O Despertar de um Gigante

Salve, Salve!

Eis que estou eu aqui novamente, para falar um pouco da escola do momento: Mocidade Independente de Padre Miguel.

Há muitos anos, não acompanhava uma escola de samba desde seus primeiros cortes de samba, mas este ano resolvi voltar a ter este prazer, e escolhi a escola em questão. E, para quem gosta de samba como eu, é realmente um prazer. Ver pessoas engajadas em uma história que só quem está presente são eles mesmos e a mídia não está nem aí. Só se interessam a partir do grande dia da escolha do samba. Esta gente é guerreira, e na maioria das vezes não ganha nada e faz por amor a escola. No primeiro dia que fui, dava para contar nos dedos o público. No dia da final, não dava nem para contar a quantidade de gente. Uma festa bonita e emocionante, que, com o samba escolhido, virou a vitrine do samba, pelo menos por enquanto. E é aí que quero chegar.

Como estou acompanhando há algum tempo a escola, vejo que algo esta diferente o ar. A direção, acertadamente, vem insistentemente mexendo com os brios dos integrantes e torcedores da escola, porque sabe e todos sabem que a escola precisa se reerguer agora, porque o desfile do grupo especial está cada vez mais competitivo, e a Mocidade vem fazendo desfiles medianos, muitas vezes ruins mesmo, com enredos de gosto duvidoso, que levaram a escola ao ostracismo. Há pelo menos quatro anos, a escola vem amargando posições intermediárias, culminando com o indescritível desfile do ano passado, que só não foi uma tragédia completa porque a escola não desceu, ficando a apenas 1,5 pontos da penúltima colocada, Império Serrano. Para mudar isso, a escola deu três grandes passos até agora.

O primeiro grande passo foi a escolha do enredo que, além de pertinente, é incentivado financeiramente pela prefeitura do Rio pela comemoração dos duzentos anos da vinda da Família Real para o Brasil. Com isso, a escola garante mais dinheiro em caixa e soma a verba que a Liga disponibiliza para as escolas, podendo assim fazer um carnaval melhor e vestir a escola, principalmente as alas da comunidades.

O segundo passo foi a escolha do samba. Neste momento difícil, o samba é fundamental. Sem um samba bom, o esforço é em vão. Mais uma vez, a direção inteligentemente escolheu o que a comunidade e a maioria dos integrantes queriam. E aqui abro um parêntese. O samba da parceria de Diego Nicolau (que perdeu) tinha uma letra melhor do que o que ganhou, era mais samba e, em minha opinião, mais consistente para sustentar um desfile. Mas quando a maioria quer, não há como ir contra. A direção optou por fazer a vontade da maioria e de quebra se eximiu de culpa de qualquer problema. Voltando ao samba vencedor, não sou entusiasta dele. Tem uma melodia muito bonita e pra cima, mas ainda não me convenceu. Preciso aguardar os ensaios técnicos na Sapucaí. Não é nenhuma obra de arte, mas é um bom samba. Tanto que vem liderando todas as enquetes do melhor samba do ano. Nele, ainda tem um problema que me preocupa. No refrão de baixo, a palavra “Mocidade” aparece duas vezes, e um jurado mais rígido pode não entender e tirar décimos preciosos.

O terceiro e último, até agora, foram as fantasias. O carnavalesco Cid Carvalho mostrou um lado que não conhecíamos e acertou a mão. Leves, em sua maioria, e muito luxuosas, estão à altura da escola, apesar de me parecerem um pouco quentes. Mas é só uma opinião.

Com estes ingredientes, a Mocidade dá um importante passo para fazer um desfile empolgante e vibrante, pois agora é a hora. A tarefa de abrir um desfile não é das mais agradáveis, e para superar este incômodo a escola precisa vir “mordendo”, atropelando, como se ali estivesse à única chance de mostrar para o público e para os amantes do carnaval que o gigante adormecido está mais vivo do que nunca. Vamos torcer. O samba agradece.

Até a próxima!

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