Fantasias da Mangueira estão longe de serem tradicionais

Na noite da última quinta-feira, 27/09, a Mangueira apresentou os protótipos de suas fantasias para o carnaval 2008.

Que me desculpem os mangueirenses e amigos que escrevem sobre o tema, mas o que vi foi uma Mangueira bem confusa e nada tradicional. Antes de continuar, quero deixar claro que não sou e nem tenho a pretensão de ser um “expert” neste assunto fantasias, mas, como todo mundo, tenho meu ponto de vista.

De cara, digo que as fantasias estão demasiadamente grandes, em especial os resplendores e chapéus. Em um comentário com um companheiro no momento da apresentação, chegamos a perceber que alguns resplendores estão próximos de 1,30 metros de largura. Não é preciso ser profundo conhecedor do assunto para vislumbrar um desfile pesado, com dificuldades de movimentos dos componentes. Alguns chapéus seguem a mesma tendência. O setor que fala dos dragões de momo são os que mais claramente exemplificam o que estou falando.
Max Lopes tentou sintetizar nas fantasias todo o enredo, e como vocês podem conferir em outros comentários, dificulta a leitura, pela quantidade de informação que ele quis passar. Com um enredo rico como este, talvez fosse melhor usar alegorias de mão, bem mais simpáticas e que dão leveza no desfile. Este artifício foi usado no setor que fala do frevo, e não faltaram sombrinhas, muito pertinentes, diga-se de passagem.

Dizer que as fantasias estão leves da cintura para baixo e facilitam os movimentos não é verdade. E digo isso com conhecimento de causa. Em 1987, Max Lopes era carnavalesco da Vila Isabel, e eu que vos escrevo estava neste desfile. Minha fantasia era toda de um material parecido com palha, ou seja, muito leve, realmente. Mas, nas costas, um enorme resplendor, pesado, atrapalhou e muito os movimentos na avenida, limitando o espaço e no final do desfile deixou marcas em meus ombros e de muitos componentes. Na Mangueira deste ano, vejo algo parecido, ou seja, as fantasias estão dando a falsa impressão de leveza. Uma coisa é ver uma fantasia em separado, outra coisa é ver uma ala de 50, 100 pessoas tendo que evoluir.

Entretanto, há que se louvar a competência de Max Lopes no uso das cores. Para não ser repetitivo dentre tantos comentários sobre isso, o meu enfoque fica nas tonalidades e combinações. Quem trabalha com cores desenvolvendo qualquer coisa, sabe como é difícil combinar verde e rosa, sem ser repetitivo. E quando Max usa, por exemplo, um tom de rosa, todo o setor segue a mesma tonalidade. Em um primeiro momento, a impressão é que todas as fantasias são iguais, mas se olharmos com outros olhos, isto se chama consistência de cores. Sem dúvida, é muito bonito e sutil. Esta sutileza se vê em todas as fantasias. Todas elas têm um toque de verde e rosa. Outro ponto positivo é o acabamento das fantasias. Impecável.

Quando decidi ir embora, achando que tinha visto tudo, um comentário no elevador do barracão me chamou a atenção. Era um papo entre diretores de ala. Estavam muito preocupados com os preços que iriam cobrar pelas fantasias. Estavam apostando que não vão ficar por menos de R$ 600,00, e que isto vai dificultar a venda, se a escola não bancar parte do custo, e também disseram que as fantasias estavam grandes.

Então, esta história de que a Mangueira vem com fantasias tradicionais está longe de ser verdade. Sei e todos sabem que fantasia é apenas um quesito dentro de um desfile, em se tratando de Mangueira, isto vira um simples detalhe. A tradição da escola e a garra de seus componentes ainda são os fatores que fazem a diferença e por diversas vezes mudaram o rumo de um carnaval.

É esperar para ver.

Até a próxima!

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