu então carnavalesco Paulo Barros, e de sua Rainha de Bateria, Juliana Paes. Decidida a reeditar parte do enredo clássico e tradicional do Salgueiro de 1969, “Bahia de todos os deuses”, a escola vem fechando os desfiles das escolas de samba carioca, que não deixa ser uma missão &#8220;árdua&#8221;, pelo menos é a impressão que dá, pois, ainda paira sobre nossa percepção, que esta posição de desfile era ocupada por alguns anos atrás pela Beija-Flor de Nilópolis, nos acostumamos ver em azul e branco a &#8220;ponta&#8221; do arco-iris. Semelhante ao Império Serrano, a original sinopse salgueirense sofreu modificações e o samba da mesma forma, para atender as novas regras e conteporiaridade  e tendências ao consagrado “estilo” Milton Cunha, atual carnavalesco da Escola, Com toda certeza um ponto é comum:  as cores imperativas de ambas escolas, no caso, o vermelho e branco, que são as cores oficiais das duas escolas.</p>
<p>A sorte foi lançada e nós expectadores esperamos como sempre, um grande espetáculo segmentado nas 12 escolas que compõe o Grupo de Elite do carnaval carioca.</p>
<p>Obrigado e Até breve!</p>
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		<title>O Carnaval Empresarial</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Aug 2008 21:09:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Almeida</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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		<description><![CDATA[Houve uma época em que se fazia carnaval por amor. E, para falar a verdade, ainda existem pessoas assim. Raras, mas existem.  Os tempos mudaram, a profissionalização é uma realidade, mas ainda existem pessoas e entidades que não conseguem acompanhar este ritmo, hoje alucinante, de mudança.
Este movimento começou com força na década de setenta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Houve uma época em que se fazia carnaval por amor. E, para falar a verdade, ainda existem pessoas assim. Raras, mas existem.  Os tempos mudaram, a profissionalização é uma realidade, mas ainda existem pessoas e entidades que não conseguem acompanhar este ritmo, hoje alucinante, de mudança.</p>
<p>Este movimento começou com força na década de setenta com os carnavalescos. Joãosinho Trinta foi um dos primeiros. Depois de ser bicampeão pelo Salgueiro, foi para a então desconhecida Beija-Flor e fez história. Depois os intérpretes. Em 1984, a mais significativa e impensável troca naquela época: Império Serrano, União da Ilha e Mocidade Independente apostaram nas vozes marcantes de cada um e, tirando o nono lugar da Ilha, as outras até que não fizeram feio: Império em terceiro e Mocidade em quarto. Mas a interpretação de Aroldo Melodia está até hoje na minha memória. O samba tinha a cara dele e o refrão do meio do enredo da Mocidade (Mamãe eu Quero Manaus) mais ainda: <em>“Tem muamba / Cordão de ouro, chapéu, anel de bamba / Bagulho bom é no terreiro e no meu samba”</em>. No ano seguinte tudo voltou como era e a Mocidade se sagrou campeã. Depois dos intérpretes, os diretores de bateria, mestre-sala e porta-bandeira, etc&#8230; </p>
<p>A entrada da televisão foi fundamental para que isso acontecesse porque engrandeceu o espetáculo. Os dirigentes das escolas perceberam isso. Antes não havia Liesa e todos eram filiados a Associação das Escolas de Samba, que geria o negócio e conseqüentemente os contratos com televisão, rádio, gravadora, venda de ingressos e publicidades, além de escolher os jurados sem dar as escolas, poder de veto. Praticamente não havia concorrência. A Globo levava a transmissão e a gravadora Top Tape os direitos para gravar o disco. Os dirigentes começaram a questionar os valores até então pagos e queriam uma fatia maior do bolo. Como a Associação ficou irredutível, não havia outro caminho que hoje se sabe muito bem qual foi que foi a criação da Liesa. Num primeiro momento, esta nova postura das grandes escolas dissidentes foi entendida como arrogância dos então presidentes, visando única e exclusivamente o lucro. Mas hoje sabemos que não foi bem assim.</p>
<p>De cara, a Liga duplicou seu faturamento com a transmissão pela televisão e, atendendo a um pedido delas, os desfiles começaram a ser feitos em dois dias. Pela primeira vez, depois de anos, o carnaval seria transmitido por duas emissoras privadas (a TVE, que era estatal, transmitia também), que pagavam o mesmo valor ou equivalente. Rede Globo e Manchete travaram alguns anos lutas para segurar sua audiência. As emissoras investiram nos comentaristas, e quem ganhou com tudo isso foi o público. Quem não se lembra de Fernando Pamplona, Mestre Marçal, Albino Pinheiro e outros nas memoráveis transmissões da Manchete? Sem falar em Sérgio Cabral, Maria Augusta, Leci Brandão, Jorge Aragão e outros na Globo. Foram bons anos. E não falo isso por saudosismo, não. Além das televisões, a Liesa reviu os contratos de publicidade e os preços dos ingressos, em parceria com a Riotur. A arrecadação aumentou e as escolas puderam fazer carnavais mais ousados e mais iguais, pois a intenção era de que com essa verba os desfiles fossem mais luxuosos para todas. Hoje, a Liesa é uma empresa que arrecada perto de cinqüenta milhões de reais. Convenhamos, é invejável.</p>
<p>A recém criada Liga das Escolas de samba do Grupo de Acesso quer trilhar o mesmo caminho e não esconde que se espelha na Liesa, e quer fazer o desfile de sábado tão bom quanto o de domingo ou segunda. Para isso, a profissionalização é fundamental. A Associação recebe da Prefeitura algo em torno de quatro milhões, que ela tem que repartir entre 61 associadas, entre os cinco grupos que administra. Desta verba, quase cinqüenta por cento vai para o Grupo de Acesso. Estas escolas estão recebendo hoje perto de 350 mil para fazer um carnaval, e sabemos que não dá nem para começar a pensar em campeonato com este dinheiro, se escolas como Estácio, Rocinha e São Clemente gastam mais de um milhão. Fica muito difícil. Então a proposta neste caso é justa e merecida. Mais do que isso, a Lesga irá, enfim, escolher os jurados e ter poder de veto. E a história se repete vinte e quatro anos depois. E a Associação ou está se fingindo de morta ou realmente parou no tempo. Antes de escrever esta coluna entrei no site deles e, para meu espanto, está tudo como antes, ou seja, nada de diferente, nenhum comentário, nada. É de se estranhar, mas é fato.</p>
<p>Então, quem não se profissionalizar está fadado ao fracasso. Gerir cinco grupos e desfiles simultâneos com cinco, seis pessoas no comando é humanamente impossível. Alguém vai ficar capenga e, neste caso, é e sempre foi o desfile da Intendente Magalhães. Minha grande amiga e jornalista Cássia Valadão que o diga. Incansável, faz questão de fazer a cobertura destes desfiles e todo ano fala a mesma coisa. Escolas paupérrimas e organização desastrosa. A apuração no Terreirão do Samba também é um caso à parte e motivo de piadas em muitas rodas de amigos. Tudo o que as pessoas normais vêem na TV daquela apuração organizada não acontece no Terreirão. Os locutores erram notas, dizem que uma escola tirou 9,5, mas depois diz que foi 7, voam cadeiras e assim vai. Um horror. As escolas do Acesso se cansaram disso. </p>
