E COMO ENCONTRATAM, TAL QUAL ENCONTREI; ASSIM ME CONTARAM, ASSIM VOS CONTEI…

6 de Julho de 2008 @ 16:54 por Philip Nascimento

Preâmbulo
“Cada era que atravesso mais se enterram meus alicerces e descem meus pisos com suas pilastras, assim diminuo tal qual os homens quando envelhecem.”

Dá Licença. Muito bom poder retomar as nossas proveitosas conversas aqui neste espaço. Espero que os senhores não tenham cansado da minha ausência e tenham mudado de canal… Aliás, mudança de canal mesmo foi a que presenciamos nesse período de desarmar a barraca já pensando no outro dia de feira. Pois é… Contaram-me os ventos, antes mesmo que dessa verdade toda tomasse tento, embora já imaginasse os capítulos que viriam após o último carnaval… E depois de tanta mutação, a única que permanece intacta é a Beija-Flor. Anísio não dispensou nem a faxineira de sua residência. E essa equipe consolidada certamente é um dos caminhos do sucesso. Porém, enquanto não se aprende definitivamente esta lição básica, primária, o jeito é sentar e esperar o próximo embate entre “Os Mutantes” e “A Favorita”. Continuemos…

Pois bem, vamos ao que interessa. Passar um longo período na geladeira muitas vezes pode nos ser de grande serventia, haja vista que, bem ou mal, há certo distanciamento do objeto constantemente estudado, observado. Pois foi tão somente o que aconteceu. Pegando carona nessa fase de apresentação dos enredos para o próximo carnaval, em que a arte de contar histórias na Sapucaí através dos temas que para ela são levados começa a ser esboçada através das sinopses, venho com uma espécie de exercício da metalinguagem para encontrarmos uma importante peça deste quebra-cabeça, peça esta de fundamental relevância no confronto entre Eras distintas e, conseqüentemente, visões de como desenvolver a arte de contar histórias na avenida também distintas, como forma de perpetuá-las no imaginário popular e disseminá-las por gerações afora, da mesma forma que acontece em regiões como o Norte e o Nordeste do Brasil, por exemplo, em que o simples ato de contar histórias faz parte do cotidiano, retrata a vida das pessoas como uma real testemunha dos fatos, dos momentos de medo, alegria e bravura do povo.

Assim sendo, se fossemos fazer uma reflexão ou até mesmo apontar a grande testemunha secular da história do carnaval carioca, quem seria esta ilustre figura? Quem atravessou o século sendo altamente onipotente dentro de seus limites e presenciou revoluções, transformações, alegrias e tragédias do carnaval carioca? A História? Sim, mas qual história? A “versão oficial” dos fatos, tal qual a versão do Brasil que a Mangueira vai levar para a Sapucaí em 2009 ou a versão deste mesmo país que esta mesma escola cantou em 88? Os livros? Não. É mais que evidente que tais registros são de suma importância e que constantemente nos servem como fonte de pesquisa desta longa narrativa repleta de personagens e estórias; todavia não são capazes por si só de provocar sentimento ou de servirem de base para revoluções, em que se vê a necessidade de algo mais pulsante como forma de despertar novamente o afeto pelo carnaval, pelo samba, pelas escolas e, conseqüentemente, por mudanças no sentido de apontar o foco da narrativa para quem verdadeiramente é o dono deste “folhetim”, quem formatou, deu cara e identidade a toda essa história.

Precisamos de um pouco mais de ânimo para sermos nós a testemunha secular e, sobretudo, atuante, desta narrativa; para que se possa ao menos fazer valer os ideais de resistência que foram plantados lá nos primórdios… E que não fiquemos apenas acompanhando as distorções nos princípios que balizam o carnaval como espectadores somente, para que mais tarde a competência para criticar não seja algo fora de nossa alçada. Porque não podemos delinear os caminhos desse enredo que, acima de tudo, é nosso ? Na TV, quando não gostamos do “Jornal Nacional” podemos rapidamente mudar para o “Jornal da Record” ou até mesmo desligar a TV e ir para a Internet, pois neste e em tantos outros casos somos detentores da opção de escolha. Bom mesmo seria se esta regra fosse válida para nossa relação com as escolas de samba, bem como para abrandar a nossa frustração em determinados momentos. Entretanto compreendo que no carnaval é bem mais complicada essa relação, pois quando não gostamos de ter Chile, Noruega, Zimbábue como enredo, abate-se sobre nós uma profunda crise existencial por estarmos entrando em conflito com a paixão por uma escola, ou seja, o conflito é com o coração, nada mais que o coração. E aqui estamos nós, caras pálidas, assistindo a tudo de forma pacífica, reduzindo a nossa relação com o carnaval ao mesmo patamar da TV, como se o carnaval fosse um corpo estranho, ou um objeto voador não identificado.

Com efeito, é bem verdade que nesta fase “Vegetal de Sangue” em que nos encontramos a História ainda seja onisciente e onipresente, mas atue apenas como registradora dos acontecimentos – ou da falta deles - para mais adiante ser apenas uma simples reprodutora. E um belo dia no futuro, quem sabe, ela resolva nos contar algo, como se fosse um Cordel Nordestino, sobre este “período interrogativo e vegetativo” que vivenciamos; para expirar o seu pecado. Pecado de ver e nada fazer. Pecado de ter se petrificado e se anulado. Pecado por atuar de forma passiva e não militante diante das intempéries que se sucederem paulatinamente; assistindo calada aos gestos, vícios, e crimes se repetirem em cada geração que lhe “habitou”, nos mostrando o quanto o tempo pode ser comparado a um velho esquecido, pois permite que certas coisas aconteçam sem sequer esboçar qualquer reação. E ficamos como se fossemos feitos do mesmo material, da mesma matéria-prima que deu forma às arquibancadas da Sapucaí.

Contaram os ventos vindos da Zona Oeste que a Mocidade traria para a avenida um enredo sobre o Chile (e estava armada a grande confusão!) um país de pouca identificação com o Brasil, assim como tantos outros temas que já passaram pela avenida ultimamente. E qual o nosso papel diante disso? Eis aqui o primeiro conflito psicológico em nossas cabeças: “Minha escola já me emocionou com Martim Cecerê, e agora vem com Noruega” ou então “Já tive orgulho de minha escola com Tupinicópolis e agora terei que me rasgar de amores pela terra da Michelle Bachelet”. Dando continuidade, eis que surge o segundo conflito psicológico em nossas cabeças: “Eu devo apoiar minha escola mesmo sabendo dos caminhos tortos que ela toma, ou devo ser mais atuante, no sentido de querer – e principalmente de exigir - sempre o melhor para ela acima de qualquer coisa?” E, pra finalizar, o terceiro e mais avassalador conflito psicológico: “É melhor ganhar força financeira para competir com os grandes dinossauros, ou bom mesmo é ser feliz mesmo correndo o risco de amargar um péssimo resultado?” “Qual o meu conceito de felicidade?”. Fantasiado em outro cenário e outra contextualização – porém não menos dramático - aquele conflito de Hamlet aparece para nos aterrorizar: Vegetable ou not Vegetable…

Seremos pra sempre “Vegetais de Sangue” petrificados nas arquibancadas da Sapucaí, ou o nosso papel enquanto parte mais que integrante e, portanto, matriz energética de toda essa festa deve sempre falar mais alto? Sendo assim, voltemos ao nosso eixo sobre a testemunha secular da história. Ficará registrado na história do carnaval tudo o que de fato acontecer, tantos os “Martins Cecerê” quantos os “Bacalhaus”, tantos os “Tupinicópolis” quando os “Chiles”; todavia, a verdadeira história ficará no inconsciente do povo, e este é, na verdade, o grande autor e contador de estórias e causos… É ele o relator de momentos que de alguma forma despertaram sensações e que serão repassados para as gerações seguintes. Nossa relação de afeto por Jamelão, por exemplo, será repassada para frente a ponto de as gerações futuras preservarem o mesmo carinho que hoje temos pelo mestre. E o que é isso? A mais que verdadeira testemunha secular da história.

O lugar da história é o coração humano. É nele que estão os grandes momentos, como a criança lá do Nordeste que escuta desde pequeno as estórias, os causos, as lendas… Os singelos versos de Luís Câmara Cascudo, que tomei emprestado como título atua com uma precisão cirúrgica ao denotar que a grande testemunha secular não é a História pura e simplesmente, mas a Memória Afetiva do povo que edificou seus alicerces, assim como a dos que receberam esta tal Memória Afetiva como herança. Isso mesmo, herança. E esta relação quase que hereditária está presente, nas mais diversas culturas pelo mundo afora e é uma das bases do folclore. O interessante em tudo isso é observar que as pessoas mais velhas certamente falam com saudade de carnavais passados, de tempos passados, e isso é mais que natural, uma vez que foram peças atuantes da engrenagem que impulsionou o período a que se remete de forma nostálgica.

