Para tudo não se acabar na quarta-feira parte 4—análise da segunda-feira de carnaval

Para enfim encerrar os comentários sobre o carnaval 2009, segue abaixo as impressões sobre a segunda de carnaval:

PORTO DA PEDRA

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- Mal começou o desfile e os problemas da escola começaram também. A Porto da Pedra estava com dificuldades para acoplar os tripés e os dois chassis do carro abre-alas, já sinalizando o que seria o desfile inteiro.

-Em resumo da ópera, a Porto da Pedra tentou ser uma escola maior do que ela tem capacidade de ser. Faltou planejamento adequado, afinal não basta ter grandes alegorias, é necessário conseguir atravessá-las a Sapucaí sem problemas. Neste ponto, o aclamado Max Lopes também pecou, pois o carnavalesco tem que ter conhecimento da realidade da agremiação em que trabalha, e não vislumbrar um desfile que a escola não suporta realizar.

-Ainda assim, Max Lopes realizou um bom trabalho e saiu do carnaval 2009 bem cotado. Isso porque, em ano de crise, ele conseguiu colocar uma boa estética na avenida, logo em uma escola que geralmente peca neste departamento. De forma geral, o carnavalesco fez valer de sua experiência para realizar um trabalho correto e sem grandes ousadias.

-Por outro lado, esta solução de tentar convencer pelo gigantismo sem justificativa de um abre-alas cheio de pequenos tripés acoplados está pra lá de batida. Se quer fazer carro grande, que ao menos haja motivo para isso. Tentar ganhar boa nota com vários tripés iguais não passa de engana bobo.

-Pouquíssimas alegorias entraram rapidamente no desfile. Boa parte teve problemas ou para acoplar, ou na manobra (mesmo carros pequenos tinham alguma dificuldade), ou antes mesmo de entrar na avenida, talvez devido ao viaduto.

-No restante, a Porto da Pedra apresentou um samba que não era dos melhores, uma comissão de frente razoável para o (fraco) padrão do ano, um enredo um tanto vago/subjetivo, o que não favorece na hora da nota. Somando a evolução completamente comprometida pelos problemas apresentados, a escola fez um desfile para disputar o rebaixamento com a Mocidade, embora a segunda estivesse mais cotada ao acesso, caso não fossem jogar o Império na vala, claro.

SALGUEIRO

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- A bateria do Salgueiro entrou na avenida, como se diz, furiosa. Com direito à coreografia, presidente Regina Duran sambando ao lado da popular Viviane Araújo, reverência do intérprete Quinho, paradinha funk para que fosse cantado o hit carioca “Salgueiro é o Caldeirão”, muitas bandeirinhas, como de costume, enquanto o abre-alas já impunha presença na entrada da avenida. Todo este cenário nos preparativos do desfile de uma das escolas mais populares da cidade provocou os únicos gritos de “É Campeã” que o Setor 1 entoou em alto e bom som nos dois dias de grupo especial. Nem mesmo durante o desfile do Salgueiro a cena se repetiu, até porque o áudio no início da pista estava horrível até a bateria sair do primeiro recuo.

- Por alguns momentos achei que o desfile do Salgueiro iria par o ralo, como o da Porto da Pedra, uma vez que a segunda e terceira alegoria tiveram dificuldades para entrar na avenida. O espaço começava a ser criado, quando um diretor de harmonia corria e berrava “segura a escola!”. No fim das contas, o Salgueiro conseguiu colocar suas alegorias no desfile sem criar nenhum grande buraco que comprometesse as pretensões de campeonato.

- O samba, muito criticado, não impediu o desfile campeão da escola. Isso porque as outras duas favoritas, Beija-Flor e Vila, também não tinham bons sambas. Aliás, o nível de sambas este ano não passou de mediano, e no julgamento os jurados desvalorizaram ainda mais o quesito, dando 40 pontos para Salgueiro e Beija-Flor. O samba do Salgueiro cumpriu o papel de ser funcional e não colocar em risco o desfile da escola. Mas isso não apaga o detalhe da obra não estar à altura do enredo e da estética apresentada, bem como da importância de ter embalado a agremiação campeã. Observando a galeria dos sambas imortalizados por terem gerados títulos, o samba do Salgueiro é um dos piores dos últimos 15 carnavais.