<p>O intuito aqui não é crucificar ninguém, mas mostrar que às vezes a gente perde o bonde da história, e para pegar ele novamente não uma tarefa fácil. A Associação precisa se reestruturar e pensar empresarialmente, para que os desfiles tenham um mínimo de conforto e beleza e dê o que todos queremos que é a alegria no rosto de cada componente.</p>
<p>Até a próxima!</p>
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		<title>O Fantasma da Ópera</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 03:03:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Philip Nascimento</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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Por vezes ele pode atuar como indicador de que limites existem e que devem ser considerados antes de uma importante decisão, já em outras ocasiões surge como um grande inimigo, um provocador de paralisias: É o medo. Mas, para atenuar as angústias cotidianas presentes na rispidez do mundo real existe o carnaval e sua bolha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="centralizado"><img src="http://blog.tradicaodosamba.com.br/up/t/tr/blog.tradicaodosamba.com.br/img/foto_1003.jpg" alt="foto 1003 - foto 1003" title="foto 1003 - foto 1003" /></div></p>
<p>Por vezes ele pode atuar como indicador de que limites existem e que devem ser considerados antes de uma importante decisão, já em outras ocasiões surge como um grande inimigo, um provocador de paralisias: É o medo. Mas, para atenuar as angústias cotidianas presentes na rispidez do mundo real existe o carnaval e sua bolha de fantasias, não e mesmo? Cruel ilusão&#8230; A idéia até que procederia se a ópera carnavalesca não estivesse sendo aterrorizada por um grande fantasma, que a coloca no mesmo patamar que a conflituosa realidade mundana. Mergulhar no carnaval hoje é mergulhar em um choque de realidade, é adentrar em uma atmosfera onde a paralisia e a incerteza são monarcas absolutistas. </p>
<p>Hoje temos medo até de sinopse. O episódio do anuncio do enredo da Mocidade escancarou um sentimento bastante corriqueiro na atual conjuntura do carnaval: o medo. Sim, o medo. A morte, o futuro, a velhice, a sinopse de enredo&#8230; Esta última vem expressando em cada uma de suas dúbias linhas o grau de engessamento a que se chegou. A sinopse aparece como um preâmbulo a profetizar o medo que virá mais adiante. Entretanto, antes de criticá-la é preciso ver que ela sim já é a resultante de um mau começo; começo este em que as escolas estão mais preocupadas em garantir o seu pote de ouro, e não com a amarração coesa de idéias que transmitam uma mensagem através dos sete ou oito atos da ópera carnavalesca. Deste modo foi que Machado de Assis, de maior expoente da literatura brasileira foi depreciado e rebaixado à categoria de plano alternativo da Mocidade. Logo, o que deve ser criticado sem piedade não é a sinopse em si, mas a terra seca em que ela se vê obrigada a germinar.        </p>
<p>Nesta perspectiva, o fantasma da ópera pode ser assistido em vários atos. A começar pela inversão que se observa no processo produtivo das escolas, em que primeiro se efetua a comercialização, a venda, para só depois se dar início ao processo de criação propriamente dito, corroborando o capitalismo informacional e a customização dos enredos. De fato, a idéia preliminar não é desenvolver um tema e procurar um auxílio financeiro. É justamente o contrário: enquanto não aparece um comprador a indústria dos sonhos permanece paralisada, em estado vegetativo, sendo o pesadelo o único produto elaborado em larga escala nesta etapa de caça ao tesouro.  </p>
<p>Tais conceitos não podem ser observados em Portela e Mocidade? A primeira, nós últimos anos, parece cultivar tais mandamentos como livro de cabeceira, atrasando o seu cronograma e prejudicando o desenvolvimento de seu desfile; e a segunda este ano se comportou de forma bastante similar, paralisada a espera de um pote de ouro que nunca veio. Como tantas outras, duas encurraladas pelo medo de apostar em seu próprio taco, em sua própria força, em sua própria cultura, em sua própria gente&#8230; O fantasma do medo provoca o divórcio entre a escola de samba e seu espírito e, uma vez desagregados, ficam a vagar pelo monumental concreto edificado da Marquês, que por sua vez termina sendo a gélida metáfora dessa tragédia. A Portela, mesmo sendo teimosa e insistindo no mesmo erro todos os anos, evidencia fibra e fôlego, já Padre Miguel possui dilemas endógenos que se arrastam pelos séculos-amém e que não serão solucionados com uma medíocre caça ao tesouro.</p>
<p>Com seus fantasmas, as escolas da Tijuca e de Ramos chegaram a níveis abissais: esta por aderir de forma crônica ao investimento alienígena, incorporando-o à sua cultura de desfile como se fossem um só corpo e um só espírito, sustentando um ciclo mórbido que só teve desfecho com o calvário de 2007; ao passo que aquela se perdia cada vez mais no tempo e no espaço por perseguir sistematicamente a suposta fórmula do sucesso que lhe deu um inesquecível campeonato na fecunda década de noventa, rechaçando, assim, sua identidade. Até que se chegou num ponto de saturação e ambas tiveram que adotar uma nova postura para não serem deglutidas pelos fantasmas que elas próprias alimentaram durantes anos. E neste carnaval o “tambor” e o “jubileu” aparecem com as consciências limpas, translúcidas.  </p>
<p>O fantasma nunca será limado da ópera enquanto as escolas alimentarem a idéia oca e rasa de que precisam caminhar com uma bengala. Nota-se escassez, por parte das escolas, de uma crença maior em suas potencialidades sem que estas estejam cronicamente condicionadas a fatores exógenos. Como dito, hoje até sinopse de enredo provoca medo; tudo devido à carência de credibilidade, criatividade e fundamentação de enredos que são desenvolvidos às pressas em virtude deste ou daquele patrocínio que não veio. O carnaval atormentado por fantasmas vê o esfacelamento da bolha que servia de membrana entre o sonho e a realidade, culminando com um grande pesadelo.         </p>
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		<title>Chronos,Chronikós,Cronograma&#8230;</title>
		<link>http://blog.tradicaodosamba.com.br/2008/07/30/chronoschronikoscronograma/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Jul 2008 06:38:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Philip Nascimento</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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À Portela
Caríssima Águia de Madureira,
