Na Contramão da História
A Unidos do Viradouro apresentou seus protótipos das fantasias para o carnaval 2008 na noite da última segunda-feira, sem a presença da imprensa, proibida de cobrir o evento pelo carnavalesco Paulo Barros.
Certamente, é uma atitude antipática tanto para imprensa, quanto para o público em geral, que se acostumou a ter esta informação depois da entrada forte dos sites de carnaval no meio.
Segundo alguns sites, a assessora da escola, a Sra. Eliane Lorca, comunicou o fato de forma nada elegante na semana passada. Nas últimas semanas, a Viradouro vem tendo atitudes estranhas, e o clima não me parecem dos melhores. Dispensou Dominguinhos do Estácio de surpresa e ao que parece o compositor Gustavo Clarão também aprontou as malas, depois de seu samba ter sido cortado precocemente na primeira eliminatória de sambas. A contratação de Nêgo já não foi tanta surpresa por falta de opção. A esta altura, todos os bons intérpretes já estão com seus contratos definidos. Mas o que chamou a atenção realmente foi esta atitude com relação à imprensa.
Tudo bem que não sou fã de Paulo Barros, mas, acima de tudo, respeito seu trabalho e tenho certeza que todos da imprensa o têm. Impedir o acesso a informação parece coisa de militar da década de setenta. Hoje, já não cabe mais esta atitude, porque mais dia menos dia estes protótipos vão aparecer na internet, seja pela mão de algum diretor de ala, ávido por vender suas fantasias, seja pela mão de quem quer que seja. Nos dias de hoje, não há mais segredos e a internet se tornou o melhor canal para venda de fantasias. A comodidade que este meio trás permite que você escolha sua fantasia, informe seu tamanho e pague pelo produto. Tudo sem sair de casa. Depois é só ir buscar. Muito diferente de minha época, quando tínhamos que ficar esperando a escola soltar as fantasias para os presidentes de ala e estes, por sua vez, saiam ligando para Deus e o mundo para ir ver o protótipo em seus ateliers. E nem tinha celular.
A Mangueira tem uma atitude que não é das mais simpáticas, mas pelo menos permite a entrada da imprensa, que fica proibida de tirar fotos. Estas, a assessoria depois escolhe algumas e envia para os meios de comunicação. Este ano mandaram algumas depois da apresentação e ontem recebi mais algumas fotos. Porque então a Viradouro não tomou a mesma atitude?
O carnavalesco Paulo Barros, conhecido por ser um profissional que gosta da inovação, mostra outro lado que não conhecíamos, e vai à contramão de seus próprios princípios. Lamentável.
Até a próxima!