Todavia isso não é exclusividade das pessoas que viverem em tais épocas, já que os mais jovens também acabam desenvolvendo o mesmo sentimento afetivo por períodos em que nem eram nascidos. Bossa Nova, uma senhora de 50 anos, continua encantando as gerações subseqüentes à sua gênese continuam despertando o mesmo interesse e ganhando uma característica atemporal. Como explicar tal fato? Como um jovem garoto consegue desenvolver o mesmo sentimento afetivo por períodos do carnaval anteriores a sua existência? Há algo de sobrenatural nisso? Claro que não, e a resposta para tamanha confusão está, mas uma vez, nos versos do folclorista Luís Câmara Cascudo, pois a forma emotiva com que as histórias (hoje há uma carência de histórias, enredos que tenham a força necessária para serem lembrados) são contadas para as gerações futuras é responsável por este tipo de situação. Certamente quem nunca presenciou desfiles memoráveis da história do carnaval nutre um sentimento de ternura similar ao dos que testemunharam e atuaram para que a história se perpetuasse no imaginário popular. Ao tomarmos conhecimento de tantos momentos, de tantas histórias envolventes, nos colocamos no lugar, como se pudéssemos ser transportados para uma realidade distinta da atual.

A peculiar visão da História, que coloquei desde o início personificado na figura de toda essa gente que verdadeiramente faz o samba, assistiu tudo o que aconteceu dentro de seus limites, desde a sua “criação” até os dias atuais, em que, apesar de possuir tanta vida dentro de si, passa por momentos de extrema solidão, já que outrora era testemunha de momentos de emoção, hoje testemunha do mais uníssono silêncio.

É preciso pensar no que estamos produzindo de interessante e que mereça verdadeiramente ser repassado para as gerações futuras, partindo do pressuposto de que as gerações futuras deveriam herdar histórias belas, de bravura e coragem, de suor e lágrimas; assim como nós herdamos de nossos antepassados, no que diz respeito aos belos capítulos que o carnaval produziu e que se tornaram parte mais que essencial da cultura popular brasileira. Abro aqui um parêntese e peço licença aos senhores para uma pequena crise existencial que neste exato instante abateu sobre esta pessoa que vos fala: Oh, céus… Mas seria isso a praga da Nostalgia? Até que ponto cultivar o pensamento de que “o que é bom ficou no passado” nos impede de ver a atual realidade com olhos mais complacentes? Estaria eu, trazendo este pensamento, após passar quatro meses na geladeira, caindo nesta mesma cilada? Tirem suas próprias conclusões…

Mês de junho pra esquecer: Sai Paulo Barros, entra Milton Cunha. Morre Jamelão e agora Aroldo Melodia

2 de Julho de 2008 @ 21:12 por Ricardo Almeida

Salve, Salve!

Voltando as atividades, depois de alguns meses “hibernando”, mais uma vez por motivos profissionais que me afastam da cidade maravilhosa, eis que ressurjo das cinzas. Aproveitei este tempo para estudar um pouco, porque o dinamismo da internet é enorme, e todos os dias aparecem novas tecnologias, mas se eu for aplicar tudo o que aparece iria enlouquecer. Então, optei por coisas práticas que não pesam muito no site e o deixam com uma cara mais limpa e objetiva. Bem, neste período, além de muitas feijoadas e encontros, algumas coisas merecem ser comentadas.

Sei que pode parecer que estou atrasado, mas nunca é tarde para falar de Jamelão. Este baluarte nos deixou no mês passado, e com ele ficou um vazio no peito. Dos mais velhos aos mais novos, todos, sem exceção, se acostumaram a ver aquela figura ranzinza em cima do carro de som da Mangueira, cheio de elásticos transpassados nos dedos e uma voz insuperável que se confunde com a própria escola. Eis aí um posto difícil de ser substituído. Luizito, o agora intérprete oficial, ainda não convenceu e é inconstante, talvez pela responsabilidade que tem a frente da escola mais amada do Rio. Ano passado ouvi um boato de que nada menos que Emílio Santiago estava se preparando para assumir o posto, mas o próprio teria se esquivado e dito que não tinha o traquejo para tal. Mas que ele está rondando a escola com mais freqüência é fato, e se é verdade ou não, só o tempo para dizer.

Hoje, friamente recebo um e-mail com o seguinte título: Morre Aroldo Melodia. Caramba! Poderia ser um pouco mais ameno. Depois que caiu a ficha, mais uma vez fica a saudade de um intérprete e compositor que, como Jamelão, escreveu seu nome na história do samba. Desfiles memoráveis e seu jeito irreverente de cantar e mais uma vez uma figura que se confunde com a história de sua escola querida, a União da Ilha. Graças a Deus, tenho comigo gravações antológicas deste cidadão do samba. E em uma dessas gravações, ele canta: “Se um dia/Eu deixar de desfilar/Pela União da Ilha/Vou chorar…” Apesar de nunca ter ganhado um título em sua carreira, nos deixou interpretações memoráveis: Domingo, É Hoje, O Amanhã, O Que Será? Que vá em paz…

E na Viradouro, as coisas não andam lá muito bem. Após uma confusa disputa para a presidência, onde até Luma de Oliveira (?) queria assumir o posto, sobrou para o carnavalesco Paulo Barros. Confesso que não sou um admirador do trabalho dele, mas desta vez acho que ele foi “boi de piranha”, igualzinho ao Dominguinhos. Li em algum lugar que a escola estava divergindo das idéias dele, e que ele não queria fazer um carnaval tradicional. Em primeiro lugar, todos sabem a direção de Paulo Barros, com suas idéias mirabolantes que nem sempre, vejam, nem sempre, agradam. Mas além dessas idéias, já o vi fazer carnaval tradicional. Quando a Estácio subiu, em 2006, não vi nada de futurístico. Tirando o carro em que os componentes formavam figuras e o símbolo da escola, nada demais mesmo. Acho que é uma questão de vontade de chegar a um denominador comum. Ele pode ser o que for, mas tenho certeza que uma boa conversa pode mudar muitas idéias, e, desculpe o termo, burro ele não é. Então, creio que a escola já estava pensando nisso há algum tempo. A escola tem todo o direito de admitir e demitir que e como achar melhor, mas na Viradouro falta transparência.

Pegando essa canoa meio furada, Milton Cunha vai precisar concretizar todo seu vasto conhecimento e mostrar que, além de bom professor, historiador, palestrante e outras coisas mais, é também bom carnavalesco. Se tiver o respaldo da escola e puder desenvolver seu trabalho, acredito em um bom carnaval para a escola.

Até a próxima!!

E todo carnaval tem sua quarta-feira…

15 de Março de 2008 @ 00:59 por Rafael Rezende

Parte 5 e última

Conclusão do carnaval 2008

Caro leitor, considerando que a ironia, o bom humor e a crítica estão tão vivos quanto Getúlio Vargas, e tão valorizadas na avenida quanto Cartola, faço questão de fazer o desfecho das lembranças do carnaval 2008 de uma forma mais, digamos, carnavalesca, já que o próprio carnaval se esqueceu de ser assim.

1- Lições práticas de como construir uma alegoria em três dias e ganhar uma boa nota:

Caro carnavalesco, se o seu barracão pegou fogo, sua alegoria foi censurada, a pluma e o isopor que foram encomendados não chegaram, acabou a grana do carnaval… Não arranque seus cabelos! Ou melhor, se você for o Max Lopes, não arranque o bigode! E se for o Renato Lage, não arranque os cabelos da pessoa mais próxima (sai de perto, Márcia!). Aqui vão algumas dicas para acabar com seu sufoco, sem necessitar de um implante capilar na quarta-feira.

a) Encha a alegoria com um pano branco, prenda com fita crepe. Coloque umas frases de efeito e, para chocar, coloque um monte de gente amordaçada e um Tiradentes no meio.

b) Vá à loja de R$ 1,99, pegue o objeto mais bizarro que tiver ali, e faça uma alegoria só com ele. Isso no carnaval é chamado de criatividade, os jurados gostam. Serve qualquer coisa: panela, chupeta, bebê de plástico… Para que gastar tempo e dinheiro com esculturas bem feitas e acabamentos primorosos?

c) Não tem nada para colocar na alegoria? Muito simples: pessoas da comunidade são mais baratas do que esculturas e parafernálias, e o povo se identifica mais. E qualquer coreografia faz efeito: bater palma, abrir e fechar algum objeto, como geladeira, livro, caixão, revistinha de super-herói…

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-Jurados ficaram impressionados com o canto dos componentes deste carro, dando à Viradouro não só uma boa nota em alegoria, como também em harmonia.