Perdão pela minha intromissão, mas é que, contaram-me as más línguas que a Senhora, a essa altura do campeonato, ainda se encontra (who?) sem enredo. Isso é verdade ou intriga da oposição? Não sei, mas vou justificar a minha preocupação através de uma longínqua, porém pertinente, história e espero que entendas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="centralizado"><img src="http://blog.tradicaodosamba.com.br/up/t/tr/blog.tradicaodosamba.com.br/img/imagem_1_2.jpg" alt="imagem 1 2 - imagem 1 2" title="imagem 1 2 - imagem 1 2" /></div></p>
<p><strong>À Portela</strong></p>
<p><em>Caríssima Águia de Madureira,</p>
<p>Perdão pela minha intromissão, mas é que, contaram-me as más línguas que a Senhora, a essa altura do campeonato, ainda se encontra (who?) sem enredo. Isso é verdade ou intriga da oposição? Não sei, mas vou justificar a minha preocupação através de uma longínqua, porém pertinente, história e espero que entendas a intenção. Seria de bom tom que a Senhora, com toda a sua sapiência de anos de avenida, recordasse que na Mitologia Clássica, o deus Cronos,filho de Urano (o Céu) e de Gaia (a terra),destronou o pai e casou com a própria irmã, Réia. Urano e Gaia, conhecedores do futuro, predisseram-lhe, então ,que ele seria,por sua vez,destronado por um dos filhos que gerasse. Pra evitar a concretização da profecia, Portela, Cronos passou a devorar todos os filhos nascidos de sua união com Réia. Logo, como bem sabes, Cronos pode ser visto como a personificação do tempo, e sua lenda é lida como uma alegoria: a de que o tempo, em sua passagem fatal, engole tudo o que é criado e tudo o que é criatura&#8230;</p>
<p>Sei, Caríssima Águia, que nesse mato sem cachorro, nesse mundo cão, de Coaris mal cheirosos embebidos em vil metal, com suas onças que se desnorteiam do eixo e atacam o público das arquibancadas, a concorrência é desumana e competir com o panteão de dinossauros abastados é uma tarefa inglória. Porém, não esqueça de que és um grande dinossauro, um Tyrannosaurus Rex, diga-se de passagem, e de que sua história vem sendo bordada desde a Era Mesozóica do samba. O passado revela. </p>
<p>Ora, a Senhora própria este ano deu uma amostra de seu poderio bélico de deixar a finada União Soviética bege de inveja, assim como também mostrou a força que sua gente é capaz de levar à Marquês, para varrer o sal que parece ter sido jogado em Oswaldo Cruz nos últimos tempos. Neste carnaval, tenho certeza de que todos os filhos da águia sentiram um imenso orgulho desde o momento em que a Senhora pisou na passarela, com o magnífico “Ballet das Águas-vivas” da comissão de frente e um quase infindável mar azul que se seguia. “Seria aquele o momento em que finalmente a Água alçaria novamente seu majestoso vôo desfilando triunfal sobre o altar do carnaval?” Era o que nos perguntávamos. E assim foi. </p>
<p>Sabes, entretanto, que para dar continuidade ao satisfatório trabalho apresentado este ano, é preciso traçar um sólido caminho, a fim de dar uma envergadura ainda maior ao que foi visto, ouvido e sentido este ano pelos habitantes do Reino Carnavale,afinal, sonhas em desentalar de uma vez por todas o grito de “é campeã”,não é mesmo? Portanto, Portela, já está mais do que na hora da Senhora apertar o play e começar os preparativos para a próxima folia, não é mesmo? Ou a senhora já começou e está escondendo o jogo, heim espertinha? Portela, Portela&#8230; </p>
<p>Veja, querida Águia, que até Mademoiselle Bachelet daria o socialista ar de sua graça lá pelas abençoadas terras de Padre Miguel, onde protagonizaria o enredo “Mademoiselle Bachelet na Corte Mística dos Caras-pálidas” mas, o fantasma foi exorcizado e a Vila Vintém está em polvorosa, já que ficará incumbida de desenvolver uma Ode à Literatura Brasileira, sob o comando de Machado de Assis que, após dez anos, vem tentar despertar naquele povo o mesmo orgulho que Vila-Lobos um dia despertou&#8230;  E assim como a Mocidade, todas as demais escolas já estão a pleno vapor, bolando suas estratégias. Só falta você, caríssima Deusa do samba e, caso não esteja equivocado, mais uma vez será travada uma luta contra o tempo, o que acaba atrapalhando seu cronograma e deixando seus torcedores com o coração em frangalhos. Ademais, é preciso compreender também o lado dos compositores. Algumas escolas, inclusive, já estão divulgando seus sambas concorrentes&#8230;Espero que a Senhora não tenha se aborrecido com a minha intromissão e tenha compreendido a minha mensagem. E espero também que o grande Zeus Figueiredo volte de suas compras no Shopping Boitatá e trave uma verdadeira Titanomaquia para barrar o implacável tempo e firmar novamente o domínio deste universo. </p>
<p>Até Mais!<br />
 </em>
</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Prévias do carnaval carioca 2009 I</title>
		<link>http://blog.tradicaodosamba.com.br/2008/07/29/42/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 16:58:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Afonso Fonseca</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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	Após uma “grande pausa”, retomamos nossos “pensamentos” e a mais uma abordagem sobre o cativante carnaval carioca. O Carnaval Carioca de 2009 começa a tomar forma, com a divulgação de temas de enredo de algumas escolas. Dois fatos ocorridos dão suporte ao carnaval e definem os mecanismos e métodos a serem adotadas, partes importantes às [...]]]></description>
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<img src="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/02/04/04_MVB_virado.jpg" alt="" /></p>
<p>	Após uma “grande pausa”, retomamos nossos “pensamentos” e a mais uma abordagem sobre o cativante carnaval carioca. O Carnaval Carioca de 2009 começa a tomar forma, com a divulgação de temas de enredo de algumas escolas. Dois fatos ocorridos dão suporte ao carnaval e definem os mecanismos e métodos a serem adotadas, partes importantes às agremiações; O sorteio e a definição da Ordem de Desfiles e o lançamento das sinopses, que automaticamente, nos levam a argumentar fundamentados nestes dois precedentes. Analisando simultaneamente a cronologia dos desfiles e os temas propostos, temos algumas conclusões óbvias, na verdade previsões, ou especulações no sentido mais verdadeiro da palavra. </p>
<p>Como já era do conhecimento de muitos a Império Serrano tem a “difícil missão” de abrir os desfiles, visto que, conforme o Regulamento 2009 da LIESA, a escola campeã do Acesso A 2008, teria já definida esta posição de desfile, sem direito a participar do sorteio. O Mundo do Samba recebeu recentemente a notícia de que a Diretoria decidiu que vai reeditar o enredo <strong>“Lendas das sereias, rainhas do mar”</strong>, enredo de 1976, com uma pequena, mas significante alteração: <strong>“Lenda das sereias, mistérios do mar”</strong>, visando uma amplitude maior à Márcia Lávia, carnavalesca da escola para o carnaval vindouro. O samba é um dos clássicos da escola, poético. “O canto da sereia” com certeza atrairá muitos desfilantes, e os que participaram do desfile em 76, alertam para o principal problema da Escola no certame de então, o excesso de componentes, fazendo com que a Escola ficasse na 7ª colocação. Fica sempre a expectativa de como virá a querida e tradicional Serrinha para o carnaval de 2009, e principalmente a pergunta que não quer calar: Será se Ela vai conseguir a proeza de se segurar no Grupo Especial?</p>
