Os verdadeiros reis da folia

Através de sua assessoria, o presidente George W. Bush declarou que iria a Mineápolis três dias após a tragédia ocorrida com a ponte que fica sobre o rio Mississipi. Já a primeira-dama Laura Bush se dirigiria à cidade para visitar as vítimas e seus familiares. Concordo em gênero, número e grau que o George W. Bush é um verme, um desses políticos com síndrome de popstar, mas ele entrou em cena a tempo de não receber vaias. Bom, isso sem falar que as autoridades federais americanas ordenaram a fiscalização de todas as pontes com características semelhantes à do desastre.
E o Lula? Você já viu fotos ou cenas de nosso presidente em comovente tentativa de afagar os doloridos corações de algum parente das vítimas do acidente em Congonhas? Certamente não. Será que é por medo das vaias? Afinal, engolir um coro de 90 mil pessoas revoltadas com as patifarias e obscenidades protagonizadas por nossos governantes não deve ser nada fácil!
Perdoe-me o rodeio e, então, voltemos para uma realidade mais próxima de nós, o aplaudido prefeito César Maia. Será que realmente deram a César o que é de César durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos? Eu, sinceramente, tenho cá minhas dúvidas. Aliás, pra ser mais sincera, não entendi o porquê do prefeito ter sido ovacionado. Pra mim, ele só consegue ser melhor que o filho, de tamanha empáfia…
Este ano, César Maia reverenciou quase todas as agremiações que passaram pelo sambódromo. Mais uma vez, caprichou na atuação. Caiu nas graças dos sambistas! Não estou dizendo que ele não goste de Carnaval, mas fingir que empurrava uma alegoria da São Clemente foi demais para os meus críticos olhos. Agora, fala a verdade, você já imaginou o dito cujo aparecendo no desfile da Intendente Magalhães? Imagina se o homem das idéias e obras faraônicas se daria ao desfrute de cometer atitude tão populista.
Na minha humilde opinião, o prefeito não precisaria nem aparecer na Intendente. Mas olhar para aquela manifestação de caráter mais que popular é sua obrigação e, portanto, uma dívida que ele tem com a gente, que amamos o Carnaval, reconhecendo o sacrifício de cada escola. Além disso, se é em Campinho que está a massa, que dêem valor e atenção à festa do povo! Que fechem as ruas mais cedo, para os artistas darem o acabamento final aos seus carros que, provavelmente, saíram de um barracão lá nos cafundó e cheios de machucados! Que caprichem nas arquibancadas, na segurança, na iluminação, no som, na organização junto à associação (AESCRJ).
Eu quero até aproveitar o espaço pra fazer um apelo. Esse vai pra você, meu rei, com todo respeito e admiração que lhe devo. Nestes dois últimos carnavais, nos quais me esforcei, apesar de novata no ramo, objetivando uma cobertura jornalística distinta, não tive a honra e a felicidade de ver Vossa Majestade em Campinho, nem sequer através de fotos. Assim como sua presença é imprescindível nas quadras, aquelas que o rei percorre ao longo do ano, sem preconceito, levando sempre um largo sorriso, ela também se faz necessária no grande dia das agremiações de menor porte. Até porque, algumas delas nem mesmo têm quadra. O senhor sabe, não é?
Para mim, ao lado do povo, que tenta se divertir como pode durante esses quatro dias que significam bem mais que um feriadão, Vossa Majestade é o verdadeiro rei da folia. Isso porque, o povo sabe como ninguém, acatar suas ordens expressas de paz, amor e alegria.