- Se o samba da escola só cumpriu o papel de não comprometer, ficou a cargo de Renato Lage ser o principal responsável pelo sucesso do Salgueiro. A começar pelo enredo, adequado ao universo do carnaval e ao estilo do Salgueiro, um dos melhores do ano. Em seqüência, as fantasias: de fácil leitura, uso cromático de muito bom gosto, formas adequadas, quase todas luxuosas, mas leves e propícias para o componente desfilar sem dificuldades, creio eu ser o melhor conjunto de fantasias do ano. E, por fim, as alegorias, que sempre foi o ponto forte do trabalho do Renato. Os adjetivos dados às fantasias servem também às alegorias. Há de se destacar que não foi um trabalho completamente inovador, mas mesmo assim foi suficientemente criativo, onde percebemos resoluções diferentes para cada alegoria, seja nas cores, no uso dos materiais, nas esculturas, na iluminação, na variação de estilo (alegorias imponentes alternando com outras mais “leves” e menores; alegorias modernas alternando com outras mais tradicionais, etc). Fiquei com a impressão de que o Renato carregou o Salgueiro nas costas. Não que ele seja o único responsável pelo sucesso do desfile, mas ele foi o diferencial que justificou o campeonato.

- E falando nos demais responsáveis, claro que para atingir a primeira posição o Salgueiro precisou de uma administração competente, verba (se alguém souber de onde surgiu esse dinheiro me avisa), o bom casal de mestre-sala e porta-bandeira, a comissão de frente que foi uma das melhores do Especial, a acelerada bateria em sintonia com o estilo do samba e a empolgação de Quinho, a liderança de Tavinho que deixou a escola organizada na avenida, gerando a boa evolução.

- O Salgueiro mereceu o campeonato. O título da escola tem outras importâncias:

1-Impediu que a Beija-Flor ganhasse mais um título; nada contra a competência nilopolitana, mas a alternância de escolas campeãs faz bem à saúde do carnaval;

2-Foi um campeonato vencido com um grande enredo, digno de toda a história do carnaval e, importante lembrar, não patrocinado. A liberdade do carnavalesco é fundamental, e enredo de escola de samba não é outdoor, é importante priorizar a cultura nos desfiles;

3- Foi a quarta vitória de Renato Lage. Considerando a importância do carnavalesco para o carnaval e a grande quantidade de grandes desfiles que ele já promoveu, Renato tem um número pequeno de títulos no currículo. Mesmo sendo um dos carnavalescos que estão por mais tempo em atuação, consegue sempre se renovar, surpreender e realizar trabalhos dos mais competentes. Vejamos que mesmo Rosa Magalhães andou perdendo o fôlego.

4- Renato ao ganhar afirmou ser a vitória do “carnaval-arte”. Isto exclui modismos, excesso de luxo, alas e carros completamente coreografados (falta de espontaneidade), falta de criatividade e repetição de fórmulas, como no uso à exaustão de imensas esculturas de isopor. A estética-arte do Salgueiro pode servir como exemplo a ser seguido pelas co-irmãs, com mais criatividade, qualidade e menos excessos. A busca pela estética impactante tem seus limites e seus melhores caminhos.

5- De negativo, a vitória do Salgueiro reafirma a tendência do carnaval atual de desvalorização do samba-enredo. Um ótimo samba não é mais fundamental para se chegar ao título.

IMPERATRIZ

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- A Imperatriz decepcionou. Realizou ensaios empolgantes que geraram ótima expectativa em torno da escola. O samba irregular parecia que renderia muito bem. O enredo sobre Ramos, passando pelo cinquentenário da escola, era um bom motivo para tornar os componentes ainda mais aguerridos para realizarem um bom carnaval. O sexto lugar em 2008 dava sinais de que a agremiação estava se recuperando de uma pequena crise, e poderia até mesmo sonhar um pouco mais alto. Da carnavalesca Rosa Magalhães esperava um trabalho que deixasse explícito sua experiência e talento, superior aos anos fracos de enredos patrocinados, pois agora se tratava de um enredo autoral, onde ela teria liberdade suficiente para desenvolver sua arte. Mas as coisas não foram bem assim…

- Alegam os componentes da escola que a Imperatriz já não era a mesma escola perfeccionista na concentração, com pirâmide do carro batendo no viaduto, desorganização…

- Paulinho Mocidade tanto quis retornar ao carnaval que conseguiu. E decepcionou. Sua atuação foi muito criticada, e o comentário de muitos após o carnaval é de que o intérprete não se acertou no canto, fazendo com que o samba (que não passava de mediano) morresse na avenida. Treino é treino, jogo é jogo.