<p>A Grande Rio virá com um enredo alusivo à França, parte das comemorações do Ano da França no Brasil. Sendo a primeira Escola do Especial a divulgar seu enredo, Cahê Rodrigues terá boas oportunidades de derramar seu talento nas alegorias e fantasias da Tricolor de Caxias, numa posição e dia inusitado. A escola será muito aguardada, até porque Cahê fez bom trabalho junto à Portela em 2007 e pelo que já está registrado, o enredo terá como apoio o acontecimento histórico de 1555, conhecido como a instituição da França Antártica, com a chegada dos franceses em solo brasileiro. A Vila Isabel será a Terceira a desfilar. Ótima posição e, diga-se de passagem, vem com um enredo versando sobre o Teatro Municipal. Acertada escolha, já referendado e apontado como um dos melhores enredos do ano. A Escola do coração do nosso estimado Ricardo Almeida, conta hoje com uma equipe de profissionais da melhor qualidade, e esse é o tipo de desfile que ninguém em sã consciência quer perder. Em seguida virá com um enredo agradabilíssimo a Mocidade Independente: Machado de Assis será tema da estrela da Zona Oeste carioca, e Cebola estréia com pé direito, pois a aprovação por parte da diretoria deste grande enredo vai fortalecer o domingo de carnaval.</p>
<p>A atual campeã virá numa posição e dia que há muito tempo não desfilava. O enredo mais uma vez sob patrocínio tem como tema a sugestiva frase: &#8220;No chuveiro da alegria quem banha o corpo, lava a alma na folia&#8221;, mas precisamente, sobre a história do banho, e ao que parece dentro dos parâmetros abordados nos últimos carnavais, uma viagem pelas civilizações até a modernidade, assim como os codinomes do banho, muito utilizada em nosso cotidiano. A Unidos da Tijuca fechará a primeira noite de desfile, e vem com posição e dia também bastante diferenciados do que vinha ocupando nos últimos carnavais. Com um enredo nos moldes futurista, cujo tema é: &#8220;Uma odisséia sobre o espaço, Viajando com as estrelas&#8221;, a escola pretende demonstrar todo o fascínio que o céu exerce sobre a humanidade, os mitos, a crença, os desejos, da mais ousada fantasia em torno do céu, até as conquistas do homem ao desvendar o Universo, galáxias, entre astros, estrelas e planetas existentes, um carnaval que promete muito, e o enredo será desenvolvido por Luis Carlos Bruno.</p>
<p>Em breve a Parte II, com comentários sobre a Segunda noite de desfiles!</p>
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		<title>Pequenas Empresas,Grandes Negócios&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 03:35:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Philip Nascimento</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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		<description><![CDATA[“Nos idos do encantado século XVII, a cobra fumava nas terras do nordeste brasileiro, pois várias nações disputavam o título de Rei da Cocada Preta do Branco Açúcar, que por aqui produzíamos. Os verdes mares bravios viram ancorar o Conde Maurício de Nassau, representando a Corte Holandesa, a gananciosa Casa de Orange&#8230;”

O velho Maquiavel, do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Nos idos do encantado século XVII, a cobra fumava nas terras do nordeste brasileiro, pois várias nações disputavam o título de Rei da Cocada Preta do Branco Açúcar, que por aqui produzíamos. Os verdes mares bravios viram ancorar o Conde Maurício de Nassau, representando a Corte Holandesa, a gananciosa Casa de Orange&#8230;”</em></p>
<p><div class="centralizado"><img src="http://blog.tradicaodosamba.com.br/up/t/tr/blog.tradicaodosamba.com.br/img/20070613181914.jpg" alt="20070613181914 - 20070613181914" title="20070613181914 - 20070613181914" /></div></p>
<p>O velho Maquiavel, do além, parecia só observar&#8230;<br />
Enquanto isso, aqui embaixo, no Hotel Inter Continental, em São Conrado, escutava-se, mesmo que timidamente, os ruídos de um vulcão até então adormecido, que voltava a eclodir em um momento extremamente propício, com toda a fúria de suas larvas, a retrucar: <em>“O que é o terceiro estado? Tudo. O que é que tem sido até agora na ordem política? Nada. O que é que pede? Tornar-se alguma coisa”. </em>E um forte cheiro de<em> “Liberté, Egalité, Fraternité”</em> tomava conta do recinto. Delineava-se, assim, o movimento que a partir dali originaria a segunda cisão no mundo do samba: a criação da Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso, onde se observava essencialmente o desejo latente dos “sans-culottes” de possuir os mesmos privilégios, a mesma opulência do clero e da nobreza. Uma velha ciranda, que nos faz constatar que o mundo é realmente uma grande reprise, um grande “vale a pena ver de novo”. E vale? Eis a grande interrogação que assombra os habitantes do Reio Carnavale.</p>
<p>Seja nas grandes revoluções que acontecerem mundo afora, seja no caso da recém-nascida instituição em questão, duas personagens estão sempre presentes: o sedutor e o seduzido. A experiência democrática no Brasil é marcada por esse aspecto. Muitas vezes, o sedutor é um traidor de si mesmo, enquanto o seduzido é um ser que, ao deixar-se atrair, trai sua liberdade e sua autonomia. </p>
<p>A criação da Liga Independente das Escolas de Samba em meados dos anos oitenta impulsionou de forma frenética o desenvolvimento do carnaval e das escolas envolvidas naquela grande empreitada. O modelo progressista implementado vingou, ganhou fama e visibilidade; as escolas receberam o presunçoso status de indústrias, embora a afirmação não seja de todo verdadeira. Mas, ao mesmo tempo em que a galinha dos ovos de ouro do turismo da cidade e cartão de visitas do Brasil mundo afora ganhava força, via-se descerrar de forma cada vez mais acentuada um abismo entre o carnaval produzido e o foco popular. O grupo de elite fazia, então, jus ao seu próprio nome.                   </p>
<p>Paralelamente, enquanto a corte empapuçava-se e se tornava um grande paraíso do dinheiro, da mídia, do turismo, do business; o agora coadjuvante Grupo de Acesso era visto como um imenso purgatório e, como tal, despertava em seus habitantes o constante desejo de libertação, já que ninguém tinha a pretensão de enterrar seu umbigo naquele grupo, tampouco fixar moradia. O desejo era sair dali o mais rápido possível, no melhor estilo <em>“desta terra não levo nem a poeira nos sapatos”, </em>tal qual Carlota Joaquina, e voltar ao paraíso para nunca mais de lá sair. Mas, a alegria de pobre durava pouco, e o sobe-e-desce era uma constante. Até que, um belo dia, a astuciosa serpente, que não é boba nem nada, tomou a palavra e disse:<em> “Pára tudo! E porque não transformar isso aqui em um New Paradise?”.</em></p>
