2008 Tambores…2009 Também!

Jiayou…
E de repente eis que chega o chamado quadrienal que convoca as diversas nações deste mundo sem porteiras para juntas promoverem um grande encontro de cores, crenças e culturas; como se a construção de um todo humano, vivo e pulsante fosse o único objetivo que norteasse as partes do grande mosaico formado de tempos em tempos com os Jogos Olímpicos. Uma bela lição na política segregadora da Liesa Maria Antonieta e da Lesga Maria Vai Com as Outras (onde “as outras”, neste caso, é sinônimo de Antonieta, logicamente). Ao contrário do que se vê cá por esse reino, todas, mesmo com algumas rusgas, estavam lá juntas no magnífico ninho, com suas qualidades e deficiências: as superpotências, as emergentes e até mesmo as primas pobres querendo mostrar que fazem samba também. Tudo isso ao som de 2008 tambores, que vinham materializar novamente no palco do conflituoso mundo contemporâneo toda a exuberância e a ancestralidade do gigante vermelho detentor de uma cultura milenar. Na arena, o magistral passado dos tambores mergulhava na mais que perfeita ressonância com o tecnológico presente da arrojada China canteiro de obras e vanguarda do mundo, que naquele instante tentava reafirmar os ideais de perfeição, beleza e força fecundados na velha Grécia.

Mas a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou…E o que disseram à humanidade os magníficos tambores de Beijing?

Na busca ávida por uma resposta, vamos rapidamente sair à francesa dos domínios orientais e voltar ao Ocidente rumo ao Reino Carnavale, onde já se escuta os tambores de outro gigante vermelho que, assim como os lá do Oriente, buscam retomar a memória afetiva de uma época extremamente fértil culturalmente, mas sem perder o frenético bonde da história. Uma equação deveras complexa. Para tanto, o enredo moldado para a escola da Tijuca mostra uma oxigenação cirúrgica ao tentar equalizar a latente veia emotiva do passado com a linguagem objetiva que marca o passo e dá o tom da contemporaneidade. E foi munido deste artifício que Renato Lage reencontrou o Salgueiro, procurando o inserir novamente em cada linha e entrelinha, em cada idéia presente no enredo, balizando o tema em raízes salgueirenses, o que acaba conferindo ao caminho adotado extrema relevância para que se possa ter nas temáticas levadas para a avenida os caracteres inerentes a cada grêmio, minando a uniformização conceitual e estilística hoje comumente observada. Os tambores da Academia vão bem mais além de um tema puro, simples e descontextualizado do mote carnavalesco, pois, antes de qualquer coisa, recuperam a comunicação com um elo que fora perdido ou abafado pela constante ênfase ao que não apresenta compatibilidade com o jeito de ser da escola.

Jiayou, tambor, se todos fossem iguais a você…
Sendo assim, que venha a cultura milenar de um gigante que não é nem melhor, nem pior, mas cheio de bossa; embalado por tambores a ecoar seu bravo som vermelho sobre uma Marquês ressignificada em vil metal.

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