- A bateria, por sua vez, foi muito bem. É muito agradável ouvir a bateria da Imperatriz, foi uma das melhores do ano. Enfim a escola se acertou no quesito, com um jovem mestre de bateria, Mestre Marcone.

- Rosa Magalhães fez um trabalho razoável. Por razoável compreende-se que ela foi muito aquém da carnavalesca consagrada que é, mas que em ano de crise ainda consegue segurar as pontas. Errou feio na idealização da alegoria “liberdade, liberdade”, que mais parecia um tripé com mau acabamento. O abre-alas pecou pela previsibilidade: mais uma vez as bolinhas verde-limão contrastando com o branco e uma iluminação que era a mesma do abre-alas de 2008.
Imagino que o casamento entre Rosa e Imperatriz terminou porque mornou, caiu em lugar comum, se tornou um cotidiano previsível e monótono. Não houve nada trágico, nenhuma “traição”, mas era um casamento que já não levava nem uma nem outra a lugar algum. Novos ares podem revigorar o trabalho de Rosa e trazer de volta a Imperatriz para a disputa dos primeiros lugares. Ambas estavam acomodadas. Fôlego novo!

- Moral da história: Imperatriz poderia ter voltado no sábado das campeãs, mas o sétimo lugar não chega a ser injusto. Foi um desfile comedido, de ponta a ponta mediano, à exceção da bateria. Apesar disso, foi um ano importante pela homenagem a Ramos como desfecho da era Rosa Magalhães na Imperatriz. É um fato marcante, pois é muito raro um profissional, sobretudo carnavalesco, ficar tanto tempo na mesma agremiação. A união de Rosa e Imperatriz é um capítulo à parte na história do carnaval.

PORTELA

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- Portela tem provocado grandes dúvidas às vésperas dos últimos carnavais. É uma grande escola, tradicional e forte, mas há muito tempo sem conquistar um título. Depois de anos de colocações medianas, chegou ao fundo do poço em 2005 e de lá parece estar encontrando forças pra se reerguer. O quarto lugar de 2008 sinalizou que a escola pode voltar a disputar campeonatos. No entanto, a Portela está sempre atrasada, sendo a última a decidir o enredo e com o barracão desesperadoramente cheio de ferro e madeira até às vésperas do carnaval. De quebra, anda apostando em carnavalescos novos, deixando uma dúvida sobre o sucesso do desfile. Felizmente as interrogações se converteram em uma boa surpresa.

- A Portela passou bem. Jorge Texeira apresentou uma boa comissão de frente, com direito a um Rei Arthur interpretado por Thiago Soares, primeiro-bailarino do Royal Ballet de Londres . A agremiação evoluiu bem, mostrando-se organizada.

- O samba portelense também foi um dos pontos altos e auxiliou na eficiente harmonia, embora um enredo sobre o amor merecesse uma letra mais poetizada, subjetiva, menos descritiva. No entanto, considerando a safra morna do ano, a obra ainda se destaca. Inclusive achei um tanto esquisito a Portela perder dois décimos neste quesito, enquanto Salgueiro e Beija-Flor ganharam nota máxima.
O trecho “São vinte e uma estrelas que brilham no meu olhar/ Se eu for falar da Portela não vou terminar” é um dos melhores do ano, e serviu para embalar os foliões-torcedores. Mas, por outro lado, seria saudável que a escola escolha um samba de outra parceria em 2010, uma vez que Diogo Nogueira e cia engataram três vitórias consecutivas, o que faz com que os sambas recentes da escola tenham um estilo parecido. Isto, claro, se houver outro concorrente à altura. Em 2009 tinha.