<p>A idéia de criar uma instituição que venha fortalecer o marginalizado grupo de Acesso A é completamente válida. Embora não sejam multimilionárias, faltem-lhes o dinheiro e o glamour, encontram-se lá escolas que possuem a mesma importância histórica e cultural que as estrelas do Grupo Especial. Todavia a idéia de cisma (dependendo dos rumos), pode acabar transportando o carnaval para a Era Medieval, em que encontrávamos vários feudos. O feudalismo em meio à selva capitalista. Cada grupo pode ganhar envergadura e se enclausurar em seus castelos, largando o resto, as primas pobres, à própria sorte. Como disse, o sedutor é um traidor de si mesmo. A verdade é que ninguém pensa no carnaval como um todo; cada qual quer promover o desenvolvimento logístico e dar visibilidade ao seu próprio feudo. Desta forma, vê-se um processo que ratifica a desigualdade e a estratificação do samba. </p>
<p>É claro que não se pode tirar conclusão alguma neste momento. Não conhecemos nada sobre a embrionária instituição. Entretanto cabe uma reflexão a respeito do que já foi visto de bom e de ruim acontecer com as tentativas do passado. A criação da Liga Independente das Escolas de Samba trouxe crescimento para o evento e isso é público e notório, mas também teve o seu lado negativo ao direcionar o foco da festa para um outro público. Tais observações não significam a adoção de uma visão pessimista; todavia, já andamos tão traumatizados, tão calejados, tão embasbacados e estarrecidos com o caminhar do carnaval que tudo nos faz ficar ressabiado. Logo, não é nada difícil olhar os ideais da Liga do Acesso e não lembrar da pitoresca história do boi voador, onde de forma puramente maquiavélica, um verdadeiro espetáculo foi arquitetado e marcou a história da até então cidade Maurícia. A astúcia do Conde Maurício de Nassau, que desejava saúde para os cofres da coroa holandesa, visibilidade e a presença de grande público para prestigiar um grande evento, mobilizou a população com a disseminação da notícia de que um boi voaria&#8230;</p>
<p>Que isso não seja mais uma história de boi voador&#8230;<br />
O boi ainda dá bode! </p>
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		<title>A Indústria do Novo, A Antítese do Velho</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 04:27:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Philip Nascimento</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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Na inquietação do status quo&#8230;
O velho e o novo, conceitos comumente utilizados no cotidiano, requerem certo cuidado quanto aplicados ao contexto do carnaval e das artes de forma geral. O novo sempre sinônimo de oxigenação, de vanguarda, de progresso; enquanto o velho é visto como algo que precisa urgentemente ser destronado, alijado. De fato, essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="centralizado"><img src="http://blog.tradicaodosamba.com.br/up/t/tr/blog.tradicaodosamba.com.br/img/imagem_1.jpg" alt="imagem 1 - imagem 1" title="imagem 1 - imagem 1" /></div></p>
<p>Na inquietação do status quo&#8230;<br />
O velho e o novo, conceitos comumente utilizados no cotidiano, requerem certo cuidado quanto aplicados ao contexto do carnaval e das artes de forma geral. O novo sempre sinônimo de oxigenação, de vanguarda, de progresso; enquanto o velho é visto como algo que precisa urgentemente ser destronado, alijado. De fato, essa filosofia sempre esteve presente na história das sociedades, porém acentuada nesse olho de furação de novo milênio. Dois equivocados conceitos que, junto com escolas de samba, fizeram um casamento perfeito com a mídia; uma “aliança para o progresso” que exige o novo explícito e que se sobrepõe a tudo em nome da ruptura, do espetáculo, do escândalo. Mas, uma obra artística, um desfile de escola de samba, vale pelo que traz de novidade?         </p>
<p>Certa vez, perguntado sobre qual seria a novidade que traria para seu carnaval, Pamplona respondeu categoricamente que aquele seu desfile não traria nada de novo. Como? Uma afirmação como esta já naquela época parecia meio estranha, imaginem hoje, na sociedade cognitiva, em que a grande quantidade de informações precisa ser consumida em uma velocidade vertiginosa, como um delicioso sanduíche de borracha norte-americano. Não obstante, essa tendência de dar um sentido descartável a tudo termina sendo aplicada às artes, à linguagem estilística das escolas de samba, culminando com uma exigência atroz pelo novo. Deste modo, a sociedade da informação imprime um ritmo acelerado, e isso se reflete nas criações artísticas, principalmente na arte contemporânea, que muitas vezes atua como se verdadeiramente houvesse um evolucionismo artístico. Mas não há.</p>
<p>De forma ilustrativa, pode-se mencionar a concepção artística do tripé Rosa Magalhães, Renato Lage e Max Lopes, que não pode ser vista como uma evolução da matriz de onde saíram, da mesma forma que Paulo Barros e toda a terceira geração de carnavalescos não é uma evolução da segunda. O que existe são vários expoentes. Entretanto, isso acaba sendo justificado pela força que a mídia exerce sobre o carnaval e também pela dinâmica social mencionada anteriormente. Tomando Paulo Barros – a prosopopéia do novo – como principal vedete, observa-se que mesmo ele sendo “o último grito” em estética carnavalesca, já se percebe certa “frustração” quando o artista não consegue promover um desfile que nos desperte a mesma sensação de deslumbre de outrora. Em suma, o mago do novo se tornou refém da necessidade de sempre apostar no inesperado. Sem essa eterna cobrança, certamente tudo teria uma fluência mais natural.          </p>
<p>Assim, tudo o que é novo acaba ganhando grande valor, e as diversas formas de expressão artística acabam sendo depositárias dessa cultura. Talvez por se querer equiparar a produção artística a uma industria que tem por obrigação a inserção de novos produtos e conceitos no mercado. O resultado disso é que a arte acaba assumindo um caráter pretensioso e autofágico, mostrando o novo como antítese do velho, como se tudo o que fosse novo tivesse a obrigação de ser legitimado sob a alegação de ser “a última palavra”. A arte carnavalesca contemporânea em algumas ocasiões acaba saindo do foco quando busca de forma desenfreada a banalização do novo como sinônimo de escândalo e ruptura. O novo pelo novo. Ecos de 76&#8230; </p>
