PATROCÍNIO NO CARNAVAL, UM MAL NECESSÁRIO OU UM BEM DE CONSUMO?
Daqui do meu lugar, longe dos holofotes, da grande mídia do centro-sul do País, observo que o carnaval, enquanto desfiles de Escolas de Samba, se vê momentaneamente escravo de si mesmo, pois, com a grandeza, veio a obrigação de manter a ostentação do luxo e de outros elementos imprescindíveis para um desfile competitivo. Exaustivamente se debate os prós e contras do patrocínio, que não é bom, mas vem “livrando a cara” de muitas Escolas do rebaixamento e colocações medíocres, não querendo entrar tão somente no mérito da questão, campeonatos etc.
Em relação ao Patrocínio, alguém pode definí-lo como um “mal necessário”, será mesmo? neste ponto acho o estilo PB saudabilíssimo, ele não serve propriamente do luxo para traduzir suas idéias, para compor um enredo, porque a LIGA(jurados) canetaram a Viradouro? um dos motivos fora porque o carnavalesco da Escola trouxe um estilo diferente, segundo a visão macro da LIESA, isso levando-se em conta o fator Luxo, Rosa Magalhães por exemplo é outra que resiste quanto ao “gigantismo”, muito embora já tenha seguido a linha do luxo, nesse ponto, acho que deviam serem respeitadas os estilos e que outros parâmetros fossem concebidos para não furtar a alegria de um ano de trabalho, a Beija-Flor, Vila Isabel, e Mangueira, são a mais pura representação de Escolas, em que seus carnavalescos vêem supervalorizando o luxo, as grandes fantasias e alegorias.
Evidente que um desfile pautado nestas características enchem aos olhos, fascinam, no entanto, o bom gosto, a beleza plástica de um desfile não significa que ele esteja concomitantemente bem desenvolvido, nesse campo poderemos nos deparar com os pecados do excesso, poluição visual, desfile”pesado”, inversão de papéis, esculturas que roubam a cena, o samba no pé, as baianas, a alegria do desfilante não tem tanto destaque como antes.
Infelizmente vivemos numa sociedade marcada por uma corrupção generalizada, princípios e valores anti-éticos, não se respeita nada e nem ninguém, uma famigerada busca por lucros, ascensão, promoção, resquícios de uma debilidade econômica, de um governo inoperante, de grupos sociais enxertados de pessoas egocêntricas e ambiciosas, portanto o carnaval como centenas de milhares grupamentos sociais, também se vê em estado convalescença, como um doente que recebe doses fortes de medicamentos para combater um mal, e antes que que se cure um, vários outros males vem à tona, é complexo e a cada dia a coisa piora.
Acredito que se as pessoas pararem um pouco para refletir, e dessa reflexão emergir ações que visem proteger, preservar o carnaval de fato, como um Patrimônio Cultural, um “S.O.S”, como as intituições organizadoras já provaram que não se preocupam na mesma proporção pela perda dos valores, como pelas cifras que proporcionam, o povo(comunidades), poderiam muito bem criar e organizar ongs que objetivassem tal aspecto, é uma questão de planejamento, mobilização e disponibilidade. O alimento maior ou força propulsora é justamente a paixão pelo carnaval, se todos que gostam de samba tivessem uma ação concreta a seu favor, certamente o panorama seria outro.
Fica então a reflexão, com patrocínio ou não, os protagonistas(escolas/comunidades) agonizam, em busca de soluções imediadistas, com fins de perpetuar a arte visual dos desfiles.
Deixem seus comentários!
Até a próxima.
30 de Junho de 2007 @ 20:47
Cecel,
Excelente matéria!
Parabens!