- Os carnavalescos Jorge Caribé e Lane Santana mostraram imaturidade no desenvolvimento do enredo, que foi aos moldes de muitos outros enredos atuais. A escola ainda se repetiu ao novamente mostrar o nacionalismo, a tecnologia, o politicamente correto… Assuntos de outros carnavais. Falando em tecnologia, este setor gerou o pior trecho do samba, do enredo e a pior parte estética, bola fora. No fim das contas, faltaram sensibilidade, emoção e poesia para tratar um tema tão rico como “amor”. Os carnavalescos também pecaram por optarem por uma abordagem mais moderna para o tema. Provavelmente um desfile com uma visão mais romântica daria mais certo dentro da tradicional Portela.

-A estética da escola oscilou demais. No que se refere às alegorias, percebe-se que faltou tempo para dar um melhor acabamento nas quatro últimas alegorias, contrastando com a qualidade das três primeiras. Apesar da torre do castelo tombada, o abre-alas impactou; a águia estava digna de sua importância para o carnaval. Em sequência, o Taj Mahal e a alegoria sobre a África também estavam muito belas. Destaque também para o bom conjunto de fantasias que antecedeu o segundo carro, em oposição a alas como aquela que representava celulares.

- A Portela mostrou estar revigorada e com sede de título. Os portelenses já podem voltar a sonhar com esta possibilidade, há muito tempo ela não estava tão próxima. No entanto, a escola precisa preparar seu carnaval com um cronograma mais bem organizado. Outro detalhe, a aposta em novos carnavalescos tem se mostrado insuficiente para se alcançar o título. Veremos se o presidente Nilo dessa vez acertou na dupla escolhida para comandar os trabalhos para 2010. Se não acertou, seria bom que para 2011 ele investisse em um carnavalesco mais experiente.

MANGUEIRA

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- A crise na Mangueira foi tão grande que até as bandeirinhas estavam escassas no Setor 1.

- O que dizer das alegorias da Mangueira? A situação da escola estava exposta em cada pedaço de ferro e madeira que desfilaram pela avenida aos olhos nus. A escola passou num nível compatível com os piores conjuntos alegóricos do acesso A. Sendo assim, ficou até difícil julgar o trabalho do carnavalesco Roberto Szanieck, afinal ele projetou um desfile que não foi pra avenida, e por motivos que fugiram de seu planejamento. Mas é válido chamar a atenção para os antílopes na terceira alegoria, com os imensos animais-fantoches.

- Quanto às fantasias, o carnavalesco foi mais feliz nos setores em que valorizou o rosa. Num todo, um conjunto razoável.

- Se faltou em estética, sobrou Mangueira quanto aos quesitos extra-espetáculo visual. A escola desfilou com muita garra, cantando o samba eleito o melhor do ano. È exatamente em momentos de crise que percebemos o potencial e força de uma escola de samba. A Mangueira fez valer sua rica história na avenida.

-Giovanna e Marquinhos formaram o único casal a ganhar a nota máxima. A saída deles da Mangueira é lamentável porque se tratava de um dos casais que mais tempo estava em uma mesma agremiação. Os dois dançam juntos desde 1995, mas Marquinhos era o primeiro mestre-sala desde 1992. Ao menos, Marquinhos alegou estar indo para outra escola por divergências com alguns integrantes mangueirenses, e não por um maior salário, como é de costume.

- A comissão de frente, coreografada por Janice Botelho, teve uma apresentação um tanto diferente, com destaque para a acrobacia dos integrantes girando na bússola. Porém, a coreografia foi irregular quanto ao uso do tripé, que por ter componentes em cima dele quando estava em movimento foi caracterizado como 9ª alegoria, extrapolando o número máximo permitido. O fato foi penalizado pelos julgadores, passou imperceptível pela mídia e foi ignorado pela Liesa.

- 2009 foi um ano de prova de fogo, que a Mangueira mostrou saber lidar muito bem. A forma aguerrida como os mangueirenses lidaram com a situação ajudará na recuperação da escola, que já está com fôlego renovado com a chegada de Ivo Meireles e uma nova equipe. A Mangueira terminou o carnaval de cabeça erguida e sensação de campeã. E eu acredito bastante no que virá por aí.