<p>Como conseqüência disso, a produção artística no carnaval, valendo-se da utilização de novas linguagens comunicativas, é sempre fato gerador de inúmeras reflexões sobre a “legalidade” da liberdade artística conferida aos artistas, uma vez que a busca constante pelo novo também traz consigo a cultura do “vale-tudo” em nome da arte e da liberdade de expressão. E tudo vale nesse Reino? Isso me faz lembrar aquele dito popular: “se você deixa o camelo colocar a cabeça dentro da tenda, ele entra, se instala e monta em cima de você”. Ora, se tudo vale em nome da arte carnavalesca, do novo, do chocante, porque não trocar o samba por outros gêneros musicais? Não estamos no milênio que traz o “novo” até em seu nome e, sendo assim, aberto a novas experiências? Seria algo inédito, assim como pista de esqui adentrando a Marquês de Sapucaí.  </p>
<p>A produção artística não deve estar condicionada a eterna busca pelo ineditismo, mas a sutil exploração e aprofundamento temático e estilístico. Picasso é o exemplo do artista inquieto e criativo, cuja trajetória foi um constante reinventar da própria obra. Já Giorgio Morandi, importante pintor italiano, situa-se no pólo contrário ao explorar durante décadas uma mesma temática (Natureza Morta) e um mesmo caminho estilístico. Pode-se por isso dizer que Picasso é criador e Morandi não? Pode-se dizer que os quadros de Morandi são a repetição de um mesmo quadro, destituídos, portanto, de criatividade? </p>
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		<title>E o Meu Samba Vai Ficar Assim&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jul 2008 17:53:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Philip Nascimento</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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		<description><![CDATA[
Eu só ponho bip-bop
No meu samba
Quando Tio Sam pegar no tamborim
Quando ele pegar no pandeiro
E no zabumba
Quando ele entender
Que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana
Chicletes eu misturo com banana
E o meu samba vai ficar assim&#8230;
Mas em compensação
Quero ver o boogie-woogie de pandeiro e violão
Quero ver o Tio Sam de frigideira
Numa batucada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="centralizado"><img src="http://blog.tradicaodosamba.com.br/up/t/tr/blog.tradicaodosamba.com.br/img/11094.jpg" alt="11094 - 11094" title="11094 - 11094" /></div></p>
<p>Eu só ponho bip-bop<br />
No meu samba<br />
Quando Tio Sam pegar no tamborim<br />
Quando ele pegar no pandeiro<br />
E no zabumba<br />
Quando ele entender<br />
Que o samba não é rumba<br />
Aí eu vou misturar<br />
Miami com Copacabana<br />
Chicletes eu misturo com banana<br />
E o meu samba vai ficar assim&#8230;</p>
<p>Mas em compensação<br />
Quero ver o boogie-woogie de pandeiro e violão<br />
Quero ver o Tio Sam de frigideira<br />
Numa batucada brasileira<br />
Quero ver o Tio Sam de frigideira<br />
Numa batucada brasileira</p>
<p>Quero ver a grande confusão&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>E COMO ENCONTRATAM, TAL QUAL ENCONTREI; ASSIM ME CONTARAM, ASSIM VOS CONTEI&#8230;</title>
		<link>http://blog.tradicaodosamba.com.br/2008/07/06/e-como-encontraramtal-qual-encontreiassim-me-contaramassim-vos-contei/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Jul 2008 19:54:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Philip Nascimento</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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		<description><![CDATA[Preâmbulo
&#8220;Cada era que atravesso mais se enterram meus alicerces e descem meus pisos com suas pilastras, assim diminuo tal qual os homens quando envelhecem.&#8221;
Dá Licença. Muito bom poder retomar as nossas proveitosas conversas aqui neste espaço. Espero que os senhores não tenham cansado da minha ausência e tenham mudado de canal&#8230; Aliás, mudança de canal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Preâmbulo</strong><br />
&#8220;Cada era que atravesso mais se enterram meus alicerces e descem meus pisos com suas pilastras, assim diminuo tal qual os homens quando envelhecem.&#8221;</p>
<p>Dá Licença. Muito bom poder retomar as nossas proveitosas conversas aqui neste espaço. Espero que os senhores não tenham cansado da minha ausência e tenham mudado de canal&#8230; Aliás, mudança de canal mesmo foi a que presenciamos nesse período de desarmar a barraca já pensando no outro dia de feira. Pois é&#8230; Contaram-me <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">os ventos</del>, antes mesmo que dessa verdade toda tomasse tento, embora já imaginasse os capítulos que viriam após o último carnaval&#8230; E depois de tanta mutação, a única que permanece intacta é a Beija-Flor. Anísio não dispensou nem a faxineira de sua residência. E essa equipe consolidada certamente é um dos caminhos do sucesso. Porém, enquanto não se aprende definitivamente esta lição básica, primária, o jeito é sentar e esperar o próximo embate entre “Os Mutantes” e<del datetime="2008-07-06T20:08:59+00:00"> “A Favorita”. </del>Continuemos&#8230; </p>
<p>Pois bem, vamos ao que interessa. Passar um longo período na geladeira muitas vezes pode nos ser de grande serventia, haja vista que, bem ou mal, há certo <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">distanciamento</del> do objeto constantemente estudado, observado. Pois foi tão somente o que aconteceu. Pegando carona nessa fase de apresentação dos enredos para o próximo carnaval, em que a arte de contar histórias na Sapucaí através dos temas que para ela são levados começa a ser esboçada através das sinopses, venho com uma espécie de exercício da metalinguagem para encontrarmos uma importante peça deste quebra-cabeça, peça esta de fundamental relevância no confronto entre Eras distintas e, conseqüentemente, visões de como desenvolver a arte de contar histórias na avenida também distintas, como forma de perpetuá-las no imaginário popular e disseminá-las por gerações afora, da mesma forma que acontece em regiões como o Norte e o Nordeste do Brasil, por exemplo, em que o simples ato de contar histórias faz parte do cotidiano, retrata a vida das pessoas como uma real testemunha dos fatos, dos momentos de medo, alegria e bravura do povo. </p>
<p>Assim sendo, se fossemos fazer uma reflexão ou até mesmo apontar a grande testemunha secular da história do carnaval carioca, quem seria esta ilustre figura? Quem atravessou o século sendo altamente onipotente <del datetime="2008-07-06T20:10:05+00:00">dentro de seus limites </del>e presenciou revoluções, transformações, alegrias e tragédias do carnaval carioca? A História? Sim, mas qual história? A “versão oficial” dos fatos, tal qual a <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">versão </del>do Brasil que a Mangueira vai levar para a Sapucaí em 2009 ou a versão deste mesmo país que esta mesma escola cantou em 88? Os livros? Não. É mais que evidente que tais registros são de suma importância e que constantemente nos servem como fonte de pesquisa desta longa narrativa repleta de personagens e estórias; todavia não são capazes por si só de provocar sentimento ou de servirem de base para revoluções, em que se vê a necessidade de algo mais pulsante como forma de despertar novamente o afeto pelo carnaval, pelo samba, pelas escolas e, conseqüentemente, por mudanças no sentido de apontar o foco da narrativa para quem verdadeiramente é o dono deste “folhetim”, quem formatou, deu cara e identidade a toda essa história.</p>