2-Fala a verdade: um desfile da Rosa Magalhães que se preze tem que ter anjos.

3-Fala a verdade, o retorno: A Luciana Gimenez afunda qualquer escola. Foi só a Luíza Brunet retornar à Imperatriz que a escola voltou ao sábado das campeãs.

4-Em homenagem aos 200 anos da chegada da Família Imperial ao Brasil, o júri foi composto por quarenta Marias Loucas devidamente patrocinadas pela prefeitura.

saoclemente desfile interna 1 - saoclemente desfile interna 1

-Uma das juradas achou esse negócio de julgar uma loucura e foi pra avenida curtir o carnaval.

5- Qualquer semelhança do pavão da Unidos da Tijuca com um peru é mera coincidência.

6- Só o carnaval nos permite ver dois cavalos bem maiores do que a carroça que eles estão puxando, não é mesmo Imperatriz?

7- O leão que abria o desfile da Mocidade parecia ter um tique nervoso, não parava de mexer a pata para o lado.

8- Se era para mostrar com quantos paus se faz uma barraca, a Porto da Pedra mostrou com quantos bambus se faz um barco. A Mocidade, por sua vez, mostrou com quantas coroas se faz um desfile.

9- Um turista pela primeira vez em um desfile de escolas de samba teria ficado mais à vontade do que ficou a Betty Lago no desfile da Grande Rio. Um jurado de harmonia e evolução deveria ter retirado um décimo só por causa dessa catástrofe carnavalesca. Aconselho a direção da escola a colocá-la no próximo ano em um queijo apertado, a uns oito metros de altura, para disfarçar a atriz desengonçada.

295024 9803 ga - 295024 9803 ga

- Betty Lago se acabando no desfile da Grande Rio, adequadamente fantasiada para os seus dotes de passista.

10- Depois que um site americano chamou Ângela Bismarck de cachorra louca, não sobrou muito para comentar sobre ela. Mas como boas sugestões devem ser propagadas, é válido dizer que o site ainda sugeriu que se colocasse um saco de bananas no lugar do cérebro da espalhafatosa. Pode ser que dê certo…

11- Se você for passar o próximo carnaval em um frisa, cuidado para não ser engolido por alguma onça alegórica. Trata-se de uma espécie de onça devoradora de foliões, que só existe no Brasil, felizmente em extinção, sobretudo depois de ter devorado também alguns décimos da Grande Rio.

12- O pessoal do camarote da Brahma irá colocar um escudo como segurança nas janelas escolares que funcionam como banquinho vip; eles temem que a qualquer momento as alegorias do carnavalesco Roberto Szaniescki entrem no camarote sem usar a camiseta dos convidados, o que é expressamente proibido. Alguém se lembra do categórico chute na bunda de Arnold Schwarzenegger em 2001?

13- A diretoria da Grande Rio vai reclamar com a Liesa a nota da julgadora Alice Serrano no quesito samba-enredo, apenas 9,6. Já eu queria apenas entender por um minuto o porquê das três notas máximas que a agremiação ganhou no quesito.

14- Já Laíla, vez por outra, perde a chance de ficar calado. Levou uma digníssima vaia ao exaltar o “papai” Anísio antes do desfile da Beija-Flor. Afinal de contas, diferente do diretor de carnaval, o povo não está ganhando nada pra exaltar tais figuras. Dias depois, na mão de quatro assaltantes, disse que era da Beija-Flor. Mal sabia ele que o bandido era mangueirense. Saiu vivo porque o delinqüente deveria estar trabalhando (?) quando a torcida da Beija-Flor cantava em coro durante a apuração: Eu, eu, eu, a Mangueira se f…
Moral da história: quem com ferro fere…

15- Há muitos séculos atrás, numa galáxia muito distante, havia jurados que davam nota 7,5 para um buraco na evolução de determinadas escolas. Atualmente, um buraco igual ou pior ganha 9,9. É coisa de brasileiro mesmo, está tudo bom, está tudo lindo; o julgador vai lá, ganha sua grana, tem suas mordomias, assiste aos desfiles de camarote. Mas da próxima vez, poderia lembrar-se de julgar também, isso se não for pedir demais, claro.

16- Com o princípio de incêndio que houve na alegoria da Portela, quase que o gorilão da escola se transforma em mico-leão-dourado.

17-Falando nisso, todo o calor que falta nas arquibancadas sobra nas alegorias. Eu, pelo menos, tomei ciência de cinco princípios de incêndios este ano, em alegorias da São Clemente, Porto da Pedra, Salgueiro, Portela e Mocidade. Se você é bombeiro, passe o carnaval longe da Sapucaí. Trabalhar no Sambódromo é uma fria (ou seria quente?). Os bombeiros ficam tão loucos com este serviço que tentaram apagar o que era apenas um efeito especial da Vila Isabel.

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-Imagem do presidente Lula assistindo aos desfiles este ano no camarote da Vila isabel. Ele ficou emocionado com a homenagem feita ao trabalhador brasileiro, lembrando-se do tempo em que os brasileiros ainda acreditavam que ele poderia resolver alguma coisa nesta nação.

18- Tudo bem que a fantasia era feia, mas Adriane Galisteu comprovou que não está ali só para fazer o papel de “musa-saradona-gostosona-que-não-sabe-o-que-é-samba-mas-sabe-o-que-são-as-lentes-dos-quinze-minutos-de-fama”. Vestiu a fantasia e incorporou seu papel dentro do enredo. Ou alguém enxergou alguma taça na fantasia da Juliana Paes? Se você enxergou, caro leitor, você certamente conseguirá uma ponta no próximo filme do X-Man. Parabéns!

19- Menção honrosa ao Chico Spinoza, que conseguiu chamar os botijões da Grande Rio de “deslumbrantes”. Coragem é algo que todos nós devemos admirar.

20- E o estandarte de melhor voz da avenida vai para… Cléber Machado! Ou alguém conseguiu ouvir outra coisa pela tv?

21- Maria Augusta dedicou seus comentários finais do desfile da Mocidade falando sobre a fundamental união entre Cid Carvalho e Fábio de Melo. Àquela altura, a única união que poderia estar ainda acontecendo é a dos dois rolando na porrada na concentração. Sábia Maria Augusta!

22- Ainda bem que carnaval no Rio é coisa séria, e nele toda a nudez será sempre castigada. Imaginem se fosse algo semelhante à Brasília, com aquela put…, digo, alegria toda… Bem que dizem que carnaval são os dias de exceção. Afinal, nem que seja por alguns dias, algo tem que funcionar neste país, inclusive o pudor, a moral e o respeito à família brasileira!

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-Histórico- O primeiro Sambódromo construído no Brasil foi em Brasília, criado devido à necessidade dos políticos brasileiros se divertirem sem ter que fazer esses tipos de manifestações carnavalescas no meio da rua. Foi inspirado neste Sambódromo que Oscar Niemeyer construiu outro para o povo turista, digo, carioca. Mas no Rio o carnaval infelizmente dura apenas quatro dias, enquanto o Sambódromo de Brasilía é aproveitado o ano inteiro. Afinal os políticos são contra o desperdício de verbas públicas.

23- Fábio Santos, um dos carnavalescos da São Clemente, que não apareceu em momento algum do ano porque o Milton Cunha pulava à frente da câmera mais rápido, afirmou em um jornal televisivo que a agremiação perdeu o título somente por causa da nudez de Viviane Castro. Será que o carnavalesco ficava desenhando fantasias durante as aulas de matemática?

24- Mas carnaval é assim mesmo, uma inversão de papéis. No caso das musas, inverte o figurino: as partes visíveis o ano todo são ocultadas no carnaval, já as partes que elas escondem o ano inteiro são mostradas na avenida. Mas a moça até tentou esconder, só que o tapa era menor do que o sexo. Um erro de cálculo matemático (será que foi Fábio Santos que fez o figurino da moça?).

É como já dizia a São Clemente:

“ Todo mundo pelado, beleza pura

Todo mundo pelado, mas que loucura

Ninguém segura a perereca da viVinha

É um barato a buzina do Chacrinha”

Risos, copiosos risos…Para o último suspiro da ironia no Grupo Especial…

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-Como este é um blog de família, cobrimos a parte do corpo de Viviane Castro que ficou excessivamente à mostra.

