Da Folia sou um Rei

Em uma das temporadas de pré-carnaval mais conturbadas da história, fomos saracoteados pela Operação Furacão, entramos no inferno astral da Mangueira, passando ainda por Cartola e desembocando no Führer e no holocausto atroz, mas, entre mortos e feridos, o carnaval finalmente dobra a esquina e será lá na avenida o momento de as escolas superarem suas adversidades e espantarem os ratos e urubus de suas fantasias. É bem verdade que muito se questiona, após os últimos acontecimentos, a respeito da liberdade de expressão, todavia quem de fato vem sendo amordaçado constantemente é o povo, que perde sua importância dentro dos desfiles cada vez mais direcionados para outros fins. E certamente nada daquilo que é exposto aos olhos do mundo seria possível se não fossem os reais reis da folia, pessoas que dedicam parte de suas vidas em prol da cristalização de um sonho de poucos minutos… A plebe não se torna capa de revista, tampouco é procurada pelas câmeras ou pelos fotógrafos, mas nada do que se vê, ouve ou sente naquele palco coruscaria ou reluziria sem os pés, as mãos e a dedicação dos ferreiros, carpinteiros, pintores, aderecistas, escultores, compositores, enfim; pessoas que merecem todo o nosso respeito, o nosso samba no pé e a nossa reverência, pois são a verdadeira essência do carnaval em suas múltiplas origens,cores e crenças…
Bom Carnaval!