<p>Precisamos de um pouco mais de ânimo para sermos nós a testemunha secular e, sobretudo, atuante, desta narrativa; para que se possa ao menos fazer valer os ideais de resistência que foram plantados lá nos primórdios&#8230; E que não fiquemos apenas acompanhando as distorções nos princípios que balizam o carnaval como espectadores somente, para que mais tarde a competência para criticar não seja algo fora de nossa alçada. Porque não podemos delinear os caminhos desse enredo que, acima de tudo, é nosso ? Na TV, quando não gostamos do “Jornal Nacional” podemos rapidamente mudar para o “Jornal da Record” ou até mesmo desligar a TV e ir para a Internet, pois neste e em tantos outros casos somos detentores da opção de escolha. Bom mesmo seria se esta regra fosse válida para nossa relação com as escolas de samba, bem como para abrandar a nossa frustração em determinados momentos. Entretanto compreendo que no carnaval é bem mais complicada essa relação, pois quando não gostamos de ter Chile, Noruega, <del datetime="2008-07-06T20:05:15+00:00">Zimbábue</del> como enredo, abate-se sobre nós uma profunda crise existencial por estarmos entrando em conflito com a paixão por uma escola, ou seja, o conflito é com o coração, nada mais que o coração. E aqui estamos nós, caras pálidas, assistindo a tudo de forma pacífica, reduzindo a nossa relação com o carnaval ao mesmo patamar da TV, como se o carnaval fosse um corpo estranho, ou um objeto voador <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">não </del>identificado.        </p>
<p>Com efeito, é bem verdade que nesta fase “Vegetal de Sangue” em que nos encontramos a História ainda seja onisciente e onipresente, mas atue apenas como registradora dos acontecimentos – ou da falta deles - para mais adiante ser apenas uma simples reprodutora. E um belo dia no futuro, quem sabe, ela resolva nos contar algo, como se fosse um Cordel Nordestino, sobre este “período interrogativo e vegetativo” que vivenciamos; para expirar o seu pecado. Pecado de ver e nada fazer. Pecado de ter se petrificado e se anulado. Pecado por atuar de forma passiva e não militante diante das intempéries que se sucederem paulatinamente; assistindo calada aos gestos, vícios, e crimes se repetirem em cada geração que lhe “habitou”, nos mostrando o quanto o tempo pode ser comparado a um velho esquecido, pois permite que certas coisas aconteçam sem sequer esboçar qualquer reação. E ficamos como se fossemos feitos do mesmo material, da mesma matéria-prima que deu forma às arquibancadas da Sapucaí.   </p>
<p>Contaram<del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00"> os ventos </del>vindos da Zona Oeste que a Mocidade traria para a avenida um enredo sobre o Chile <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">(e estava armada a grande confusão!) </del>um país de pouca identificação com o Brasil, assim como tantos outros temas que já passaram pela avenida ultimamente. E qual o nosso papel diante disso? Eis aqui o primeiro conflito psicológico em nossas cabeças: “Minha escola já me emocionou com Martim Cecerê, e agora vem com Noruega” ou então “Já tive orgulho de minha escola com Tupinicópolis e agora terei que me rasgar de amores pela terra da Michelle Bachelet”. Dando continuidade, eis que surge o segundo conflito psicológico em nossas cabeças: “Eu devo apoiar minha escola mesmo sabendo dos caminhos tortos que ela toma, ou devo ser mais atuante, no sentido de querer – e principalmente de exigir - sempre o melhor para ela acima de qualquer coisa?” E, pra finalizar, o terceiro e mais avassalador conflito psicológico: “É melhor ganhar força financeira para competir com os grandes dinossauros, ou bom mesmo é ser feliz mesmo correndo o risco de amargar um péssimo resultado?” “Qual o meu conceito de felicidade?”. Fantasiado em outro cenário e outra contextualização – porém não menos dramático - aquele conflito de Hamlet aparece para nos aterrorizar: Vegetable or not Vegetable&#8230;</p>
<p>Seremos pra sempre “Vegetais de Sangue” petrificados nas arquibancadas da Sapucaí, ou o nosso papel enquanto parte mais que integrante e, portanto, matriz energética de toda essa festa deve sempre falar mais alto? Sendo assim, voltemos ao nosso eixo sobre a testemunha secular da história. Ficará registrado na história do carnaval tudo o que de fato acontecer, tantos os “Martins Cecerê” quantos os “Bacalhaus”, tantos os “Tupinicópolis” quando os “Chiles”; todavia, a verdadeira história ficará no inconsciente do povo, e este é, na verdade, o grande autor e contador de estórias e causos&#8230; É ele o relator de momentos que de alguma forma despertaram sensações e que serão repassados para as gerações seguintes. Nossa relação de afeto por Jamelão, por exemplo, será repassada para frente a ponto de as gerações futuras preservarem o mesmo carinho que hoje temos pelo mestre. E o que é isso? A mais que verdadeira testemunha secular da história.          </p>
<p>O lugar da história é o coração humano. É nele que estão os grandes momentos, como a criança lá do Nordeste que escuta desde pequeno as estórias, os causos, as lendas&#8230; Os singelos versos de Luís Câmara Cascudo, que tomei emprestado como título, atua com uma precisão cirúrgica ao denotar que a grande testemunha secular não é a História pura e simplesmente, mas a Memória Afetiva do povo que edificou seus alicerces, assim como a dos que receberam esta tal Memória Afetiva como herança. Isso mesmo, herança. E esta relação quase que hereditária está presente, nas mais diversas culturas pelo mundo afora e é uma das bases do folclore. O interessante em tudo isso é observar que as pessoas mais velhas certamente falam com saudade de carnavais passados, de tempos passados, e isso é mais que natural, uma vez que foram peças atuantes da engrenagem que impulsionou o período a que se remete de forma nostálgica. </p>