VIRADOURO

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- Concentração esquisita na Viradouro. Primeiro, um carnavalesco duelar atenção com uma rainha de bateria é quase impossível. Mas Milton Cunha sabe chamar atenção. De terno rosa choque, descalço, dançando para os orixás, é impossível não reparar. Mas Juliana Almeida, rainha de bateria, também soube atrair olhares, com samba no pé, o corpo que o posto exige e em sincronia com a bateria de Mestre Ciça, que alternava o som dos atabaques dos terreiros ao batuque do samba.
A segunda questão é que o samba 2009 começou a ser cantado e a escola estava parada na esquina da avenida, à espera do casal de mestre-sala e porta-bandeira, devido a problemas com a fantasia de Ana Paula. E mais uma vez a Liesa jogou o regulamento no lixo (pois é, não é só a Lesga que fez isso), e deu à Viradouro um tempo superior aos 5 minutos que ela teoricamente teria para se aquecer e iniciar o desfile. O cronômetro só começou a marcar o início do desfile após a chegada do casal, excedendo em cerca de 5 minutos o tempo natural de concentração das agremiações.

- A bateria da Viradouro é uma espécie de ame ou odeie. Os jurados amaram e deram nota máxima. Boa parte do público também se diverte com as coreografias e paradinhas ousadas que Mestre Ciça elabora. Por outro lado, o júri do estandarte de ouro parece não gostar, afinal o mestre nunca foi agraciado com esta premiação. Muitos também criticam a bateria de Niterói por ser o chamado “trem de ferro”, devido à “pegada” extremamente acelerada, não sendo um andamento ideal para um desfile de escola de samba. Polêmicas à parte, Ciça sai da Viradouro consagrado, como um dos nomes de maior importância na boa fase que a agremiação viveu a partir do campeonato de 97. Ciça estreou em 1999, completando em 2009 11 anos na Viradouro. A sua fama ainda foi potencializada pela presença sempre participativa, atrativa e algumas vezes polêmica de Luma de Oliveira e Juliana Paes a frente da bateria. Fica na memória a cena da bateria ajoelhada e o público em êxtase no desfile de 2001. Foi mais um importante casamento que o carnaval 2009 encerrou.

- O enredo da Viradouro foi um dos mais polêmicos e criticados do ano. Milton Cunha aproveitou o espaço que tinha em seu blog para defendê-lo como pode. O carnavalesco relembrou até os enredos criativos de Fernando Pinto para dar credibilidade ao seu. No fim das contas, os jurados foram razoáveis e tiraram apenas cinco décimos.
Há quem ache que a melhor alternativa era falar dos biocombustíveis de uma forma direta, sem invenções. Eu penso que Milton foi esperto, pois mesclar a parte cultural e religiosa da Bahia no enredo certamente ajudou na idealização estética e na construção do samba, afinal o estado e seus orixás sempre renderam bons carnavais. Entre tantas viagens carnavalescas para se fazer um desfile patrocinado, acho que já vi coisa pior por aí. A única dúvida é: o patrocínio veio?

- Quanto ao trabalho estético, o carnavalesco fez um trabalho mediano. Em relação às alegorias, foi interessante perceber que Milton conseguiu resoluções diferentes para cada carro, quase todos com uma concepção interessante, mesmo quando não eram tão belos. Destaque para a terceira alegoria.

- O samba da Viradouro teve um desempenho mediano. A obra tinha uma melodia ao estilo da escola, porém a letra não era das melhores. A evolução e harmonia também estavam neste padrão. A comissão de frente, por sua vez, foi muito bem e se destacou como uma das melhores de 2009.

- A impressão final a respeito do desfile da Viradouro é relativa. A vermelho e branco de Niterói não atravessa uma boa fase, perdeu o lugar cativo que tinha no sábado das campeãs. Porém, um 8º lugar não soa tão mal depois de muitas críticas ao enredo, ao samba, ao único ensaio realizado na Sapucaí, tendo a qualidade estética colocada em dúvida na fase pré-carnavalesca e considerando ainda a crise financeira que desesperou as agremiações e suas torcidas. Para uma escola que chegou a ser cotada como candidata ao rebaixamento, a Viradouro se saiu bem. Mas a agremiação ainda continua como uma dúvida para 2010, com futuro incerto.