25- Se a Família Real chegou ao Brasil de caravela (como diz o samba da Mocidade), eu vim ao mundo em uma nave espacial. Ainda bem que o enredo da Mocidade não passou de uma utopia na história. Utopia também a crença de que iriam julgar a agremiação com justiça. Bons tempos do pierrô ingênuo…

26- Por falar em pierrô, não posso deixar de fazer uma revelação bombástica. Alguém já leu o significado de “colombina” no dicionário? Pois vejam: Mulher namoradeira, alegre, fútil e bela. Ou seja, ela é praticamente uma “piriguete” safada. Esqueçam aquela ingênua escultura que estava na alegoria da Mangueira. No reino dos patrocínios “tudo é divino, maravilhoso”, como já cantarolava Gal Costa em seu banho de sal grosso.

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-Foto de uma colombina no carnaval baiano.

28-Aliás, viram com que alegria o povo português assistiu à saída da Família Real de lá? Não seria porque a Família estava deixando o povo jogado às traças, ou melhor, a Napoleão, que os portugueses que ficaram iriam reclamar de alguma coisa. É o que nos garante o samba da São Clemente, afinal carnaval é (ou era) cultura.

29- Enquanto isso, o Império mais uma vez vestiu seus balangandãs e foi para a avenida dar uma de Carmem Miranda. Como disse o Capitão Nascimento, ops, Guimarães: Quer samba? Vai para o acesso! Estamos no caminho certo…

30-Bom, o carnaval passou, o outro já vem como um trem bala. Fico feliz de ter conseguido escrever a última parte desta saga (quase) épica antes do carnaval 2009. Sinal de que sou Grande Rio, digo, brasileiro, e não desisto nunca. E qualquer dia eu chego lá! E o último a sair que apague a luz…

Nos bastidores, uma melodia embala a famosa “dança das cadeiras” Parte 2

12 de Março de 2008 @ 23:21 por Afonso Fonseca

Ainda em fase embrionária, o carnaval de 2009 é tecido nos bastidores, grandes mudanças já foram anunciadas em muitas Escolas; vamos às mais relevantes trocas de postos:

Intérpretes: Comecemos a nos preparar para ouvir a voz do intérprete Wantuir na Acadêmicos do Grande Rio, visto que, foi na Unidos da Tijuca, pelos cinco últimos carnavais que a ouvimos, em contrapartida, Wander Pires foi demitido da tricolor de Caxias, tudo indica que o incidente no dia do desfile oficial da Escola, influenciou na decisão da Diretoria de efetuar a dispensa. Dominguinhos do Estácio, assinou contrato com a Inocentes de Belford Roxo, escola que em 2008 venceu o carnaval no Grupo de Acesso B e vai figurar entre as 10 escolas do Acesso A em 2009.

Compositores: No início do mês, soube-se que Gustavo Clarão, tradicional compositor da Unidos do Viradouro, decidiu mudar de “casa”, apartir das próximas eliminatórias, Clarão, inscreverá suas composições na Estação Primeira de Mangueira, escola em que o referido compositor sagrou-se campeão em 1993, quando a Mangueira trouxe o enredo: “Dessa fruta eu como até o caroço”.

Carnavalescos: Roberto Szanieck e Paulo Barros, vão ter algo em comum, em 2009 darão duplo expedientes, Szanieck além da Mangueira, vai assinar o carnaval da Inocentes de Belford Roxo, e, a Renascer de Jacarepaguá terá o mesmo carnavalesco da Unidos do Viradouro. Mais mudanças: Lane Santana e Jorge Caribé são os novos carnavalescos da Portela, com a saida de Cahê Rodrigues.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira: A ciranda dos pavilhões aconteceu; Diego Falcão e Alessandra Bessa, ex-Portela, deverão bailar com o Pavilhão da Porto da Pedra, O casal Robson e Ana Paula que em 2008 defenderam o pavilhão da vermelha-e-branca de São Gonçalo, em 2009, irão continuar defendendo pavilhão de igual cor, mas, da agremiação de Niterói, Unidos do Viradouro; substituindo o casal Raphael e Simone.

Mestres de Bateria: Sinésio Farias é o novo Mestre de Bateria da Arranco do Engenho de Dentro, substituindo Ricardinho. Pato Rocco, deixa de ser para o carnaval de 2009, o Mestre de Bateria da Acadêmicos da Rocinha, em seu lugar, comandará os ritmistas da Escola de São Conrado, Mestre Maurão. E por problemas de saúde, fora afastado do cargo, Mestre Louro, que inclusive, passou mal na Avenida, no último desfile da vermelho-e-branco de São Gonçalo, em dado momento do comando da bateria gonçalense, assume o seu primeiro assistente; Thiago de Souza

Essas são mais algumas mudanças consolidadas no carnaval carioca; além de que, alguns enredos já foram definidos para o próximo carnaval, tais como: “Encantos e Bruxarias na Corte do Rei-Sol”, uma apologia à vida e obra do escritor francês Charles Perrault, que introduziu o gênero literário dos Contos de Fadas. O enredo é de autoria dos carnavalescos Artur Reiy e Gio Salles, da Escola do Acesso D, Gato de Bonsucesso, e não podia ser outro personagem a ser protagonista, senão o Gato de Botas. Outra Escola que já definiu o enredo para o carnaval de 2009, é a Delírio da Zona Oeste; “E agora garçom, pode trazer a saideira…”, o enredo versará sobre a boemia carioca e será desenvolvido por uma Comissão de Carnaval.

Muitas e boas contratações, vamos aguardar, possivelmente haverão mais mudanças!

E todo carnaval tem sua quarta-feira… Parte 4

7 de Março de 2008 @ 20:50 por Rafael Rezende

quarta-feira

desfile 20do 20carnava 20do 20rio 202008l - desfile 20do 20carnava 20do 20rio 202008l

O carnaval inteiro passa, mas o samba do crioulo doido mesmo só aparece com a abertura dos envelopes. O difícil é entender como sai algum resultado justo ali no final, já que na quarta-feira quase todas as nossas certezas sobre o carnaval caem por terra.

Samba-enredo - O quesito deveria ser o mais importante de todos, mas hoje está extremamente desvalorizado. Os jurados se comportam como verdadeiros poços de bondade: a menor nota foi 9,7. O samba do Salgueiro, considerado pela maioria apenas como mediano, levou nota máxima. O samba da Viradouro, considerado um dos piores do ano, senão o pior, perdeu dois décimos. O samba da Grande Rio, outro mediano, perdeu apenas quatro décimos. E o presidente da escola ainda teve a coragem de reclamar da nota. A mais castigada foi a Vila Isabel: nove décimos perdidos. O que também é pouco pela obra apresentada. Em um ano sem sambas brilhantes, quatro agremiações ganharam a nota máxima: Beija-Flor, Imperatriz, Salgueiro e Portela.

Harmonia – Como em todos os anos, alguém tem que fazer o papel de louco. Desta vez, tal função ficou a cargo de Evaldo Santos, que saiu distribuindo notas baixas. Na verdade, as notas dele não são absurdamente baixas. Elas apenas destoam da bondade dos demais julgadores. De qualquer forma, ficou esquisito, pois as notas prejudicaram várias escolas. Beija-Flor foi a única que cravou 40 pontos, seguida por Mocidade e Grande Rio com 39,7. Porto da Pedra levou a menor nota no somatório do quesito, apenas 38 pontos.

Enredo - Voltando para um momento mais tranqüilo na apuração. Embora poucos enredos fossem interessantes, a menor nota foi 9,6. Enredos simples ganharam as maiores notas- Salgueiro e Portela levaram 40 pontos, e Tijuca 39,7. Já os enredos históricos não se deram tão bem. Nem mesmo o elogiado enredo da Imperatriz, que perdeu seis décimos. Os julgadores foram benevolentes com Beija-Flor e Grande Rio, pois os enredos dessas escolas eram de difícil compreensão, forçados pelo patrocínio e pouco interessantes na prática, entretanto perderam apenas 0,4 e 0,5 décimos, respectivamente, e mesmo assim foram mais bem avaliados do que Imperatriz e Mocidade…
Os jurados também devem ter achado graça no enredo subjetivo, pouco carnavalesco, de importância cultural altamente questionável e desenvolvido em torno de nomes “hollyoodianos” que atuavam em prol da realização de um grande mosaico de informações desconexas. Um enredo onde ao mesmo tempo tudo e nada eram possíveis, como, por exemplo, um setor sobre o cabelo deslocado na proposta do arrepio. O fato é que a dona deste enredo, Viradouro, perdeu escassos sete décimos.
A menor nota ficou para a família real da São Clemente, com 38,5.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira – Os jurados costumam pegar leve com os casais, talvez porque seja muita responsabilidade duas pessoas carregarem um quesito inteiro. Não à toa a menor nota foi 9,7. As surpresas do quesito ficaram por conta dos dois incomuns 9,8 que a consagrada Lucinha Nobre e seu parceiro Bira levaram, provocando, inclusive, a separação do casal. Mangueira e Beija-Flor ganharam nota máxima, enquanto Grande Rio, Imperatriz e Mocidade perderam apenas um décimo. O casal da São Clemente foi o pior do quesito, com 38,9.