<p>Todavia isso não é exclusividade das pessoas que viveram em tais épocas, já que os mais jovens também acabam desenvolvendo o mesmo sentimento afetivo por períodos em que nem eram nascidos. Bossa Nova, uma<del datetime="2008-07-07T02:34:20+00:00"> senhora </del>de 50 anos, continua encantando as gerações subseqüentes à sua gênese, continua despertando o mesmo interesse e ganhando uma característica atemporal. Como explicar tal fato? Como um jovem garoto consegue desenvolver o mesmo sentimento afetivo por períodos do carnaval anteriores a sua existência? Há algo de sobrenatural nisso? Claro que não, e a resposta para tamanha confusão está, mas uma vez, nos versos do folclorista Luís Câmara Cascudo, pois a forma emotiva com que as histórias <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">(hoje há uma carência de histórias, enredos que tenham a força necessária para serem lembrados) </del>são contadas para as gerações futuras é responsável por este tipo de situação. Certamente quem nunca presenciou desfiles memoráveis da história do carnaval nutre um sentimento de ternura similar ao dos que testemunharam e atuaram para que a história se perpetuasse no imaginário popular. Ao tomarmos conhecimento de tantos momentos, de tantas histórias envolventes, nos colocamos no lugar, como se pudéssemos ser transportados para uma realidade distinta da atual. </p>
<p>A peculiar visão da História, que coloquei desde o início personificada na figura de toda essa gente que verdadeiramente faz o samba, assistiu tudo o que aconteceu dentro de seus limites, desde a sua “criação” até os dias atuais, em que, apesar de possuir tanta vida dentro de si, passa por momentos de extrema solidão, já que outrora era testemunha de momentos de emoção, hoje testemunha do mais <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">uníssono </del>silêncio.   </p>
<p>É preciso pensar no que estamos produzindo de interessante e que mereça verdadeiramente ser repassado para as gerações futuras, partindo do pressuposto de que as gerações futuras deveriam herdar histórias belas, de bravura e coragem, de suor e lágrimas; assim como nós herdamos de nossos antepassados, no que diz respeito aos belos capítulos que o carnaval produziu e que se tornaram parte mais que essencial da cultura popular brasileira. Abro aqui um parêntese e peço licença aos senhores para uma pequena crise existencial que neste exato instante abateu sobre esta pessoa que vos fala: Oh, céus&#8230; Mas seria isso a <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">praga da </del>Nostalgia? Até que ponto cultivar o pensamento de que “o que é bom ficou no passado” nos impede de ver a atual realidade com olhos mais complacentes? Estaria eu, trazendo este pensamento, <del datetime="2008-07-06T19:47:38+00:00">após passar quatro meses na geladeira</del>, caindo nesta mesma cilada? Tirem suas próprias conclusões&#8230; </p>
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		<title>Mês de junho pra esquecer: Sai Paulo Barros, entra Milton Cunha. Morre Jamelão e agora Aroldo Melodia</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jul 2008 00:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Almeida</dc:creator>
		
		<category>Opinião</category>

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		<description><![CDATA[Salve, Salve!
Voltando as atividades, depois de alguns meses “hibernando”, mais uma vez por motivos profissionais que me afastam da cidade maravilhosa, eis que ressurjo das cinzas. Aproveitei este tempo para estudar um pouco, porque o dinamismo da internet é enorme, e todos os dias aparecem novas tecnologias, mas se eu for aplicar tudo o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Salve, Salve!</p>
<p>Voltando as atividades, depois de alguns meses “hibernando”, mais uma vez por motivos profissionais que me afastam da cidade maravilhosa, eis que ressurjo das cinzas. Aproveitei este tempo para estudar um pouco, porque o dinamismo da internet é enorme, e todos os dias aparecem novas tecnologias, mas se eu for aplicar tudo o que aparece iria enlouquecer. Então, optei por coisas práticas que não pesam muito no site e o deixam com uma cara mais limpa e objetiva. Bem, neste período, além de muitas feijoadas e encontros, algumas coisas merecem ser comentadas.</p>
<p>Sei que pode parecer que estou atrasado, mas nunca é tarde para falar de Jamelão. Este baluarte nos deixou no mês passado, e com ele ficou um vazio no peito. Dos mais velhos aos mais novos, todos, sem exceção, se acostumaram a ver aquela figura ranzinza em cima do carro de som da Mangueira, cheio de elásticos transpassados nos dedos e uma voz insuperável que se confunde com a própria escola. Eis aí um posto difícil de ser substituído. Luizito, o agora intérprete oficial, ainda não convenceu e é inconstante, talvez pela responsabilidade que tem a frente da escola mais amada do Rio. Ano passado ouvi um boato de que nada menos que Emílio Santiago estava se preparando para assumir o posto, mas o próprio teria se esquivado e dito que não tinha o traquejo para tal. Mas que ele está rondando a escola com mais freqüência é fato, e se é verdade ou não, só o tempo para dizer. </p>
<p>Hoje, friamente recebo um e-mail com o seguinte título: Morre Aroldo Melodia. Caramba! Poderia ser um pouco mais ameno. Depois que caiu a ficha, mais uma vez fica a saudade de um intérprete e compositor que, como Jamelão, escreveu seu nome na história do samba. Desfiles memoráveis e seu jeito irreverente de cantar e mais uma vez uma figura que se confunde com a história de sua escola querida, a União da Ilha. Graças a Deus, tenho comigo gravações antológicas deste cidadão do samba. E em uma dessas gravações, ele canta: “Se um dia/Eu deixar de desfilar/Pela União da Ilha/Vou chorar&#8230;” Apesar de nunca ter ganhado um título em sua carreira, nos deixou interpretações memoráveis: Domingo, É Hoje, O Amanhã, O Que Será? Que vá em paz&#8230;</p>
<p>E na Viradouro, as coisas não andam lá muito bem. Após uma confusa disputa para a presidência, onde até Luma de Oliveira (?) queria assumir o posto, sobrou para o carnavalesco Paulo Barros. Confesso que não sou um admirador do trabalho dele, mas desta vez acho que ele foi “boi de piranha”, igualzinho ao Dominguinhos. Li em algum lugar que a escola estava divergindo das idéias dele, e que ele não queria fazer um carnaval tradicional. Em primeiro lugar, todos sabem a direção de Paulo Barros, com suas idéias mirabolantes que nem sempre, vejam, nem sempre, agradam. Mas além dessas idéias, já o vi fazer carnaval tradicional. Quando a Estácio subiu, em 2006, não vi nada de futurístico. Tirando o carro em que os componentes formavam figuras e o símbolo da escola, nada demais mesmo. Acho que é uma questão de vontade de chegar a um denominador comum. Ele pode ser o que for, mas tenho certeza que uma boa conversa pode mudar muitas idéias, e, desculpe o termo, burro ele não é. Então, creio que a escola já estava pensando nisso há algum tempo. A escola tem todo o direito de admitir e demitir que e como achar melhor, mas na Viradouro falta transparência. </p>
<p>Pegando essa canoa meio furada, Milton Cunha vai precisar concretizar todo seu vasto conhecimento e mostrar que, além de bom professor, historiador, palestrante e outras coisas mais, é também bom carnavalesco. Se tiver o respaldo da escola e puder desenvolver seu trabalho, acredito em um bom carnaval para a escola.</p>
<p>Até a próxima!!</p>
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