Mangueira se rende ao capitalismo
Durante uma conversa, o radialista Rubem Confete lastimou o mercantilismo carnavalesco que, segundo ele, teve origem na chegada de bicheiros (sempre eles!) às escolas. Acostumados a administrar quantias obscenas, eles praticamente expulsaram os sambistas do comando das agremiações e, a fim de ditarem as regras do jogo, promoveram a criação da Liesa.
Uma prova de que o dito mercantilismo, com representação nos já questionados patrocínios,vem ganhando cada vez mais terreno é o contrato espantoso firmado pela Mangueira este ano, digo, para o Carnaval 2008, com a prefeitura de Recife: R$ 3 milhões… Nada mal! A cifra equivale a 50% do valor gasto pela escola no Carnaval deste ano. No entanto, segundo o blogueiro Aydano André Motta, a agremiação ainda tenta digerir uma dívida de R$ 1,6 milhões, em grande parte proveniente do último Carnaval.
Bom, nada a questionar os gestores da verde-e-rosa, não fosse o ano do centenário de Cartola, um dos fundadores da escola, nome que dispensa apresentações. Apesar de tão importante momento, escolheu-se o frevo como enredo. Seria esse um dos motivos do afastamento de Elmo José dos Santos e Álvaro Caetano?
Outra pergunta me deixa um tanto curiosa. O que acharam disso os sempre fervorosos mangueirenses? Tenho certeza de que a verde-e-rosa fará um desfile bonito e emocionante, como de costume. No entanto, lamento o fato de apenas poder imaginar o quão singular seria assistir à avalanche mangueirense reverenciando os cem anos de Cartola.