E todo carnaval tem sua quarta-feira… PARTE 3

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Segunda-feira

O segundo dia de carnaval foi bem melhor. A começar pela chuva, que não apareceu para prejudicar os desfiles. Além disso, era uma noite de escolas teoricamente mais bem preparadas. Se a primeira noite era pra ser a noite da emoção, a segunda foi chamada por alguns como a noite para a disputa do título. Não à toa.

Eu, como bom torcedor da Mocidade, estava extremamente ansioso com este desfile. Muito mais do que nos anos anteriores, pois dessa vez sabia que a escola estava preparada para voltar a desfilar como a boa e velha Mocidade. E depois de ficar quatro carnavais sem ver a verdadeira Mocidade desfilar, vê-la novamente ali foi muito emocionante. A escola foi a grande injustiçada do ano, pois merecia ao menos uma vaga no sábado das campeãs. O refrão “Minha Mocidade Guerreira” mexeu com os brios do componente, e calou a boca de quem acreditou que o samba poderia morrer na avenida. Padre Miguel apresentou a melhor comissão de frente e ala das baianas, um dos melhores sambas, um enredo interessante, um bom conjunto de fantasias. O nível das alegorias oscilava, mas ainda assim estava na média do ano. A escola também acelerou um pouco após a entrada da bateria no recuo. De qualquer forma, desde 2003 não se vi a Mocidade tão bem.

A campeã do Estandarte de Ouro entrou logo em seguida na avenida. O desfile da Tijuca, como sempre, foi marcado pelo bom chão da escola, pelo enredo e estética simples e de fácil entendimento, que abusou das coreografias para compor as alegorias. Acredito que a estética continua sendo o ponto fraco da agremiação. A comissão de frente também não foi um bom momento, pois somente os jurados poderiam ver o efeito criado pela multiplicação dos componentes diante do espelho, se isso de fato aconteceu. Fazendo um balanço geral, a escola já fez desfiles melhores nos últimos anos, mas continua de parabéns por conseguir se manter entre as grandes agremiações sem ter tanto dinheiro para investir.

A Imperatriz, junto à Mocidade, foi escola que prometeu se recuperar dos maus resultados dos últimos anos. E conseguiu. A grande mudança na escola de 2007 para 2008 foi a liberdade de criação que a carnavalesca Rosa Magalhães teve. Longe dos patrocínios que geraram carnavais fracos, Rosa desenvolveu o melhor enredo do ano (e que tinha a cara da Imperatriz), e por conseqüência a escola desfilou com o melhor samba deste carnaval. Em termos estéticos, percebe-se que a carnavalesca conseguiu criar um bom visual, mesmo sem ter a verba que boa parte das escolas tiveram. O desfile da Imperatriz foi leve, mostrando que a carnavalesca ainda pode render muito bem. Falta à escola apenas mais dinheiro para reparar as arestas e voltar a competir o título. A comissão de frente também precisará ser mais bem trabalhada para retornar às costumeiras notas máximas.

A Vila começou seu desfile muito bem. Bela comissão de frente, linda fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira e um abre-alas que já apontava as alegorias de Alex de Souza como as melhores do ano. Porém, o samba fraco, o enredo que poderia ter sido melhor desenvolvido e a última alegoria, que causou um imenso buraco na avenida até conseguir completar a manobra na cabeça da pista, deixaram a agremiação bem longe das possibilidades de título. O jovem carnavalesco ainda precisa desenvolver melhor suas fantasias, mas de qualquer forma a Vila apresentou um dos mais belos visuais do ano. Se a agremiação der oportunidade ao carnavalesco de desenvolver um enredo de sua autoria, ela terá boas chances de voltar a disputar campeonato no próximo ano. Boa estrutura e equipe para isso ela já tem.

O desfile da Grande Rio começou impactante, dando a impressão de que enfim a agremiação faria jus aos bons (e duvidosos) resultados. Mas logo surgiram as falhas e a inconstância de sempre. O enredo é fraco, citar Amazônia novamente é cansativo, o samba apenas mediano, o trabalho visual cheio de altos e baixos, a evolução com algumas falhas consideráveis, sobretudo por causa da alegoria que ficou presa nas frisas por quase cinco minutos. Porém, a bateria de mestre Odilon é sempre a salvação da lavoura. Destaque também para a fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira, talvez a mais bela do ano. Fica sempre a esperança de que a escola retornará ao estilo dos anos noventa, com bons enredos, bons sambas, desfiles animados, e, claro, resultados mais justos.

Quando a Beija-Flor entrou na avenida eu não tinha muita dúvida de que estaria ali novamente a campeã do carnaval. Nenhuma outra escola fez desfile digno de campeã. Até a Beija-Flor já foi melhor, mas seu feijão-com-arroz foi o suficiente para arrematar mais um caneco. A escola pisa na avenida sempre muito forte, deslumbrante e erra pouco. O ponto falho foi o enredo, complicado e forçado para gerar o patrocínio. Mas isso não atrapalhou a escola, que manteve sua soberania.

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