A Ditadura no Carnaval: Justiça proíbe Viradouro de Levar Carro do Holocausto para Avenida

A atitude de entrar na justiça para proibir qualquer forma de expressão é repugnante e lamentável. Cercear a liberdade de expressão nos remete aos sombrios anos de ditadura, e mostra novamente a hipocrisia da sociedade em que vivemos. A dúvida que fica é se fossemos inverter a situação, e alguma escola de samba entrasse na justiça para proibir quem quer que seja de denegrir a imagem do carnaval, se algum juiz teria o mesmo posicionamento. Vamos falar a verdade: O holocausto foi retratado de forma cristalina e cruel no filme “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg, e é considerado um clássico no cinema, aclamado pela crítica. Participaram inúmeros judeus deste filme. Como Paulo Barros, o intuito era causar impacto e mostrar todo o horror que aquelas pessoas viveram em razão de uma mente doentia para que, no futuro, não aconteça mais.

O que está em jogo é como abordar assuntos tão delicados. O fato de levar o holocausto para o carnaval de forma tão explícita com o pretexto de que causa arrepio é, sem dúvida, de um mau gosto e falta de sensibilidade sem precedentes, por se tratar de uma festa onde se misturam corpos seminus e batuques como forma de alegria.

Há na história do carnaval inúmeros enredos falando de colonização, astecas, índios, negros, escravidão e etc., que nenhum juiz proibiu. É bom lembrar e refrescar a memória de que aqui no Brasil, aldeias e povos indígenas inteiros foram dizimados do mapa. No México, os Incas e os Maias foram igualmente dizimados e roubados pelos espanhóis. Os negros africanos foram feitos escravos pelos portugueses em uma das mais cruéis atitudes na história da humanidade. Fatos históricos são o que não faltam para exemplificar que não somente o holocausto tem importância.

Mas torcíamos para que este carro fosse levado à avenida, mesmo sendo contrário a ele. A resposta que a Viradouro e seu carnavalesco teriam que ter seria a indignação e repúdio do público, a enxurrada de protestos e conseqüentemente notas compatíveis com o horror que é este carro. Teríamos então, democraticamente, a forma mais correta de se penalizar aqueles que acham que tudo podem em forma de arte.

Podemos então acreditar que a Viradouro, caso não obtenha uma boa colocação, use este fato como desculpa, o que, sem dúvida, é lamentável.

De cara, a escola irá perder pontos em alegorias e adereços, conjunto, harmonia e talvez enredo, porque obviamente estará faltando parte do contexto.

Estamos na quinta-feira, 31 de janeiro de 2008. Até domingo, quando a Viradouro se apresenta, podem ainda acontecer fatos novos, como a escola cassar esta liminar e colocar o carro no desfile. Não há mais o que fazer senão aguardar.

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