Fantasia - Único quesito em que nenhuma escola ganhou os almejados 40 pontos. Nilópolis conquistou as maiores notas e acabou com 39,9 pontos. Já a Porto da Pedra, segundo os jurados, foi a pior, com 38,2. Diferente de mim, os jurados gostaram das fantasias da Viradouro, que ganhou 39,7. Está certo que elas estavam criativas, mas faltou bom acabamento e beleza. Algumas eram simples demais.

Evolução – nem em um quesito tão problemático surgiram notas muito baixas.
Beija-Flor e Salgueiro ganharam 40 pontos; Viradouro 39,9. Menor nota para o “saco de pancadas” São Clemente: 38,5. Vila Isabel abriu um clarão de quase dois setores, no entanto ganhou notas 9,9 e 9,8 nas primeiras cabines de jurados, aonde aconteceu o problema.

Bateria – foi o quesito com maior número de agremiações ganhando a nota máxima: Salgueiro, Viradouro, Imperatriz, Grande Rio e Beija-Flor faturaram 40 pontos. Resta saber se são as baterias que estão essa maravilha toda ou, como de costume, são os jurados que estão pouco exigentes. O positivo do quesito foi ver Imperatriz e Salgueiro voltando a ganhar nota máxima, depois de passarem bons anos perdendo pontos no referido quesito. A menor nota foi para a bateria de Mestre Louro da Porto da Pedra, com 39,2.

Alegoria – Eu não tive muita paciência de ler as justificativas dos jurados, mas os deste quesito eu fiz questão de ler para ver se compreendia as notas. Como já havia escrito no início, é um verdadeiro samba do crioulo doido. Alguns jurados observaram muitos erros, criticaram todo o conjunto alegórico e, no final, tiraram apenas 0,2. Outros se preocuparam mais com o detalhe de haver uma tesoura largada em um carro da Mangueira do que observar se o restante da alegoria apresentava-se de forma criativa e bem acabada. Lendo as justificativas se percebe o como os jurados são mal preparados, não tendo nenhuma noção da escala de notas que deve ser usada. De quebra, o espaço que há para eles justificarem, isso se eles realmente justificassem corretamente, é o suficiente para apontar as falhas de apenas uma alegoria. Apenas a Beija-Flor ganhou 40 pontos, enquanto São Clemente somou 38,4 pontos.

Conjunto – Interessante perceber que dois jurados de Conjunto acharam que oito escolas desfilaram perfeitas, merecendo a nota 10. Em um ano de desfiles predominantemente medianos, chega a ser patético. Sem maiores comentários. Maior nota para Beija-Flor e Salgueiro, cravando 40 pontos; menor nota para a São Clemente, com 38,8 pontos.

Comissão de Frente – O fato da comissão de frente da Mocidade, ganhadora de todos os prêmios e capas de jornal do ano, não ter levado nenhuma nota máxima faz cair por terra qualquer possibilidade de se levar a sério os julgadores deste quesito. Pelas justificativas apresentadas, apenas o último julgador apresentou motivos pertinentes para retirar dois décimos de Padre Miguel. O restante alegou que faltou impacto na apresentação. Um impacto que houve apenas na Grande Rio e na Viradouro, ambas com nota máxima. Faltou avisar aos jurados que eles ainda julgam um desfile de escola de samba, e não um espetáculo da Broadway. Os jurados também não gostaram da apresentação de Rogéria, pela São Clemente e dos japoneses na Porto da Pedra, que ganharam 39 e 38,9 pontos neste quesito.

No resultado final, foi quase tudo aceitável. A maior beneficiada do ano foi, mas uma vez, a Grande Rio. E a prejudicada foi a Mocidade, que merecia, ao menos, uma volta ao sábado das campeãs. No restante do resultado, certamente há algumas outras colocações que podem ser questionadas, mas nada que seja absurdo.

E todo carnaval tem sua quarta-feira… PARTE 3

28 de Fevereiro de 2008 @ 00:07 por Rafael Rezende

segunda23 1 - segunda23 1

Segunda-feira

O segundo dia de carnaval foi bem melhor. A começar pela chuva, que não apareceu para prejudicar os desfiles. Além disso, era uma noite de escolas teoricamente mais bem preparadas. Se a primeira noite era pra ser a noite da emoção, a segunda foi chamada por alguns como a noite para a disputa do título. Não à toa.

Eu, como bom torcedor da Mocidade, estava extremamente ansioso com este desfile. Muito mais do que nos anos anteriores, pois dessa vez sabia que a escola estava preparada para voltar a desfilar como a boa e velha Mocidade. E depois de ficar quatro carnavais sem ver a verdadeira Mocidade desfilar, vê-la novamente ali foi muito emocionante. A escola foi a grande injustiçada do ano, pois merecia ao menos uma vaga no sábado das campeãs. O refrão “Minha Mocidade Guerreira” mexeu com os brios do componente, e calou a boca de quem acreditou que o samba poderia morrer na avenida. Padre Miguel apresentou a melhor comissão de frente e ala das baianas, um dos melhores sambas, um enredo interessante, um bom conjunto de fantasias. O nível das alegorias oscilava, mas ainda assim estava na média do ano. A escola também acelerou um pouco após a entrada da bateria no recuo. De qualquer forma, desde 2003 não se vi a Mocidade tão bem.

A campeã do Estandarte de Ouro entrou logo em seguida na avenida. O desfile da Tijuca, como sempre, foi marcado pelo bom chão da escola, pelo enredo e estética simples e de fácil entendimento, que abusou das coreografias para compor as alegorias. Acredito que a estética continua sendo o ponto fraco da agremiação. A comissão de frente também não foi um bom momento, pois somente os jurados poderiam ver o efeito criado pela multiplicação dos componentes diante do espelho, se isso de fato aconteceu. Fazendo um balanço geral, a escola já fez desfiles melhores nos últimos anos, mas continua de parabéns por conseguir se manter entre as grandes agremiações sem ter tanto dinheiro para investir.

A Imperatriz, junto à Mocidade, foi escola que prometeu se recuperar dos maus resultados dos últimos anos. E conseguiu. A grande mudança na escola de 2007 para 2008 foi a liberdade de criação que a carnavalesca Rosa Magalhães teve. Longe dos patrocínios que geraram carnavais fracos, Rosa desenvolveu o melhor enredo do ano (e que tinha a cara da Imperatriz), e por conseqüência a escola desfilou com o melhor samba deste carnaval. Em termos estéticos, percebe-se que a carnavalesca conseguiu criar um bom visual, mesmo sem ter a verba que boa parte das escolas tiveram. O desfile da Imperatriz foi leve, mostrando que a carnavalesca ainda pode render muito bem. Falta à escola apenas mais dinheiro para reparar as arestas e voltar a competir o título. A comissão de frente também precisará ser mais bem trabalhada para retornar às costumeiras notas máximas.

A Vila começou seu desfile muito bem. Bela comissão de frente, linda fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira e um abre-alas que já apontava as alegorias de Alex de Souza como as melhores do ano. Porém, o samba fraco, o enredo que poderia ter sido melhor desenvolvido e a última alegoria, que causou um imenso buraco na avenida até conseguir completar a manobra na cabeça da pista, deixaram a agremiação bem longe das possibilidades de título. O jovem carnavalesco ainda precisa desenvolver melhor suas fantasias, mas de qualquer forma a Vila apresentou um dos mais belos visuais do ano. Se a agremiação der oportunidade ao carnavalesco de desenvolver um enredo de sua autoria, ela terá boas chances de voltar a disputar campeonato no próximo ano. Boa estrutura e equipe para isso ela já tem.

O desfile da Grande Rio começou impactante, dando a impressão de que enfim a agremiação faria jus aos bons (e duvidosos) resultados. Mas logo surgiram as falhas e a inconstância de sempre. O enredo é fraco, citar Amazônia novamente é cansativo, o samba apenas mediano, o trabalho visual cheio de altos e baixos, a evolução com algumas falhas consideráveis, sobretudo por causa da alegoria que ficou presa nas frisas por quase cinco minutos. Porém, a bateria de mestre Odilon é sempre a salvação da lavoura. Destaque também para a fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira, talvez a mais bela do ano. Fica sempre a esperança de que a escola retornará ao estilo dos anos noventa, com bons enredos, bons sambas, desfiles animados, e, claro, resultados mais justos.

