Andamento das baterias e suas contradições II: O ataque dos Clones
Salve, salve!
Bem, prosseguindo o pensamento da matéria anterior, e não tão rápido quanto as baterias, irei me aprofundar mais nas características das próprias, e não somente no andamento.
Há tempos atrás podíamos identificar as baterias pelo modo como tocavam. A Mangueira, pelo seu surdo, o Império Serrano pelos seus agogôs, e assim por diante. Com o passar dos anos, o carnaval se tornou mais competitivo e conseqüentemente mais comercial, e fez com que muitos “mestres” se transferissem para outras agremiações, proporcionando uma verdadeira confusão de ritmos e identidades. Os presidentes de algumas escolas de samba, principalmente aquelas que apareceram na década de noventa para cá, tinham uma preocupação em comum, que era se manter no grupo de elite, então partiram para as contratações de peso, de carnavalescos a mestre-sala e porta-bandeira, passando, sem dúvida, pelos mestres de bateria. E a confusão se formou.
Na minha matéria anterior, recebi um comentário de que havia me esquecido de citar a bateria da Mocidade, pela tradição que tem. Respondi que iria falar dela nesta matéria. E a razão é simples: A bateria da Mocidade é, de longe, a mais copiada de todas. Em primeiro lugar está a famosa paradinha. Hoje, com exceção da Mangueira, todas imitam (ou tentam) a da Mocidade.
Na minha humilde opinião, a escola que tem menos identidade é a Viradouro. Rica, contrata a esmo, com o único objetivo de ganhar o carnaval. Na década de noventa, contratou o carnavalesco Max Lopes, Dominguinhos do Estácio e depois Joãosinho Trinta. Na mesma época, trouxe mestre Jorjão, cria da Mocidade. Em 1997, foi campeã com todos os méritos, mas ali estava nascendo o primeiro grande clone de uma bateria. Era uma cópia descarada da Mocidade. Se hoje, você leitor, ouvir a gravação do desfile e fechar os olhos, certamente vai jurar que é a bateria da Mocidade. Jorjão ficou lá por dois ou três anos, e teve uma passagem pela Santa Cruz, e surgiu outro clone. Hoje, Jorjão está na Imperatriz. Falta pouco para acontecer o mesmo. Já mudou a afinação dos surdos e introduziu mais gente na ala dos chocalhos. Se mudar a afinação dos tamborins e atrasar a entrada dos mesmos no samba, pronto! Está aí outro clone da Mocidade.
Voltando para a Viradouro, e novamente fecharmos os olhos e nos atentarmos para a bateria, qual nós vamos reconhecer? Claro! Como eu não percebi antes. É a bateria da…Estácio!! Mais uma vez, a escola perde sua identidade e fica com a cara do mestre de bateria, que neste caso é Ciça que, como todos sabem, veio da Estácio de Sá.
E não acabou por ai. Acho incrível como um mestre de bateria tem o poder de mudar as características de uma bateria, preocupando-se tão somente com seu ego, e fazendo aquela forma de tocar como verdade absoluta. Mais um exemplo? Mestre Louro. Em dois anos, já fez dois clones da bateria do Salgueiro. Primeiro, na rápida passagem pela Caprichosos de Pilares, e agora, na Porto da Pedra. Antes que me esqueça, o grande primeiro clone, não só de bateria, mas de uma escola inteira, foi a Tradição. Era a Portela inteirinha. Mas esse clone, ao que parece, não vai pra frente. Tenho que deixar aqui registrado que o único mestre de bateria que mudou de escola e manteve as características da escola que o recebeu foi Mestre Marçal. Portelense apaixonado,foi para a Unidos da Tijuca e fez o que todos deviam fazer: Alem de manter as características da mesma, ainda deu um toque de qualidade. Isso sim era Mestre, com letra maiúscula.
Com toda essa confusão, as “matrizes” tiveram que se mexer, e o tiro saiu pela culatra. Estão perdendo sua identidade. As características estão mantidas, mas o andamento…A Mangueira já não é mais a mesma, por exemplo. Sua marcação seca já não é ouvida com tanta clareza. Se repararem bem, há muitos integrantes da ala dos surdos fazendo firulas em demasia, embolando o som. A do Salgueiro, reconhecida por suas caixas de guerra e tamborins, anda fazendo “paradinhas” demais, quebrando o ritmo, além de estar demasiadamente acelerada, o mesmo acontecendo com a da Portela.
Destas, só a da Mocidade se salva. O ritmo é o mesmo, e as marcações idem. As alas de tamborins e chocalho continuam fazendo a diferença, paradinhas de tirar o fôlego, e esta aí, para todos verem e ouvirem.
Então, mais do que nunca, Salve a Mocidade!
Até a próxima.
25 de Setembro de 2007 @ 20:31
Concordo com tudo que disse Ricardo, mas vc não comentou da bateria que mais ganhou estandartes de ouro na Sapucaí que é a Império Serrano e que nunca imitou ninguém e que até hoje continua mantendo uma cadência digna de elogios, vc mediu quantas batidas por minutos faz ela na Passarela, conte e depois relate aqui, quando for falar de baterias fale de todas por igual contando a característica de cada uma, isso é primordial para que não cometamos injustiças, um abraço!
25 de Setembro de 2007 @ 21:15
Caro Vasconcelos,
Obrigado pela lembrança. Mas a idéia deste texto foi mostrar as baterias que são mais imitadas, e a do Império Serrano não se inclui neste hall, graças a Deus!
Alem do mais, não há o que falar da bateria do Império. Ela é e continua sendo fantástica!!
Acho que injustiça seria falar alguma coisa dela.
Abraços,