E todo carnaval tem sua quarta-feira…

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Mais um carnaval passou, e dá sempre certo desânimo quando passa esses dias tão intensos e esperados. Imaginar que virá mais um ano inteiro de expectativas dá uma preguiça… Mas acho que nós, apaixonados pelo carnaval, não sabemos fazer diferente. Enquanto fevereiro de 2009 não chega, a solução é repensar no carnaval que passou, e começar a imaginar o carnaval futuro. Sendo assim, nos próximos dias escreverei minha impressão sobre o carnaval 2008, e o pontapé inicial para os desfiles de 2009.

Sexta e sábado

Ainda que este site se preze mais a falar sobre o carnaval carioca, devem-se ressaltar alguns pontos do carnaval paulista.

O Sambódromo paulista é superior ao do Rio. Permite alegorias maiores, não tem o paredão de camarotes que há no Rio, as arquibancadas ficam mais próximas da avenida, o recuo da bateria é mais largo, facilitando a perigosa manobra de entrada no recuo, possui estacionamento para as alegorias, tanto na concentração quanto na dispersão, e as alegorias entram na avenida sem dificuldades, diferente do Rio, em que a curva para a entrada na avenida é sempre um perigo para as agremiações. O fator negativo é a iluminação do sambódromo paulista, que é muito clara.

Outro detalhe negativo do carnaval de São Paulo é o excesso de puxadores que passam os desfiles gritando coisas do tipo “tira o pé do chão”, numa influência direta do axé baiano. Definitivamente, samba é para sambar, e não para pular. E quem no Rio tem aderido à moda é Tinga, na Vila Isabel.

Houve uma boa evolução da estética. O Luxo, antes restrito à Império de Casa Verde, se espalhou por algumas escolas. Aconteceu uma melhoria geral na qualidade das fantasias, além de carros cada vez maiores e mais bem feitos. Considerando que ainda há escolas construindo alegorias debaixo da ponte, não poderia estar melhor.

As comissões de frente também melhoraram. Estão investindo mais na criatividade, em coreografias interessantes, substituindo assim a antiga mania de coreografias simples, e fantasias gratuitamente luxuosas.

Já os casais de mestre-sala e porta-bandeira ainda apresentam um excesso de luxo, deixando as fantasias pesadas, e gerando por conseqüência apresentações menos graciosas.

Para quem gosta de espetáculo, as baterias paulistanas têm proporcionado bons momentos. Elas fazem de tudo para contagiar o público: elementos que soltam fogos, fumaças coloridas, entram e logo em seguida saem do recuo, dividem-se ao meio para a passagem do casal de mestre-sala e porta-bandeira, formam a bandeira do Japão (Vila Maria), e outras tantas ousadas coreografias.

Quanto aos enredos, variou do céu ao inferno. Duas escolas pegaram um patrocínio e a porta do “inferno” ao falar sobre o sorvete, em tema bem fraco. Com isso, a Tucuruvi acabou em 12º, não sendo rebaixada por pouco, mas a Águia de Ouro não teve a mesma sorte, tendo que visitar o acesso em 2009, após a 13ª colocação. Prova de que nem todo patrocínio compensa.
Da outra ponta, a Vai-Vai se destacou com um enredo de crítica social, “VAI-VAI ACORDA BRASIL”, apontando a educação e arte como formas de solucionar os problemas sociais. O desfile ainda alertou para o cinismo dos políticos brasileiros, e suas promessas de campanha não cumpridas. Foi um enredo inteligente, criativo e com a crítica típica dos bons carnavais, e que não aparece mais no grupo especial do carnaval carioca já há algum tempo.

Outro ponto alto do desfile da Vai-Vai foi a empolgação da arquibancada, que criou uma coreografia com as bandeirinhas, formando uma bonita imagem. Foi de todo o carnaval, incluindo o carioca, o desfile que teve maior interação com a arquibancada. Aliás, geralmente os desfiles paulistas contam com maior reação do público, pelo ingresso ser mais barato, permitindo que pessoas que realmente acompanham o carnaval durante todo o ano estejam na avenida, enquanto o povão carioca se aglomera no Setor 0, no Viaduto, nas árvores da área de concentração das agremiações, para dar lugar aos turistas na avenida. São as pessoas que fazem o carnaval, mas não podem acompanhá-lo em seus dias de glória.

Por fim, deve-se lembrar também de Mocidade Alegre, Vila Maria e Rosas de Ouro que, junto com a campeã Vai-Vai, fizeram os melhores desfiles do ano. Entre essas quatro agremiações houve muito equilíbrio, todas com desfiles dignos de campeonato, e o resultado oficial confirmou o que se viu na avenida, já que elas preencheram as primeiras colocações.

O carnaval paulista cresce a passos largos, e agora com a construção da Cidade do Samba o evento dará mais um grande salto de qualidade.

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