Quando a Beija-Flor entrou na avenida eu não tinha muita dúvida de que estaria ali novamente a campeã do carnaval. Nenhuma outra escola fez desfile digno de campeã. Até a Beija-Flor já foi melhor, mas seu feijão-com-arroz foi o suficiente para arrematar mais um caneco. A escola pisa na avenida sempre muito forte, deslumbrante e erra pouco. O ponto falho foi o enredo, complicado e forçado para gerar o patrocínio. Mas isso não atrapalhou a escola, que manteve sua soberania.

Nos bastidores, uma melodia embala a famosa “dança das cadeiras”

21 de Fevereiro de 2008 @ 22:08 por Afonso Fonseca

Ainda sob os ares do carnaval 2008, mas, literalmente, muita gente já está batendo a poeira e dando a volta por cima. Isso acontece em algumas agremiações, não tão bem sucedidas no resultado do carnaval carioca de 2008. Assim como em alguns casos que os casamentos são desfeitos, mais da metade das Escolas de Samba do grupo de elite já efetuaram substituição de profissionais como: Mangueira, Mocidade, Porto da Pedra, Grande Rio, Portela, Vila Isabel etc.

A primeira baixa do carnaval se deu em torno do carnavalesco Roberto Szanieck, que foi demitido da Grande Rio e logo foi contratado pela Mangueira, depois de oficialmente a verde-rosa anunciar a saída de Max Lopes, depois de oito anos à frente do pavilhão mangueirense como carnavalesco. Este deverá tomar posse como carnavalesco oficial da Porto da Pedra. Tais mudanças por si só geram muitas expectativas, comentários, críticas e autocríticas, pois já diz o velho ditado: time que está ganhando não se meche vide Beija-Flor de Nilópolis. No entanto, está em “xeque” a tradição das agremiações, os estilos de cada profissional envolvido nas mudanças e a curiosidade aumenta por antecipação ao tentarmos deduzir como Szanieck irá de fato adaptar-se ao jeito mangueira de ser e fazer carnaval, pois, o carnavalesco, tem em seu dossiê carnavais excêntricos, inclinado a alegorias gigantescas, gosto por cores fortes, do cítrico ao lilás, com resultados interessantes tanto no carnaval do Rio, como em São Paulo.

Max Lopes irá assinar o carnaval da Porto da Pedra, que segundo especulações, deve trazer para Sapucaí um enredo com parte da história da França. Supõe-se que haverá mais facilidade para adequar seu já conhecido estilo na agremiação de São Gonçalo. Cahê Rodrigues deixa a Portela em alta, e deverá substituir Roberto Szanieck na Grande Rio, outra boa proposta para o carnaval de 2009. Cid Carvalho deixa a Mocidade Independente, em seu lugar, entra Cláudio Cebola, que é “prata da casa”. Outra contratação relevante foi Rogerinho, que estava na Mocidade Independente , e, que volta a ser par com Lucinha Nobre, na Unidos da Tijuca.

Aos poucos, essa parte preliminar de formação do carnaval 2009 vai se complementando, mas, ainda espera-se por muito mais pessoas bailando ao som da “dança das cadeiras”.

Boa Sorte aos novos contratados!

E todo carnaval tem sua quarta-feira…

20 de Fevereiro de 2008 @ 19:10 por Rafael Rezende

Parte 2- Domingo

698242 9817 ga - 698242 9817 ga

Foi um dos domingos de carnaval mais esquisito que já se viu. Desfiles fracos, muito fracos. Desde o início, quando saiu o sorteio, já se esperava isso, e a chuva ainda piorou a situação. Era previsível que Porto da Pedra e São Clemente figurariam nas piores colocações. Depois disso, a noite seria chamada de “a noite da emoção”, pela impressionante seqüência de Salgueiro, Portela e Mangueira. E, para arrebatar o primeiro dia, Viradouro, e seu polêmico carnavalesco, que mal chegou e já é comparado com João Trinta.
Acontece que estrangeiro mal consegue citar o nomes das escolas, vai lá saber a importância delas para o carnaval. Fora os brasileiros, que preferiam se divertir nos camarotes ao som do “Crééééu”. Sendo assim, nem a emoção rolou como se esperava. Salgueiro com um samba apenas razoável, Viradouro com um samba horrível, e Mangueira em crise contribuíram para uma noite morna. Parece que somente a grande torcida da Portela conseguiu garantir um momento mais animado na primeira noite.

São Clemente abriu a noite de forma bem correta. Em outros anos, certamente mereceria continuar no Grupo Especial. Mas com o alto nível técnico das escolas, acabou faltando um pouco a mais para a agremiação de Botafogo se firmar no Especial. O chamado estilo “clean” do Mauro Quintaes acaba dando uma idéia de pobreza e de acabamento simples demais. Os delírios de D. Maria, a louca, foram bastante comportados, devido aos olhares vigilantes do prefeito César Maia. O que sobrou de São Clemente nessa história foi o refrão do samba, e o baile dos frangos em uma das alegorias. E só. Foi um desfile sem grandes problemas, mas que também não conseguiu nenhum grande destaque.

A Porto da Pedra melhorou sua apresentação, se comparado aos últimos dois anos. Para uma escola com dificuldade para competir de igual para igual com as grandes agremiações, tanto em termos de tradição, quanto financeiramente, ela se saiu bem. O carnavalesco Mario Borrielo fez um desfile acima da média que ele costuma fazer, reflexo direto da liberdade que ele teve na escolha e realização do enredo. Destaque para o carro representando o navio Kasato-Maru, todo em bambu. O samba foi um dos mais controversos do ano, alguns o consideraram um dos melhores do ano, outros um dos piores. Mas o fato é que ele foi o suficiente para a agremiação fazer um bom desfile, bem alegre. Destaque para o casal de mestre-sala e porta-bandeira importados do Império, Robson e a Estandarte de Ouro Ana Paula, além da bateria do guerreiro Louro, que mesmo passando mal conseguiu acompanhar a bateria até o fim do desfile, ganhando o Estandarte de Personalidade.

A competitividade começou a crescer quando o Salgueiro entrou na avenida. O enredo sobre o Rio de Janeiro gerou uma expectativa muito boa, pois ele poderia render um dos melhores momentos do ano. De fato, rendeu, mas ainda assim abaixo do esperado. Em outros tempos, este desfile poderia ser um verdadeiro sacode, hoje não mais. O samba morno chega a ser uma decepção, para um enredo tão maravilhoso. Cantar o Rio de Janeiro de uma forma tão leve e colorida é a cara do Salgueiro, e a cara do carnaval. Coisas do carnavalesco Renato Lage, sua companheira Márcia Lávia, e a perceptível sensibilidade deles ao construir os carnavais. Mesmo assim, desapontaram-me um pouco. Está certo que o Salgueiro não teve muita verba para este desfile, e o casal até operou alguns milagres. Mas o nível das alegorias oscilou bastante. A alegoria que representava o Maracanã - que poderia ser uma grande sensação – ficou sem graça, mal lembrava o Renato Lage do início dos anos 90 na Mocidade. A utilização de roupas comuns nos carros da favela e da praia também foi um descuido incomum no trabalho dos carnavalescos. O resto do visual foi agradável. Destaque também para a comissão de frente, muito boa. No final das contas, um bom desfile, que acabou levando um inesperado vice em um ano sem grandes apresentações.

A Portela honrou as expectativas de sua torcida e fez um bom carnaval. Deu uma melhorada na estética, sobretudo nas alegorias, e continuou mantendo a boa qualidade dos demais quesitos, como samba, bateria, harmonia, evolução. Foi um desfile com vários pequenos pontos falhos, que retiraram décimos aqui e ali, mas no final foi um saldo positivo, sobretudo para uma agremiação que estava há 10 anos fora do Sábado das Campeãs. Interessante é o nível crescente da escola, de 2006 pra cá, depois do tombo em 2005. Espera-se, portanto, que 2009 seja melhor ainda.

Quando a Mangueira entrou na avenida, as tradicionais bandeirinhas se agitaram, não dando a noção se seria um desfile apoteótico, ou se a escola iria em breve murchar na avenida. Minutos depois, deu pra perceber que estava mais para a segunda opção. A chuva só veio para “coroar” a má fase da Mangueira. A escola acabou sentindo mais do que se poderia prever a falta do enredo sobre Cartola. O enredo foi mal desenvolvido, o samba foi o pior da década apresentado pela agremiação, Max Lopes se mostrou repetitivo, Carlinhos de Jesus não conseguiu impressionar, além de que um dos componentes estava com um guarda-chuva normal. Faltou à escola mais dinheiro também, a mídia negativa certamente repercutiu na perda de uma parte do patrocínio. A saída de Ivo Meireles faltando poucos meses para o carnaval prejudicou o desempenho da bateria. A chuva prejudicou as fantasias, que ainda tiveram o erro de serem muito parecidas dentro de alguns setores, dando a sensação de haver apenas uma ala no setor inteiro. O que segurou a Mangueira foi a força da escola mesmo, a tradição e a raça de alguns componentes. Que a décima colocação seja o suficiente para a escola acordar. Será necessário renovar, e ao mesmo tempo voltar a valorizar a tradição.