TRANSMISSÃO DA GLOBO

Globo Carnaval 1 - Globo Carnaval 1

- Glenda Kozlowski tentou compensar a inexperiência com sua simpatia, mas ainda tem muito o que melhorar. A verdade é que este formato que a Globo criou, com dois profissionais de transmissões esportivas comandando o carnaval talvez seja adequado para o público em geral, mas para o público amante do carnaval seria mais adequado que pessoas com conhecimento real sobre o assunto realizassem a apresentação. Isso porque nós muitas vezes sabemos muito melhor o que Glenda e Kleber Machado estão dizendo. Isso sem falar que a relação de diálogo entre comentaristas e apresentadores é muito engessada e pouco divertida. Basta assistir aos programas especializados em carnaval nas rádios para perceber que as transmissões na TV poderiam ser bem mais interessantes. A cobertura do carnaval paulista continua melhor do que a dos desfiles cariocas.

- Fiquei com a impressão de que a Globo colocou mais câmeras em ação este ano. Bacana também que algumas estavam em locais diferentes, gerando imagens inéditas dos desfiles. Lamentável a queda de uma delas nas frisas durante o desfile da Mangueira.

-Outro tímido avanço foi que este ano deu pra ouvir pelo menos trechos do esquenta de algumas escolas. Não é o ideal ainda, mas é melhor do que nada.

- Por outro lado, a emissora ainda falha na edição, cortando as imagens das apresentações de comissões de frente, casais de mestre-sala e porta-bandeira e baterias. Outra falha é a falta de informação em alguns momentos, não esclarecendo qual o problema na dispersão que parou a evolução da Porto da Pedra, por exemplo.

- Chico Spinoza este ano não elogiou tudo o que viu, como fez em 2008. Ainda está muito bonzinho, mas ao menos em 2009 fez algumas críticas. Até porque não interessa à Globo colocar defeitos no produto que ela está vendendo.

- Lembrando que no domingo todos os amantes do cinema tiveram uma ligeira vontade de jogar uma bomba na Sapucaí pelo fato da Globo ter preferido os desfiles à transmissão do Oscar.

- Em números de Ibope, a Globo alcançou média de 21 pontos durante a transmissão da apuração das escolas cariocas (enquanto as outras emissoras marcaram em média 5 pontos); 31 pontos durante a apuração das escolas paulistas (o que chega a ser até o dobro do ibope no horário); 12 pontos para transmissão do primeiro dia de desfile das escolas de SP, enquanto no sábado a média foi de 14 pontos; 12 pontos na cobertura da primeira noite do grupo especial carioca e 13 pontos durante os desfiles da segunda-feira. Os números, de uma forma geral, anunciaram aumento da audiência em relação a 2008. Em relação a patrocínios, foram vendidas as cotas nacionais para o Bradesco e Nova Schin, por R$ 18,5 milhões cada uma. O carnaval continua sendo um negócio bastante lucrativo para a emissora.

E que venha agora o carnaval 2010!

Uma resposta para “ Para tudo não se acabar na quarta-feira parte 4—análise da segunda-feira de carnaval ”

  1. edisinho disse:

    Gosto bastante deste blog porque tem como tema o carnaval do rio que me agrada desde criança. Lembro-me muito bem de uma manhã de carnaval em que eu estava no quintal e minha irma me chamou para ver uma coisa fantastica que estava passando na tv. Era o desfile de uma ecola de samba que já desfilava com sol alto e linda cantava: “quero ser a pioneira a erguer minha bandeira e plantar minha raiz…” a partir deste dia passei a torcer pela mocidade e fico triste com o atual momento pelo qual ela esta passando. Tomara que em 2010 o cid carvalho dê a ela uma boa colocação. Quanto aos seus comentários, como sempre são muito pertinentes, porém ainda sinto neles uma certa má vontade com a escola Beija-flor. Como amante dos desfiles das escolas de samba (amo todas as escolas), o que me preocupa é que esta má vontade comece a se manifestar nos jurados, o que para mim já aconteceu este ano com a escola nilopolitana. Um dos jurados, de maneira irônica (para mim), justificou a sua nota: “Hours concours, mas é concurso” (esta é a primeira parte da justificativa), não mostra coesão com a segunda parte da justificativa. O que para mim soou como intençao em prejudicar a escola. O jurado não deve avaliar com a intenção de prejudicar qualquer que seja a agremiação. Quanto ao milton cunha, ele deveria ficar de fora de qualquer barracão, pois jamais fez um bom trabalho nas escolas pelas quais passou.

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