O Rei Sol da Corte Caxiense

Quem quer um rei absolutista?
Acima das leis consuetudinárias, acreditando ser o Estado e o responsável único pelos rumos da escola de Caxias, bem como de sua comunidade, entra em cena – como tantos outros monarcas deste reino assim fizeram - o Rei Sol bordado em ouro da corte caxiense, tirando de seu povo o inconteste título de astro-rei da festa e fazendo valer o mais puro absolutismo sobre o chão do mundo contemporâneo e, não obstante, sobre o palco do samba. Chá com brioches era a que se assemelhava o encontro da corte deslumbrada que definiu o tema da Grande Rio para o próximo carnaval: enredo sobre um camarote, devidamente maquiado de modo parecer um romântico baile de máscaras, com pierrôs, arlequins e colombinas tentando camuflar a cruel e nada animadora realidade, ou, se assim preferir, “Da arquibancada ao camarote nº 1, 25 anos da folia no palco da fantasia”.
Nada mais comum em tempos de extrema vaidade e egocentrismo, em que pisar na avenida poderosa e bordada em ouro, embalada pela alegoria colossal e pela fantasia enterrada em faisões indicativos de status vem sendo a grande motivação dos dirigentes das escolas, reis absolutistas coroados pelo próprio sistema. Não obstante, tudo isso parece estar acima da comunhão entre o samba, as escolas e sua própria gente. Como tantas outras, - sim, não adianta apedrejar somente a jovem tricolor e fechar os olhos para o contexto em que ela está inserida -, foi desta forma que a Grande Rio da Era dos Felipes, de Prestes, Chateaubriand e do Profeta Gentileza se transformou rapidamente na escola do Moça e do Ninho, do Coari e do Camarote.
Com efeito, diante de culturas de desfile impostas de cima para baixo, muitas delas incompatíveis, o povo caxiense, - que, embora muitos prefiram não enxergar, tem, sim, uma história, por mais sutil que esta seja se comparada ao panteão de escolas responsáveis pelos ricos pergaminhos do carnaval -, termina alijado de sua própria escola, sendo tão somente o carregador, na avenida, de fardos que jamais desejou e, sobretudo, rebaixado de astro-rei de outrora ao simples status de meio pelo qual se chega ao árido fim, sendo completamente ignorado enquanto se exalta Gisele Bündchen, a madrinha do camarote, bem como artistas, rainhas de bateria e todo o império do swarovski. De fato, muitas máscaras e uma força-tarefa descomunal serão necessárias para transformar em bela viola este pão que já nasce bolorento e que vem se juntar a Poços de Caldas, Bacalhaus, Macapabas, Coaris e, assim, ajudar a compor o circo de horrores do carnaval carioca.
21 de Janeiro de 2009 @ 02:45
Eu ainda não acredito que este enredo irá à frente e preferi apagá-lo da cabeça pelo menos até o final do Carnaval, afinal gosto muito do samba da GR deste ano e, mal ou bem, ela está livre finalmente de Szaniecki.
Ainda assim, há de se ressaltar que o que mais me espanta diante desta notícia é o fato de trazer imbutida a noção de que a escola terá bom resultado este ano (afinal, precisará de grana, e o carnavalesco está mantido antes do Carnaval - o Jaider, para fazer isso, tem de estar bastante certo) e, mais que isso, mesmo que quebre 2 alegorias não cairá (ou alguém acredita neste enredo no Acesso?). Outro ponto fraquíssimo é dizer que são 25 anos, quando temos desfiles desde 1984 no Sambódromo - logo serão 26 (isso me lembra Mangueira e os 100 anos do Frevo) -; e a necessidade de um título de enredo tosco, com fantasia e folia rimando para parecer bacana e popular.
O maior desejo para 2009, portanto, é que isso não vire realidade em desfile em 2010.
21 de Janeiro de 2009 @ 21:26
Caro amigo Philip,
É a mais pura e tosca verdade o que acaba de nos descrever. Enredo oportunista ao extremo, nossos conterrâneos lá de Caxias, mais uma vez, vão ter que engolir este sapo chamado “Camarote da Brahma” goela abaixo. Puro mal gosto, que o carnavalesco Cahê Rodrigues vem exaltando. Já sabemos por aqui que uma das exigências é que tenha um carro para a mega-super-modelo Gisele Bundchen. Pode!!
E para responder ao amigo xhghjkjws aí de baixo, a Grande Rio pode sim já pensar no carnaval 2010, porque esse ela está no páreo, por pura incompetência das outras, mais uma vez. Não se assustem se a escola ficar entre as três primeiras colocadas, mesmo com esse samba arrastado.
E mais: Com essa “crise”, um patrocínio na casa dos 8 milhões não se encontra por aí toda hora. Então, a idéia é “vamos fechar acordo o quanto antes e garantir pelo menos uma boa verba”, enfim…
Vamos aguardar este desfecho.
Mais uma vez, parabéns pelos seus belos textos que nos enchem de cultura!!!
abs
26 de Janeiro de 2009 @ 12:36
É amigos… E diante de tudo isso, antes de pensar em mais uma relação torta entre patrocínio e carnaval, penso no povo de Caxias que, como foi dito, terá que engolir mais este sapo dentre tantos outros que já formam esse brejo. E o povo, mais uma vez, vira fantoche nas mãos de reis ensandecidos e deslumbrados que se acham a personificação da própria escola.
E parabéns pela excelente cobertura dos ensaios técnicos, Ricardo. Com certeza é a mais completa cobertura. Agradeço a confiança e vamos que vamos!
13 de Julho de 2009 @ 13:35
vai ser duro ter que ver a grane rio se expor a isso pior enredo da história da escola pior até que as camisinhas de 2004