Viradouro terminou a noite de carnaval embalada pelas polêmicas do carnavalesco. Paulo Barros: ame-o ou o odeie. Entre erros e acertos, e opiniões das mais divergentes, foi um desfile que, na hora, prevaleceu a impressão de que “aconteceu”, mas que na apuração se mostrou verdadeiramente deficiente. O samba, o pior do ano, na avenida ficou até aceitável, ainda que bem longe dos 39,8 que recebeu. Mérito da bateria da Viradouro, do intérprete Nêgo, e do bom chão da escola. A comissão de frente seguiu a tendência de espetáculo, e nesse sentido funcionou muito bem, ainda que muita gente não tenha gostado. O enredo foi, em minha opinião, um dos piores do ano. É um tema muito subjetivo, e que permitiu momentos nada carnavalescos na avenida. As fantasias e alegorias variavam bastante. Algumas eram muito simples, e feias. A criatividade compensava, mas não o suficiente para merecer a nota máxima. E encher uma alegoria de seis mil bebês de plástico não tem nada de interessante. A verdade é que ou o Paulo Barros se ajusta ao regulamento, ou ele vai continuar dando murro em ponta de faca. O desfile que ele está fazendo não cabe no regulamento. Como que se analisa a alegoria censurada?

Desfile acabando 05:30 horas é tão esquisito. Passa rápido demais. Sinto falta da sétima escola, desfilando ao amanhecer…

Carnaval Virtual, “O maior espetáculo da tela”

20 de Fevereiro de 2008 @ 13:43 por Afonso Fonseca

Caros leitores, re-inauguramos nossa participação, trazendo um tema interessante, instigante para muitos e ao mesmo tempo, inédito, para a maioria dos foliões de todo País. O Carnaval Virtual, que teve seu prelúdio no ano de 2002, com a criação da LIESV - Liga das Escolas de Samba Virtuais, e que teve seu primeiro carnaval oficial acontecendo no ano seguinte. Esta nova forma de se cultuar o carnaval partira da iniciativa de alguns jovens internautas, aficionados por samba e carnaval, em exercer funções semelhantes ao carnaval real, ou seja: carnavalescos, compositores, intérpretes, figurinistas, aderecistas, que juntos, em suas respectivas agremiações, fazem do CV, “o maior espetáculo da tela”. Atualmente há cerca de meia dúzia de Ligas Virtuais, em plena atividade. Elas promovem seus desfiles em datas distintas e passa automaticamente a ser um passatempo agradável àqueles que de fato simpatizam e gostam do carnaval arte.
Para uma maior compreensão sobre o assunto, entrevistamos João Marcos, que atualmente exerce o cargo de Vice-Presidente da entidade:

“João Marcos, gostaria que nos relatasse em breves palavras sobre o Carnaval Virtual. Como surgiu esta idéia? Quais foram os mentores desta modalidade de entretenimento? Como funcionam os desfiles?

JM - O Carnaval Virtual nasceu em 2002, idéia do Miguel Paul, que hoje é diretor na Estácio. Em 2003, tivemos o nosso primeiro desfile, sendo que três das seis escolas que desfilaram; a Imperiais, a Império do Vale e a Colibris; existem até hoje. A idéia é muito simples – são confeccionados protótipos de fantasias e alegorias, iguais aos que são feitos pelas escolas de samba reais. Esses protótipos são montados de forma a parecer um desfile e são exibidos na página da liga, ao som do samba-enredo da escola. E é muito interessante como a coisa ocorre – como temos chats com o público e narração, você sente um clima de desfile mesmo, a reação das “arquibancadas”, a empolgação dos componentes da escola. É uma experiência interessantíssima, que deixou de ser brincadeira para se tornar vitrine de talentos e futuros profissionais de carnaval.

Quando se deu o primeiro desfile virtual e quantas escolas o compuseram? Como foi essa experiência de ver na tela um desfile de carnaval?

JM - Foi em 2003. Desde lá, a LIESV já teve cinco carnavais. Eram seis escolas no primeiro desfile. Hoje temos vinte e duas, dividas em Grupo Especial e de Acesso - sem contar o desfile de avaliação, onde pessoas que pretendem ter escola na LIESV submetem seu trabalho e são avaliados por um júri rigoroso. Para 2008, mais de 40 escolas se inscreveram neste grupo de avaliação. A procura está sendo tão grande que, dependendo da qualidade dos trabalhos, poderemos até montar um Grupo de Acesso B.

Sabe-se que hoje a LIESV é um celeiro de bambas. Fale-nos de pessoas que viram revelado seus potenciais e que hoje atuam simultaneamente no Carnaval Real, salvo engano, não somente no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas também no sul do País:

JM - A LIESV formou inúmeros compositores. Vários deles que passaram por aqui, começaram a vencer em escolas nos Grupo de Acesso no Rio, estão em diretorias e etc. Mas a LIESV, pelo seu espírito democrático, acaba tendo gente do Brasil todo, do Maranhão ao Rio Grande do Sul. E o bacana é que há um intercâmbio. O William Tadeu, presidente da ala de compositores da tradicional Consulado do Samba, de Florianópolis, e o carnavalesco da escola, o Rapha Soares, participam da LIESV. Eles são modelos para os mais novos, passando experiência. Outro exemplo é o Imperial, compositor de sambas clássicos do carnaval paulista, em especial da Mocidade Alegre (inclusive, o samba do penúltimo título da escola), e que este ano é compositor do samba da Mancha Verde. Ele é um professor para a garotada. Além disso, a LIESV acaba sendo uma vitrine - muita gente importante acompanha o nosso trabalho. P.ex., uma das revelações da LIESV, o intérprete James Bernardes, que é do interior do Rio, do município de Vassouras, foi convidado para integrar o carro de som da Tradição este ano. E os frutos disso tudo começam a aparecer – tivemos compositor ganhando no carnaval de Uruguaiana, no ABC paulista, em Guaratinguetá, em Niterói, interior de Minas, Porto Alegre, Florianópolis, em blocos no Rio, em escolas mirins, etc. É tanto samba, em tanto lugar, que é difícil até enumerar. Inclusive, lançamos uma série de CDs, chamados “Do Virtual ao Real”, só com sambas enredos da garotada que foram concorrentes em escolas reais – vários deles, campeões. Já lançamos três volumes e estamos preparando o quarto. Quem quiser baixar os CD da LIESV, é só acessar aqui: http://www.liesv.com/portal/downloads.html. E não é só compositor que nós formamos- temos carnavalescos que começaram aqui e que brilham em Porto Alegre, interior do Rio Grande do Sul, Florianópolis e São Paulo. Além disso, formamos conhecedores de carnaval. Basta dizer que o comentarista dos desfiles do carnaval de Vitória por uma rádio de apelo nacional, este ano, foi o Lucas, presidente da Império do Vale. Enfim, quem ama carnaval, principalmente pelo seu lado mais artístico, encontra na LIESV o ambiente ideal para se desenvolver.

Exponha ao leitor como se dá o ciclo do carnaval virtual, se é similar ao Carnaval? (Da divulgação de sinopses, ao resultado final do concurso); Quantos grupos existem e quantas Escolas compõem?

JM - É bastante similar ao carnaval real, só que ocorre numa época diferente, inclusive para não atrapalhar o pessoal que participa de eliminatórias de samba em escolas reais. As datas são fixadas no calendário. Os desfiles ocorrem entre Junho e Julho. Por exemplo, enquanto no carnaval real, está chegando a hora dos desfiles, aqui na LIESV estão começando as eliminatórias. Várias escolas já lançaram sinopses, algumas, inclusive, já começaram a fazer os “terríveis” cortes. Se você quiser concorrer, as sinopses estão na página inicial do site da Liga (http://www.liesv.com/portal/index2.html). Basta gravar, mesmo sem instrumentos musicais, só com a voz mesmo, e mandar a gravação e a letra para o email da liga, liesv_carnavalvirtual@yahoo.com.br, que você participará dos concursos. E somos 22 escolas – 12 no Grupo Especial, 10 no Acesso. São escolas bem organizadas, algumas com quatro ou cinco desfiles na sua história. É um carnaval virtual realmente levado a sério.

O Carnaval Virtual de 2007 correspondeu às expectativas da Equipe organizadora da LIESV? O que você destacaria? E o Carnaval Virtual de 2008, como estão os preparativos? O que se pode esperar deste evento?

