Mês de junho pra esquecer: Sai Paulo Barros, entra Milton Cunha. Morre Jamelão e agora Aroldo Melodia
Salve, Salve!
Voltando as atividades, depois de alguns meses “hibernando”, mais uma vez por motivos profissionais que me afastam da cidade maravilhosa, eis que ressurjo das cinzas. Aproveitei este tempo para estudar um pouco, porque o dinamismo da internet é enorme, e todos os dias aparecem novas tecnologias, mas se eu for aplicar tudo o que aparece iria enlouquecer. Então, optei por coisas práticas que não pesam muito no site e o deixam com uma cara mais limpa e objetiva. Bem, neste período, além de muitas feijoadas e encontros, algumas coisas merecem ser comentadas.
Sei que pode parecer que estou atrasado, mas nunca é tarde para falar de Jamelão. Este baluarte nos deixou no mês passado, e com ele ficou um vazio no peito. Dos mais velhos aos mais novos, todos, sem exceção, se acostumaram a ver aquela figura ranzinza em cima do carro de som da Mangueira, cheio de elásticos transpassados nos dedos e uma voz insuperável que se confunde com a própria escola. Eis aí um posto difícil de ser substituído. Luizito, o agora intérprete oficial, ainda não convenceu e é inconstante, talvez pela responsabilidade que tem a frente da escola mais amada do Rio. Ano passado ouvi um boato de que nada menos que Emílio Santiago estava se preparando para assumir o posto, mas o próprio teria se esquivado e dito que não tinha o traquejo para tal. Mas que ele está rondando a escola com mais freqüência é fato, e se é verdade ou não, só o tempo para dizer.
Hoje, friamente recebo um e-mail com o seguinte título: Morre Aroldo Melodia. Caramba! Poderia ser um pouco mais ameno. Depois que caiu a ficha, mais uma vez fica a saudade de um intérprete e compositor que, como Jamelão, escreveu seu nome na história do samba. Desfiles memoráveis e seu jeito irreverente de cantar e mais uma vez uma figura que se confunde com a história de sua escola querida, a União da Ilha. Graças a Deus, tenho comigo gravações antológicas deste cidadão do samba. E em uma dessas gravações, ele canta: “Se um dia/Eu deixar de desfilar/Pela União da Ilha/Vou chorar…” Apesar de nunca ter ganhado um título em sua carreira, nos deixou interpretações memoráveis: Domingo, É Hoje, O Amanhã, O Que Será? Que vá em paz…
E na Viradouro, as coisas não andam lá muito bem. Após uma confusa disputa para a presidência, onde até Luma de Oliveira (?) queria assumir o posto, sobrou para o carnavalesco Paulo Barros. Confesso que não sou um admirador do trabalho dele, mas desta vez acho que ele foi “boi de piranha”, igualzinho ao Dominguinhos. Li em algum lugar que a escola estava divergindo das idéias dele, e que ele não queria fazer um carnaval tradicional. Em primeiro lugar, todos sabem a direção de Paulo Barros, com suas idéias mirabolantes que nem sempre, vejam, nem sempre, agradam. Mas além dessas idéias, já o vi fazer carnaval tradicional. Quando a Estácio subiu, em 2006, não vi nada de futurístico. Tirando o carro em que os componentes formavam figuras e o símbolo da escola, nada demais mesmo. Acho que é uma questão de vontade de chegar a um denominador comum. Ele pode ser o que for, mas tenho certeza que uma boa conversa pode mudar muitas idéias, e, desculpe o termo, burro ele não é. Então, creio que a escola já estava pensando nisso há algum tempo. A escola tem todo o direito de admitir e demitir que e como achar melhor, mas na Viradouro falta transparência.
Pegando essa canoa meio furada, Milton Cunha vai precisar concretizar todo seu vasto conhecimento e mostrar que, além de bom professor, historiador, palestrante e outras coisas mais, é também bom carnavalesco. Se tiver o respaldo da escola e puder desenvolver seu trabalho, acredito em um bom carnaval para a escola.
Até a próxima!!