Novos rumos para a Liesa
Após este tumultuado início de ano para a entidade, eis que foi eleito o óbvio.
Jorge Castanheira é sem dúvida o melhor nome para esta nova fase, pois tem bom trânsito nas escolas e está há muito na administração da entidade, além de não ter seu nome diretamente ligado ao jogo do bicho. E este é o fator mais importante no momento para que o foco da discussão não recaia no seu colo.
Disse tempos atrás em um comentário e volto a afirmar que o resultado do desfile de 2007 é incontestável, sob ponto de vista técnico. A Beija-Flor sobrou na disputa e levou o título com méritos. Com relação à lisura da verba que ela gastou é outro papo. Se há dúvidas, quem teria que se explicar seria a própria escola, e não a entidade. E se ficar comprovado que algum jurado se envolveu em algum tipo de esquema para beneficiar essa ou aquela escola, que haja então a punição que merece, sem por isso tirar o título da Beija-Flor. Não é como no futebol. No esporte, há a possibilidade de anular um jogo e promover um novo. Mas, no carnaval, como isso seria possível? Faríamos um desfile novo? Sem dúvida que não. Então, temos que parar de pensar o impossível e tocar o barco.
Independente disso há que se louvar a administração anterior, porque houve mais conquistas do que fracassos. A Cidade do Samba esta aí. É uma obra fantástica que deu a possibilidade para as escolas de fazer um espetáculo muito mais grandioso. Outra conquista foram os ensaios técnicos na Sapucaí. Além de ser uma oportunidade para as escolas se aprimorarem no palco onde acontecem os desfiles, é uma opção de lazer para o povo. De graça, os ensaios chegam a atrair uma multidão de 60000 pessoas em um único dia. E é só um ensaio. As escolas perceberam isso e neste ano muitas delas levaram carros alegóricos e destaques com fantasias, engrandecendo esta grande idéia. E o novo presidente teve participação ativa em todos estes projetos. A ampliação do Sambódromo é outra questão que já vem sendo discutida, mas para isso a Prefeitura precisa intervir financeiramente para a compra do prédio da antiga fábrica da Brahma.
Outra questão que parece ser inevitável para ele resolver é a transmissão dos desfiles pela TV, onde a Record está acenando com muito interesse e muito dinheiro. A grande questão é se ele vai ter pulso para colocar esse assunto na mesa junto com a TV Globo, dita parceira há mais de vinte anos, e que também tem seu mérito quanto ao engrandecimento do espetáculo ao longo desse tempo. Seria bom se, além dos desfiles do Grupo Especial, ele também pusesse em discussão o desfile do Grupo de Acesso A, e desse de presente uma transmissão digna, porque a que temos hoje, me desculpem, é lamentável em todos os aspectos.
Então, que ele tenha uma visão clara e uma administração a altura que as escolas de samba merecem, que todos nós iremos agradecer.