JM - Sim. Conseguimos grandes vitórias – para se ter idéia, o nosso CD foi gravado no mesmo estúdio que produz o CD de Acesso do Rio. Com relação ao desfile, o interesse do público superou, absurdamente, as expectativas da organização, a ponto de termos até problemas de estrutura para exibir o desfile. Para se ter uma idéia, contratamos uma webrádio para transmitir o áudio dos nossos desfiles, com capacidade para 1000 pessoas conectadas simultaneamente e com qualidade digital. Teve momentos em que essa capacidade não foi suficiente. Foi um aumento de quase 500% no público do desfile em relação ao ano anterior. Durante a noite do grupo de acesso, foi 22 mil conexões ao streaming da rádio durante toda a noite, um número que assustou a organização da liga. Nós deixamos uma faixa do CD da LIESV, o samba da Imperatriz Paulista, cantado pelo excelente Anderson Paz, intérprete da Acadêmicos da Rocinha, armazenado no Mp3tube. (http://www.mp3tube.net/br/musics/Carnaval-Virtual-Samba-Enredo-Imperatriz-Paulista-2007-LIESV/14612/). Lá, consta que a faixa teve mais de sete mil exibições – isso sem a gente fazer nenhuma propaganda e sequer ter avisado alguém de que colocaríamos o samba lá. Agora, para mim, o mais importante foi o salto de qualidade artístico. As escolas, em 2007, mostraram desejo de fazer algo de qualidade. A renovação do pessoal foi extremamente saudável, injetou um sangue novo que me deixou muito feliz. E o que esperamos, para 2008, é melhorar o que já temos de bom e, principalmente, revelar mais talentos e fazermos novos amigos.

Existe um portal denominado CAESV- Comissão de avaliação das Escolas de Sambas Virtuais; qual o objetivo do mesmo? E se houver interesse momentaneamente, como se faz para inscrever uma Escola para disputar uma vaga na LIESV para o carnaval de 2009?

JM - A CAESV é o órgão da LIESV responsável pelo desfile de avaliação. Quem quiser montar uma escola, é pegar o formulário que consta lá, mandar para a liga e preparar o carnaval. A inscrição, em si, é bem simples – basta acessar http://www.liesv.com/portal/caesv/inscricao.html, e seguir o passo a passo. O mais importante, no entanto, não é criar uma escola, mas tentar participar de uma e, conseqüentemente, fazer amigos. Este intercâmbio é o principal porque é assim que quem vem para cá consegue aprender e, também, ensinar. Tem escolas que precisam de carnavalescos e intérpretes. Se você tem boas idéias para enredo, gosta de cantar ou desenhar, procure a nossa comunidade no Orkut, ou fale comigo pelo MSN Messenger (meu id é joaomarcos8762004@hotmail.com) ou pelo Yahoo (joaomarcos876@yahoo.com.br)

João Marcos deixe uma mensagem aos leitores do Tradição do Samba:

JM - Que todos vivam o carnaval o ano todo, seja real, seja virtual. Que amem não só a dança, a cerveja, as mulheres, mas, principalmente, que se interessem pelo lado artístico. O carnaval é a arte do povo. É a nossa arte, a nossa cara. Sempre busquem a arte. Exijam que ela esteja presente sempre. Para o pessoal que quer participar das escolas reais, não deixem se levar pelas politicagens e não busquem a fama pela fama. Revolucionem como o pessoal das comissões do Pamplona, que, de alunos, passaram a mestres. Não aceitem as sacanagens. Não sigam fórmulas. Busquem serem os melhores, mesmo que não sejam os vencedores. Divirtam-se, mas levem tudo a sério. Tudo gera uma conseqüência, uma marca na sua alma. Lembrem-se: água mole em pedra dura tanto bate até que fura. E o furo é permanente. Que a vitória de vocês seja uma vitória de verdade. Só assim, ninguém tirará de você essa conquista.

Abraço a todos.

Em breve mais informes sobre o Carnaval Virtual!

Deixem seus comentários.

E todo carnaval tem sua quarta-feira…

16 de Fevereiro de 2008 @ 11:41 por Rafael Rezende

690322 5199 ga 1 - 690322 5199 ga 1
Mais um carnaval passou, e dá sempre certo desânimo quando passa esses dias tão intensos e esperados. Imaginar que virá mais um ano inteiro de expectativas dá uma preguiça… Mas acho que nós, apaixonados pelo carnaval, não sabemos fazer diferente. Enquanto fevereiro de 2009 não chega, a solução é repensar no carnaval que passou, e começar a imaginar o carnaval futuro. Sendo assim, nos próximos dias escreverei minha impressão sobre o carnaval 2008, e o pontapé inicial para os desfiles de 2009.

Sexta e sábado

Ainda que este site se preze mais a falar sobre o carnaval carioca, devem-se ressaltar alguns pontos do carnaval paulista.

O Sambódromo paulista é superior ao do Rio. Permite alegorias maiores, não tem o paredão de camarotes que há no Rio, as arquibancadas ficam mais próximas da avenida, o recuo da bateria é mais largo, facilitando a perigosa manobra de entrada no recuo, possui estacionamento para as alegorias, tanto na concentração quanto na dispersão, e as alegorias entram na avenida sem dificuldades, diferente do Rio, em que a curva para a entrada na avenida é sempre um perigo para as agremiações. O fator negativo é a iluminação do sambódromo paulista, que é muito clara.

Outro detalhe negativo do carnaval de São Paulo é o excesso de puxadores que passam os desfiles gritando coisas do tipo “tira o pé do chão”, numa influência direta do axé baiano. Definitivamente, samba é para sambar, e não para pular. E quem no Rio tem aderido à moda é Tinga, na Vila Isabel.

Houve uma boa evolução da estética. O Luxo, antes restrito à Império de Casa Verde, se espalhou por algumas escolas. Aconteceu uma melhoria geral na qualidade das fantasias, além de carros cada vez maiores e mais bem feitos. Considerando que ainda há escolas construindo alegorias debaixo da ponte, não poderia estar melhor.

As comissões de frente também melhoraram. Estão investindo mais na criatividade, em coreografias interessantes, substituindo assim a antiga mania de coreografias simples, e fantasias gratuitamente luxuosas.

Já os casais de mestre-sala e porta-bandeira ainda apresentam um excesso de luxo, deixando as fantasias pesadas, e gerando por conseqüência apresentações menos graciosas.

Para quem gosta de espetáculo, as baterias paulistanas têm proporcionado bons momentos. Elas fazem de tudo para contagiar o público: elementos que soltam fogos, fumaças coloridas, entram e logo em seguida saem do recuo, dividem-se ao meio para a passagem do casal de mestre-sala e porta-bandeira, formam a bandeira do Japão (Vila Maria), e outras tantas ousadas coreografias.

Quanto aos enredos, variou do céu ao inferno. Duas escolas pegaram um patrocínio e a porta do “inferno” ao falar sobre o sorvete, em tema bem fraco. Com isso, a Tucuruvi acabou em 12º, não sendo rebaixada por pouco, mas a Águia de Ouro não teve a mesma sorte, tendo que visitar o acesso em 2009, após a 13ª colocação. Prova de que nem todo patrocínio compensa.
Da outra ponta, a Vai-Vai se destacou com um enredo de crítica social, “VAI-VAI ACORDA BRASIL”, apontando a educação e arte como formas de solucionar os problemas sociais. O desfile ainda alertou para o cinismo dos políticos brasileiros, e suas promessas de campanha não cumpridas. Foi um enredo inteligente, criativo e com a crítica típica dos bons carnavais, e que não aparece mais no grupo especial do carnaval carioca já há algum tempo.

Outro ponto alto do desfile da Vai-Vai foi a empolgação da arquibancada, que criou uma coreografia com as bandeirinhas, formando uma bonita imagem. Foi de todo o carnaval, incluindo o carioca, o desfile que teve maior interação com a arquibancada. Aliás, geralmente os desfiles paulistas contam com maior reação do público, pelo ingresso ser mais barato, permitindo que pessoas que realmente acompanham o carnaval durante todo o ano estejam na avenida, enquanto o povão carioca se aglomera no Setor 0, no Viaduto, nas árvores da área de concentração das agremiações, para dar lugar aos turistas na avenida. São as pessoas que fazem o carnaval, mas não podem acompanhá-lo em seus dias de glória.

Por fim, deve-se lembrar também de Mocidade Alegre, Vila Maria e Rosas de Ouro que, junto com a campeã Vai-Vai, fizeram os melhores desfiles do ano. Entre essas quatro agremiações houve muito equilíbrio, todas com desfiles dignos de campeonato, e o resultado oficial confirmou o que se viu na avenida, já que elas preencheram as primeiras colocações.

O carnaval paulista cresce a passos largos, e agora com a construção da Cidade do Samba o evento dará mais um grande salto de qualidade.